A audiência na Corte de Apelação de Roma, na Itália, sobre o pedido da Justiça brasileira para que a ex-deputada Carla Zambelli seja extraditada começou nesta quarta-feira (10). Após suspensão, o julgamento deve continuar na quinta-feira (11).
A primeira decisão da Corte italiana sobre o pedido de extradição sairá dessa primeira audiência. Após a determinação, a defesa de Zambelli e a Justiça brasileira poderão recorrer, em até 15 dias, junto à Corte de Cassação. O processo será concluído pelo Ministério de Justiça da Itália.
Na terça-feira (10), o pedido feito pela defesa de Zambelli para troca de juízes foi negado. Os advogados da ex-deputada federal disseram haver falta de imparcialidade dos três magistrados que compõem o colegiado responsável por julgar o pedido de extradição. Para os defensores, em razão das decisões proferidas ao longo do processo, o posicionamento é favorável à solicitação da Justiça brasileira contra a ex-parlamentar.
A audiência de Zambelli foi adiada quatro vezes. A última remarcação, em 20 de janeiro, foi por determinação da Corte de Apelação de Roma, que não conseguiu tempo suficiente para analisar as informações enviadas pelo governo brasileiro em relação ao lugar onde a ex-deputada federal ficará detida em caso de retorno ao Brasil. Em caso de extradição, a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como “Colmeia”, custodiará a ex-parlamentar.
Desde julho de 2025, Carla Zambelli está presa preventivamente na Penitenciária de Rebibbia, em Roma, na Itália. Em 2025, a ex-deputada foi sentenciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em dois processos.
Relembre as condenações de Zambelli
Em maio de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Carla Zambelli a 10 anos de prisão em regime inicialmente fechado por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No mesmo mês, a ex-deputada federal deixou o Brasil. De Buenos Aires, na Argentina, ela viajou para Flórida, nos Estados Unidos. Em junho, foi para a Itália, onde acreditava estar protegida em razão de sua cidadania italiana. No entanto, no mesmo dia de sua chegada ao país, a ex-parlamentar foi incluída na lista de difusão da Interpol.
Em agosto, o STF sentenciou Zambelli a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. A condenação foi em razão do episódio no qual a ex-deputada federal perseguiu um homem a mão armada por ruas de São Paulo, às vésperas das eleições de 2022.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou, em dezembro, a revogação da decisão da Câmara dos Deputados em manter o mandato de Carla Zambelli. Dias depois, a ex-deputada federal renunciou ao cargo.

