Ser latino(a) está na moda. Depois de anos de dominação de uma estética asséptica e minimalista, a moda parece voltar a falar alto. A era da clean girl — pele glow, guarda-roupa neutro, cabelo alinhado — começa a perder força diante de um universo visual quente, exagerado e intencionalmente imperfeito.

Bad Bunny foi o vencedor do prêmio Álbum do Ano do Grammy 2026
Um movimento demora a chegar às passarelas, mas já domina os feeds. Nas redes, criadoras de conteúdo latino-americanas puxaram esse imaginário para o centro da conversa com o bordão “latina demais para ser minimalista”. Logo depois, as brasileiras passaram a ressignificar e assumir a estética “fubanga” com roupas nada discretas.
Conteúdos como esses são sintomas de uma virada cultural. A ascensão do cinema brasileiro, a vitória de Bad Bunny no Grammy (com o primeiro álbum inteiramente em espanhol a ganhar a premiação) e sua apresentação no Super Bowl neste domingo não são eventos isolados. Nunca consumimos tanta cultura latina como agora.

O filme “O Agente Secreto” levou duas estatuetas na 83ª edição do Globo de Ouro
E enquanto cantores globais vêm ao Brasil e fazem questão de apreciar nossa música, ritmos como reggaeton, corridos mexicanos e funk brasileiro que passaram dos charts globais para os briefings das grandes marcas. O que antes era visto como periférico já inspira campanhas, coleções e narrativas publicitárias.
O ritmo carioca, por exemplo, foi a escolha da Rabanne para a campanha de verão 2025 da marca, em uma colaboração do diretor francês Emmanuel Cossu e a fotógrafa e artista visual Melissa de Oliveira, nascida do Morro do Dendê, no Rio de Janeiro.
Já na semana de moda de Nova York, no ano passado, a PatBO, única marca brasileira no evento, levou à passarela uma coleção intitulada “Alma Latina”. Mais recentemente, a FARM apresentou “Buena Gente”, uma coleção dedicada ao amor à diversidade latino-americana.

PatBo apresenta coleção “Alma Latina” na NYFW
Em um mundo atravessado por tensões geopolíticas, crises identitárias e disputas de poder, a expressão do orgulho em ser latino vai além do visual e se torna também um ato político. Diante de um cenário global que volta a valorizar padrões homogêneos e fronteiras rígidas, assumir o exagero, a cor e o ruído se torna uma forma simbólica de respeito às raízes e revela um desejo de pertencimento, voz e afirmação.

