O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, entregou nesta quinta-feira (8) sua carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A entrega do documento ocorreu em uma reunião reservada, momentos antes do evento oficial no Palácio do Planalto que marca o aniversário de três anos dos ataques antidemocráticos de 8 de Janeiro.
Segundo apuração da reportagem, o governo ainda não tem um nome definido para ocupar a pasta. O secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto deve assumir interinamente até que haja escolha oficial.
Lewandowski — que tem 77 anos e passou 17 anos no Supremo Tribunal Federal (STF) antes de assumir o ministério — relatou cansaço ao presidente Lula e, a pessoas próximas, avaliou que sua “missão foi cumprida”.
Integrantes importantes da equipe também devem deixar seus cargos, entre eles o próprio Manoel Almeida.
Projetos no Congresso seguem em tramitação
Durante sua gestão, dois projetos considerados estratégicos avançaram no Congresso:
PL Antifacção — endurece o combate ao crime organizado e busca tipificar condutas relacionadas a organizações criminosas;
Sistema Único de Segurança Pública (Susp) — propõe a integração operacional de polícias estaduais e forças federais;
Divisão da pasta é desejo antigo de Lula
Com a saída de Lewandowski, Lula deve aproveitar a transição para realizar um projeto antigo: dividir a pasta em dois ministérios — Justiça e Segurança Pública.
A ideia chegou a ser ventilada ainda na transição de governo, em 2022, mas foi adiada para não fragmentar a estrutura logo no início do mandato. Agora, a avaliação no Planalto é de que a divisão facilitaria a gestão e daria mais foco ao tema da segurança pública, considerado sensível para as eleições de 2026.
Segundo interlocutores, Lula pediu que Lewandowski permanecesse até que os nomes fossem definidos — o que, internamente, é esperado para ainda em janeiro.

