Frigoríficos pedem crédito e regras para enfrentar salvaguardas chinesas

A ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) apresentou ao governo federal um conjunto de propostas para mitigar os impactos das medidas de salvaguarda impostas pela China, principal destino das exportações do setor.

Entre os pedidos estão a criação de linhas de crédito para a cadeia pecuária, a abertura de novos mercados estratégicos e a definição, pelo governo, de regras claras para a distribuição da cota chinesa de importação.

O ponto central da preocupação do setor é a cota de 1,1 milhão de toneladas prevista para 2026 — volume cerca de 35% inferior ao exportado em 2025. Na avaliação das indústrias, a ausência de uma regulação oficial pode gerar uma “corrida” desordenada para cumprir o limite, seguida por períodos de forte retração nos embarques, o que tende a provocar volatilidade nos preços do boi gordo no Brasil e dos cortes bovinos no mercado internacional.

A ABIEC articula apoio junto ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, para avançar nas negociações com Pequim. Está prevista para o início da próxima semana uma reunião bilateral entre Alckmin e o vice-presidente chinês, e a expectativa do setor é que as definições e eventuais soluções sejam anunciadas até o fim da próxima semana.

Segundo a ABIEC, a definição da distribuição da cota de exportação é atribuição exclusiva do governo. O setor descarta qualquer arranjo privado por razões concorrenciais e defende que a regulação ocorra por meio de norma oficial, com controle de volumes e equilíbrio entre os exportadores.

A principal preocupação é que a incerteza nos embarques afete diretamente a receita dos frigoríficos e provoque retração da produção. Diante desse cenário, a indústria estuda ajustes no ritmo dos envios, incluindo a fixação de volumes mensais de até 80 mil toneladas destinadas à China.

Ainda de acordo com a associação, as exportações para o mercado chinês somaram quase US$ 9 bilhões em 2025. Uma eventual taxação que resulte em redução de 35% nos embarques poderia gerar uma perda de cerca de US$ 3 bilhões em faturamento. Atualmente, o Brasil não dispõe de outro mercado capaz de absorver esse volume.

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