França ordena migração do Windows para Linux em todos os ministérios e substitui Teams e Zoom por ferramentas próprias

 A Direção Interministerial do Digital da França (DINUM) anunciou formalmente a saída do Windows em favor de estações de trabalho com Linux, determinando que todos os ministérios do país apresentem seus próprios planos de redução de dependências tecnológicas extra-europeias até o outono de 2026. A diretiva cobre sistemas operacionais, ferramentas de colaboração, infraestrutura em nuvem, inteligência artificial, bancos de dados, virtualização e equipamentos de rede.

A DINUM, que responde por cerca de 250 agentes, será a primeira a migrar suas próprias máquinas, liderando pelo exemplo antes de exigir o mesmo dos demais órgãos públicos. Os ministérios, operadores públicos e entidades vinculadas têm até o outono de 2026 para entregar seus planos; as migrações efetivas estão previstas para 2027. Nenhuma distribuição Linux específica foi definida no anúncio público, e cada ministério mantém flexibilidade para escolher seu caminho dentro do marco estabelecido.

O movimento não se limita ao sistema operacional. A Previdência Social francesa já migrou seus 80.000 funcionários para ferramentas da plataforma digital interministerial, e o governo anunciou em março a migração da plataforma de dados de saúde para uma solução considerada “de confiança” até o fim de 2026. No lugar dos softwares americanos, entram aplicativos desenvolvidos e mantidos pela própria DINUM dentro do pacote chamado La Suite Numérique: o Tchap, serviço de mensagens com criptografia de ponta a ponta já usado por mais de 600.000 servidores públicos; o Visio, substituto do Zoom para videoconferências; e o FranceTransfert, para compartilhamento de arquivos.

David Amiel, ministro da Ação Pública e das Contas, disse que “o Estado não pode mais se contentar em constatar suas dependências, ele precisa sair delas”. A parlamentar Anne Le Hénanff acrescentou que a soberania digital é uma necessidade estratégica, não uma opção, e que a França pretende que outros países europeus sigam o mesmo caminho.

A lógica financeira já foi testada em escala menor. Na Baviera (Alemanha), 30.000 máquinas do governo estadual estão migrando para Linux e LibreOffice, com 80% da transição concluída no início de 2026 e uma economia estimada de 15 milhões de euros. Na França, a DINUM mapeou cerca de 500.000 postos de trabalho atualmente rodando Windows como alvo da transição. Em junho de 2026, a agência realizará as primeiras reuniões para definir o marco de cooperação entre o setor público e o privado para viabilizar a estratégia.

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