Uma comitiva do governo federal, liderada pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, viaja ao México nesta semana para fortalecer laços enquanto ambos são atingidos pelo tarifaço dos Estados Unidos. Na mala, os brasileiros levam a avaliação de que o país pode ser destino alternativo a parte dos itens taxados.
Um levantamento da ApexBrasil que considera os 108 setores brasileiros sobretaxados identificou 72 países alternativos aos Estados Unidos. O cruzamento mostrou que o México está entre os dez destinos com maiores valores importados no conjunto de segmentos afetados pelo tarifaço.
A Apex destaca ao menos quatro mercados alternativos relevantes no México: móveis, equipamentos médico-odontológicos, mármore e outras pedras de cantaria e máquinas agrícolas. (veja dados abaixo, para o ano de 2024).
Móveis
- Exportação Brasil – EUA: US$ 216,5 milhões (35,1%)
- Importações totais do México: US$ 659, milhões
- Exportações Brasil – México: US$ 16,8 milhões (2,56%)
Equipamentos médico-odontológicos
- Exportação Brasil – EUA US$ 123,6 milhões (33,4%)
- Importações totais do México US$ 3,9 bilhões
- Exportações Brasil – México US$ 99,4 milhões (2,5%)
Mármore e outras pedras de cantaria
- Exportação BRA – EUA: US$ 61,8 milhões (71,9%)
- Importações totais do MEX: US$ 3,5 bilhões
- Exportações BRA – MEX: US$ US$ 43,5 milhões (9,20%)
Máquinas agrícolas
- Exportação Brasil – EUA: US$ 55,6 milhões (12%)
- Importações totais do México: US$ 204,9 milhões
- Exportações Brasil – México: US$ 30,8 milhões (15,04%)
As tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, são consideradas por ambos os países um incentivo à aproximação bilateral. Enquanto o Brasil encara ameaças de uma taxa de 50%, o republicano promete estabelecer tarifa de 30% ao vizinho.
No México, Alckmin se reunirá com a presidente mexicana Claudia Sheinbaum e participará também do Fórum Empresarial Brasil – México. O encontro contará com a presença de autoridades brasileiras e mexicanas e cerca de 250 empresários de ambos os países.
Relação Brasil-México
Em 2024, os dois países registraram um comércio recíproco de US$ 13,6 bilhões – o que coloca o México como segundo principal destino das exportações brasileiras na América Latina e o 7º maior no mundo. Foram exportados US$ 7,8 bilhões, e importados, US$ 5,7 bilhões.
Principais produtos exportados (2024):
- Veículos de passageiros US$ 715,4 mi (9,2%)
- Soja US$ 695,6 mi (8,9%)
- Carnes de aves US$ 563,7 mi (7,2%)
- Veículos de carga/especiais US$ 507,0 mi (6,5%)
- Motores de pistão US$ 469,0 mi (6,0%)
Principais produtos importados (2024):
- Partes e acessórios automotivos US$ 849,0 mi (14,7%)
- Veículos de passageiros US$ 757,8 mi (13,1%)
- Veículos de carga/especiais US$ 264,2 mi (4,6%)
- Instrumentos e aparelhos de medição US$ 243,1 mi (4,2%)
- Máquinas e aparelhos elétricos US$ 210,9 mi (3,7%)
Em 2023, o estoque de Investimento Estrangeiro Direto (IED) do México no Brasil alcançou US$ 15,5 bilhões — ocupando 17ª posição entre todos os países. Seis empresas mexicanas estão entre as mil maiores do Brasil, incluindo a Claro Telecom (Amércia Móvel) e a Coca-Cola Femsa do Brasil, além de uma estreante na lista: a Alpek, do setor petroquímico.