O CEO da NVIDIA, Jensen Huang, abriu o debate mais quente da tecnologia em 2026: o que fazer com a inteligência artificial — crescer ou enxugar? Para ele, a resposta é óbvia. E quem não enxerga isso, segundo o próprio Huang, está simplesmente sem criatividade.
Em declarações recentes que repercutiram pelo setor, Huang criticou diretamente líderes de grandes empresas de tecnologia que têm usado a IA como justificativa para demissões em massa. “Falta imaginação”, disse o fundador da NVIDIA, defendendo que a tecnologia deveria ser usada para expandir capacidades, não para reduzir equipes.
O timing da declaração é revelador. Enquanto Huang falava, Meta anunciava o corte de aproximadamente 15.000 funcionários — cerca de 20% do seu quadro global — mesmo dobrando seu orçamento de IA para US$ 135 bilhões em 2026. A Amazon eliminou 16.000 cargos corporativos citando explicitamente automação como motor de eficiência. E a Microsoft cortou mais de 15.000 postos ao longo de 2025, comprometendo ao mesmo tempo US$ 80 bilhões em infraestrutura de IA. Todos eles são clientes da NVIDIA — e Huang acabou de chamar a abordagem deles de sem inspiração.
A visão de Huang: IA cria empregos, não os elimina
A posição de Jensen Huang não é nova, mas nunca foi tão direta. Em um ensaio publicado recentemente, ele descreveu a IA como uma expansão industrial comparável à eletrificação, exigindo trilhões de dólares em nova infraestrutura — energia, chips, data centers, mão de obra especializada. “Estes são empregos qualificados e bem remunerados, e estão em falta. Você não precisa de um doutorado em Ciência da Computação para participar dessa transformação”, afirmou.
Para ilustrar seu argumento, Huang usou a radiologia como exemplo: a IA ajuda na leitura de exames, mas a demanda por radiologistas continua crescendo. Sua lógica é a de que produtividade gera capacidade, e capacidade gera crescimento — não desemprego.
Huang também apresentou uma visão concreta do futuro das empresas. Em entrevista à Citadel Securities, ele afirmou que as equipes corporativas serão uma combinação de “humanos e humanos digitais”, com agentes de IA passando por processos de contratação e integração da cultura da empresa, assim como funcionários convencionais. “Eu digo ao nosso CIO que o departamento de TI vai se tornar o RH dos agentes de IA no futuro”, disse.
O paradoxo do sucesso da NVIDIA
Curiosamente, o sucesso da própria NVIDIA criou um dilema: após registrar lucros recordes, as ações caíram. Huang chamou isso de um “cenário sem vitória” — se os resultados são ruins, confirmam a bolha; se são ótimos, “alimentam” a bolha. Apesar das críticas de investidores como Michael Burry, que comparou a NVIDIA à Cisco dos anos 1990, Huang mantém a posição: a empresa continuará acelerando a adoção da IA independentemente de qualquer ruído de mercado.
O que fica claro é que Jensen Huang não está apenas vendendo chips. Ele está vendendo uma visão de mundo — e cobrando, publicamente, que os líderes do setor estejam à altura dela.



