Grupos de golpes de “renda extra” no WhatsApp crescem 75%; veja como identificar

A mensagem chega pelo WhatsApp com tom informal e proposta direta: uma suposta empresa de marketing digital seleciona pessoas para tarefas simples, curtir publicações, seguir perfis, avaliar produtos, e paga entre R$ 100 e R$ 1.500 por dia. O golpe da renda extra tem nome consolidado no Brasil, com 128 grupos ativos identificados pela Redbelt Security em dezembro de 2025. O esquema adapta o Sha Zhu Pan, fraude chinesa de 2010 que se espalhou pelo sudeste asiático na pandemia e chegou ao Brasil via WhatsApp e Telegram. Em setembro de 2024, a Redbelt contava 73 grupos no país — o número saltou 75% em 15 meses, com pagamentos via Pix para combinar com o hábito brasileiro.

Pagamento inicial constrói confiança

A vítima entra em um grupo onde perfis falsos postam comprovantes de saques reais, entre R$ 5 e R$ 20, depositados pelos próprios golpistas. Esses valores pequenos chegam rápido para gerar credibilidade, o grupo simula um fluxo constante de ganhos. Depois, surge a tarefa “pré-paga”: deposite R$ 1.000 agora e receba R$ 1.500 amanhã, com mais comprovantes falsos para reforçar. Após o Pix, o bloqueio é imediato.

Malwares e laranjas entram no jogo

Eduardo Lopes, da Redbelt, explicou ao Techtudo, que o golpe evoluiu de engajamento simples para híbrido com phishing e apps falsos que roubam senhas bancárias via SMS. Esses banker trojans miram apps brasileiros como Nubank e Caixa — e golpistas recrutam laranjas locais para lavar o dinheiro.

Números mostram escala nacional

De julho de 2024 a junho de 2025, fraudes via Pix atingiram 24 milhões de vítimas e R$ 29 bilhões em prejuízos, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A Silverguard mediu alta de 21% no prejuízo médio por vítima em 2025, para R$ 2.540 — idosos acima de 60 anos perdem cinco vezes mais que jovens de 18 a 29. São 4.500 tentativas de golpe por hora no Brasil, conforme Datafolha de setembro de 2024

Sinais claros para identificar

Adriano Volpini, da Febraban, aponta o padrão: pagamento inicial seguido de pedido de depósito para “liberar” ganhos maiores. Verifique estes pontos antes de entrar:

  • Empresa sem CNPJ ou contrato público

  • Depósito exigido para próxima tarefa

  • Ganhos acima de R$ 100/dia por cliques simples

  • Comprovantes de contas aleatórias no grupo

  • Contato não solicitado via WhatsApp.

Nenhuma plataforma legítima pede investimento próprio para tarefas pagas.

Caso tenha caido no golpe, registre o boletim de ocorrência (BO) online na Delegacia Virtual do seu estado ou no portal gov.br, acesse o site da Polícia Civil, selecione “golpe digital” ou “estelionato”, preencha dados pessoais, anexe prints de conversas, comprovantes de Pix e números de telefone usados. Notifique o banco imediatamente pelo app ou central de atendimento para bloquear a conta receptora e pedir estorno — eles têm até 7 dias para analisar e devolver o valor se o Pix for recente. Troque senhas de apps bancários, e-mail e WhatsApp, avise contatos próximos para bloquear números suspeitos e monitore extratos por 30 dias para transações estranhas.

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