Quarenta e quatro anos após seu lançamento, o Motorola 68008 voltou aos holofotes ao conseguir inicializar uma versão atual do kernel Linux. O feito foi demonstrado por Colin Maykish, criador do computador experimental Mackerel-68k, que colocou o kernel Linux 7.1-rc6 para funcionar em um sistema equipado com apenas 3,5 MB de memória RAM.
Na prática, o computador chega ao prompt de um ambiente mínimo baseado em BusyBox, mas pouco além disso. A limitação de memória impede carregar recursos adicionais do sistema, tornando inviável executar aplicações mais pesadas. Ainda assim, conseguir concluir o processo de boot em um hardware dessa classe já representa um marco técnico.
O hardware utilizado é um Motorola 68008, versão econômica da família 68000 lançada em 1982. Embora internamente mantenha arquitetura de 32 bits semelhante à do 68000, o chip utiliza um barramento externo de dados de apenas 8 bits, reduzindo significativamente a largura de banda da memória e, consequentemente, o desempenho.
No projeto, o processador, originalmente especificado para 8 MHz, opera em 14 MHz após overclock. Mesmo assim, o carregamento do sistema leva bastante tempo, reflexo tanto da velocidade do processador quanto da quantidade extremamente reduzida de RAM disponível.
O detalhe mais curioso
O aspecto mais interessante não é apenas ver um processador da década de 1980 rodando Linux, mas sim o fato de ele executar uma versão recente do kernel.
Nos últimos anos, o desenvolvimento do Linux passou por uma série de limpezas internas que removeram suporte para diversas arquiteturas antigas e pouco utilizadas. Ainda assim, a arquitetura m68k continua ativa, permitindo que projetos como o Mackerel-68k acompanhem versões modernas do kernel com adaptações específicas.
Segundo Maykish, seu objetivo inicial era atualizar outro computador baseado no Motorola 68010 para uma versão recente do Linux. O sucesso no 68008 surgiu como uma consequência inesperada durante esse processo.
Mais demonstração técnica do que computador utilizável
Apesar do resultado impressionar, o projeto está longe de transformar o 68008 em uma plataforma prática para Linux.
O sistema consegue apenas concluir a inicialização e disponibilizar um shell extremamente enxuto. Qualquer tentativa de adicionar mais recursos ao kernel ou ampliar o ambiente de usuários faz o consumo de memória ultrapassar rapidamente os 3,5 MB disponíveis, interrompendo o boot.
Ainda assim, a demonstração evidencia um dos pontos fortes do Linux: sua capacidade de adaptação a arquiteturas radicalmente diferentes, mesmo décadas após terem desaparecido do mercado.



