A inteligência artificial já faz parte do cotidiano de quase todos no âmbito privado, mas dentro das corporações, o cenário é de frustração. Um novo estudo da Accenture, intitulado “Talent Reinventors: Delivering Value with and For People“, aponta um dado alarmante: apenas 18% das empresas no mundo conseguem transformar seus investimentos em IA em valor concreto para o negócio.
O motivo do gargalo não é a falta de processamento ou de software, mas sim a negligência na formação do pessoal. Segundo a pesquisa, que ouviu mais de 5,8 mil profissionais em 12 países, a maioria dos projetos de IA não passa da fase de “experimentação” porque os funcionários não sabem como integrar a ferramenta ao fluxo de trabalho real.
As empresas que superaram essa barreira são chamadas pela Accenture de “Talent Reinventors”. Elas entenderam que a IA não é um programa com início e fim, mas uma reinvenção contínua. Essas organizações não se limitam a instalar o software; elas redesenham processos e investem pesado em treinamento específico.
Os resultados dessa abordagem humana são mensuráveis e agressivos:
-
Cultura empresarial: 7 vezes superior às concorrentes.
-
Experiência do funcionário: 6 vezes melhor.
-
Adaptabilidade: 4 vezes mais rápida.
-
Financeiro: Crescimento médio de 1,8% no faturamento e 1,4% nos lucros.

O Erro da Contratação Externa
O estudo também expõe uma falha crítica na liderança: 70% das empresas ainda buscam talentos de IA exclusivamente no mercado externo, ignorando o potencial de seus próprios colaboradores. Isso cria um “curto-circuito” motivacional, onde 45% dos funcionários admitem não ver oportunidades de crescimento dentro de suas próprias companhias.
“A verdadeira sfida não é tecnológica, mas organizacional”, comenta Roberta Marracino, líder de talentos da Accenture. Para ela, o sucesso em 2026 depende de integrar a IA no coração dos processos e investir nas pessoas com a mesma ambição com que se investe em novos chips.



