O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (20), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “age como se estivesse em um programa de TV”, mas que, após encontros com o chefe de Estado norte-americano, ele se mostrou “calmo e tranquilo” nas reuniões privadas.
“Eu já tive a oportunidade de observar. Trump é um especialista em marketing. Ele é um especialista em mídia digital e social. Ficou muito claro que ele age como se estivesse em um programa de TV, mas no encontro pessoal ele se mostra muito mais calmo e tranquilo”, afirmou Lula.
Lula relatou as impressões que teve do presidente americano durante os encontros oficiais que teve com ele e disse que, para a próxima reunião, prevista para março deste ano, o tema será o combate ao narcotráfico.
“Eu tenho 80 anos e ele fará 80 em junho do ano que vem. Portanto, dois homens de 80 anos não precisam brigar. Não precisamos fazer um espetáculo. Precisamos lidar seriamente com o que a idade nos impõe e chegar a um acordo que possa servir de exemplo para o mundo”, afirmou.
“Vamos encontrar os traficantes do crime organizado, vamos fazer isso juntos”, disse.
Lula está na Índia para a Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, em Nova Déli. O presidente se reuniu com o primeiro-ministro Narendra Modi em uma visita de Estado.
Maduro
Lula afirmou que a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos, é inaceitável. O petista defendeu que Maduro seja julgado pela Justiça do próprio país.
“Não podemos aceitar que um chefe de Estado de um país possa invadir outro país e prender o presidente. Isso é inaceitável. Não há explicação para isso. É inaceitável”, afirmou Lula durante viagem ao país asiático.
Nicolás Maduro e Cilia Flores, mulher do presidente venezuelano, foram capturados por forças militares norte-americanas em 3 de janeiro, durante uma operação noturna em Caracas.
O casal foi levado para Nova York, onde o líder venezuelano está preso e responde a processos na Justiça americana.
As acusações apresentadas pelas autoridades dos Estados Unidos incluem narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Inicialmente, Maduro foi acusado de liderar o chamado Cartel de los Soles, organização classificada como terrorista pelos EUA.
O governo americano, contudo, recuou dessa acusação específica e passou a considerá-lo culpado de “participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas”.
Na entrevista desta sexta-feira, Lula defendeu que Maduro deve ser julgado na Venezuela, e não nos Estados Unidos.
“Eu acredito que, se Maduro tiver que ser julgado, ele deve ser julgado em seu país, e não em um julgamento no exterior. Isso é inaceitável. A interferência de uma nação sobre outra nação”, afirmou Lula.
As penalidades para os crimes dos quais Maduro é acusado nos Estados Unidos variam de 20 anos de prisão a prisão perpétua.
Regulação das redes sociais e punição
Lula defendeu a regulação das redes sociais durante a entrevista ao canal indiano. Segundo o presidente, é preciso que as plataformas sejam punidas ao divulgarem conteúdos violentos.
“Existe um lado negativo nas redes digitais, que são as pessoas de má-fé que usam essa mídia. As mentiras prevalecem, as coisas ruins prevalecem. É por isso que defendemos a regulamentação das plataformas, e a plataforma, quando divulga algo violento contra qualquer pessoa, deve ser punida e levada a julgamento pelo órgão regulador. Caso contrário, não conseguiremos lidar com o problema”, afirmou Lula.
Questionado sobre a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU), Lula disse que a entidade está enfraquecida porque membros permanentes do Conselho de Segurança não conversam mais entre si. O presidente disse que atua para tornar a ONU “mais representativa”.
“Então, é preciso incluir mais pessoas para dar mais representatividade, para que possamos evitar o que aconteceu em Gaza, o que está acontecendo agora em dezenas de países do continente africano, golpes de Estado, guerras no continente africano. Portanto, é necessário que a ONU seja mais representativa. Hoje, ela não é, então, queremos mudar a ONU”, disse Lula.
O presidente também disse que não se preocupa com a relação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula afirmou que sua atenção está no contato entre Trump e o Brasil.
“A questão com Bolsonaro está resolvida. Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, e ele ficará preso por um bom tempo, por um bom período”, declarou Lula ao canal India Today.
Lula está na Índia desde a quarta-feira (18), e permanecerá no país até este sábado, 21. Ao lado de líderes mundiais como o primeiro-ministro indiano, Nahendra Modi, e o presidente da França, Emmanuel Macron, o presidente participou da Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial em Nova Délhi. Na ocasião, ele defendeu a participação do Sul Global para debater a regulação das novas tecnologias.



