A Área de Relevante Interesse Ecológico Ilhas da Queimada Pequena e Queimada Grande, localizada no litoral de São Paulo e sob gestão do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), abriga uma das maiores densidades de serpentes do mundo e uma espécie endêmica e criticamente ameaçada: a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), considerada a mais peçonhenta do Brasil.
O local ganhou destaque após uma embarcação com três pessoas desaparecer próximo à região no último sábado (23).
Localizada entre Peruíbe e Itanhaém, no litoral Sul de São Paulo, a área é conhecida como “Ilha das Cobras” devido à alta população de serpentes do local. Já o nome “Queimada Grande” deriva das queimadas feitas por pescadores no passado para afastar os animais.
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Com acesso restrito apenas para pesquisadores, a ilha é um laboratório natural para estudos sobre evolução, ecossistema e conservação, onde cientistas do Instituto Butantan e universidades trabalham para garantir a estabilidade populacional das espécies e a preservação do seu habitat único.
A ilha faz parte de uma unidade de conservação federal gerenciada pelo ICMBio, que administra mais de 300 unidades no Brasil.
Sobre o acesso ao local
O local abriga um ecossistema de grande importância, com diversas espécies de insetos, lagartos, aranhas e aves, como o atobá.
O desembarque é restrito, perigoso (feito em costão rochoso) e requer autorização prévia (SISBio) concedida pelo ICMBio apenas para projetos de pesquisa aprovados.
Para chegar ao local, pesquisadores utilizam vestimentas adequadas e equipamentos de manejo, como ganchos, pinças herpetológicas e tubos de contenção, devido à alta densidade populacional das serpentes.
A estrela da ilha
A Jararaca-Ilhoa (Bothrops insularis) é a principal espécie da ilha. A espécie é endêmica da ilha e está classificada como “criticamente ameaçada de extinção”.
Por falta de presas terrestres (como roedores), a cobra adaptou-se para caçar aves nas árvores. O animal desenvolveu um veneno cinco vezes mais potente que o de sua parente continental, a jararaca-comum, para abater as presas rapidamente. Tornou-se uma espécie de hábito diurno para coincidir com a atividade das aves.
O veneno da jararaca-comum foi fundamental para o desenvolvimento do Captopril, um dos medicamentos mais usados para controle da pressão arterial.
A biopirataria (tráfico de animais) é uma das principais ameaças à sobrevivência da espécie.