GoPro revela risco de falência, demite 23% da equipe e busca compradores

A GoPro publicou um formulário 8-K junto à SEC, o órgão regulador do mercado de capitais americano, sinalizando dúvidas reais sobre sua capacidade de continuar operando nos próximos meses. O documento, obrigatório para empresas de capital aberto nos Estados Unidos quando há eventos materialmente relevantes para investidores, coloca a fabricante de câmeras de ação em um cenário que poucos esperariam: às vésperas de uma possível falência, com 23% dos funcionários demitidos, ações despencando 14% e um processo formal de venda já em andamento.

O gatilho imediato não é uma falha de produto nem de estratégia de marca: é a crise global de chips de memória. A alta demanda por componentes voltados a servidores de inteligência artificial empurrou os grandes fabricantes de DRAM a redirecionar sua produção para memórias de alto desempenho voltadas a data centers, e o mercado de eletrônicos de consumo sentiu o tranco.  A GoPro, que depende desses componentes na cadeia de produção de seus dispositivos, entrou na mesma fila de vítimas.

O resultado apareceu nas planilhas: as vendas da empresa caíram 26% no último levantamento financeiro. Com a receita em queda e os custos de componentes pressionados para cima, o equilíbrio financeiro desapareceu. A empresa acumula cerca de US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 250 milhões em conversão direta) em empréstimos com bancos como o Wells Fargo, e a capacidade de honrar esses compromissos está em xeque.

CEO comprou ações em novembro; hoje elas custam US$ 1

O timing de algumas decisões internas torna a situação ainda mais emblemática. Em novembro, o CEO Nicholas Woodman anunciou a compra de US$ 2 milhões em ações da própria empresa, um movimento clássico de sinalização de confiança para o mercado. O gesto não funcionou como âncora: os papéis da GoPro hoje beiram US$ 1 por ação. A queda registrada após a divulgação do formulário 8-K foi de 14%.

À venda antes de afundar

A empresa declarou formalmente estar “aberta a novos investimentos”, linguagem corporativa que, no contexto de um alerta de continuidade operacional, equivale a um processo de venda. A GoPro busca compradores ou investidores estratégicos capazes de injetar capital suficiente para manter as operações e honrar as dívidas bancárias. As demissões de 23% do quadro de funcionários já foram anunciadas como parte do corte de custos operacionais nesse processo.

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