Motta avalia ano legislativo como um dos ‘mais difíceis da história’ e defende independência entre Poderes

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, realizou, nesta sexta-feira (19), um balanço das atividades legislativas durante um “Café com Jornalistas”. Em tom de conciliação, mas reconhecendo a gravidade do cenário político, Motta classificou o período recente como um dos “momentos mais difíceis da história do legislativo”, citando a polarização e a interferência de julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF) no cotidiano da Casa.

Apesar das dificuldades, o parlamentar destacou o saldo positivo na aprovação de matérias, com destaque na agenda econômica do governo e na segurança pública.

Relação entre os Poderes e STF

Motta reforçou a necessidade de respeito mútuo e independência entre os Poderes. Sobre a relação com o Executivo, afirmou manter “profundo respeito” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de eventuais oscilações naturais da política. Já em relação ao Senado, destacou a amizade com Davi Alcolumbre como um ponto positivo para a governabilidade visando 2026.

Ao abordar as operações da Polícia Federal contra parlamentares e a relação com o Judiciário, o presidente da Câmara adotou cautela. “Eu não faço pré-julgamento antecipado sobre nenhum assunto. Acho que o Supremo está no papel de investigar”, disse Motta, ressaltando que a Casa continuará dialogando sobre temas inerentes à legislação, sem abrir mão de suas prerrogativas.

Ele pontuou ainda que o julgamento de um ex-presidente no STF é um fator que “interfere no dia a dia da Câmara”.

Tensão na Câmara e imprensa

Um dos pontos centrais da conversa foi o episódio envolvendo o deputado Glauber Braga e a atuação da Polícia Legislativa, que resultou em dificuldades para o trabalho da imprensa. Motta pediu desculpas aos jornalistas pelos “excessos que aconteceram”, firmando o compromisso de que tais situações não se repetirão.

No entanto, defendeu a decisão tomada à época para garantir o funcionamento da Casa. “Ali só restava ao presidente tomar a decisão (…) para proteger o bom funcionamento da Casa”, justificou, atribuindo o clima tenso à polarização radicalizada.

Sobre a ocupação da Mesa Diretora pela oposição, Motta informou que o caso está sob análise do Conselho de Ética e espera uma decisão “pedagógica” para punir os envolvidos.

Pautas: Economia, Segurança e Anistia

O presidente da Câmara listou avanços legislativos, como o compromisso com a criança alfabetizada e a priorização da segurança pública. Sobre pautas futuras e polêmicas:

PL da Dosimetria (8 de Janeiro): Motta esclareceu que a Câmara não aprovou uma anistia ampla, mas sim a possibilidade de revisão judicial de penas consideradas excessivas. “É o próprio poder judiciário que irá analisar esses pedidos”, frisou;

PEC 6×1: O tema deve ser amplamente debatido em 2026;

PL Antifacção: A análise ficará para o próximo ano legislativo;

Cenário político para 2026

Questionado sobre as eleições de 2026 e a movimentação de candidatos como Flávio Bolsonaro, Motta defendeu uma postura de imparcialidade na condução da Câmara. “Quanto menos politizada do ponto de vista eleitoral ela [minha posição] for, melhor”, afirmou, indicando que o apoio explícito a lados opostos prejudicaria o equilíbrio necessário para presidir as sessões.

Motta também comentou brevemente sobre a cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro, afirmando de forma objetiva que a decisão se deu por questões regimentais: “Ele já tinha as faltas necessárias para que sua cassação fosse pedida”.

Ao finalizar, o presidente minimizou críticas feitas pelo ex-presidente da Casa, Arthur Lira, reafirmando sua amizade e sugerindo que falas podem ter sido tiradas de contexto.

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