O Brasil volta a campo na segunda-feira, 29 de junho, às 14h de Brasília, contra o Japão, em Houston, pela segunda fase da Copa do Mundo de 2026. A partida vale vaga nas oitavas de final e coloca a arbitragem no centro da atenção antes mesmo de a bola rolar.
Até a publicação deste texto, a equipe de arbitragem de Brasil x Japão ainda não havia sido divulgada pelos organizadores da competição. O nome do árbitro ainda será confirmado oficialmente.
Enquanto isso, uma parte importante do jogo já está definida: a tecnologia que vai acompanhar cada decisão dentro de campo.
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Bola da Copa tem chip que registra 500 movimentos por segundo
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A TRIONDA, bola oficial da Copa do Mundo de 2026, tem um sensor de movimento capaz de registrar dados a 500 Hz. Na prática, o sistema acompanha o deslocamento da bola 500 vezes por segundo e envia essas informações ao VAR em tempo real.
Esse recurso ajuda principalmente em lances de impedimento. O sistema consegue identificar com precisão o instante em que ocorre o toque na bola, reduzindo dúvidas em jogadas decididas por poucos centímetros.
Segundo a FIFA, a bola conectada trabalha integrada ao sistema de arbitragem por vídeo durante toda a partida.
Impedimento reconstruído em 3D

A FIFA também ampliou o sistema de impedimento semiautomatizado.
Cada um dos 48 times classificados para a Copa teve seus jogadores escaneados em três dimensões antes do torneio. Esses modelos digitais permitem reconstruir as jogadas de forma muito mais precisa quando existe dúvida sobre a posição de um atleta.
O sistema identifica automaticamente impedimentos posicionais claros e envia o alerta aos árbitros em campo.
Quando existe interpretação sobre participação na jogada, como interferência na visão do goleiro ou disputa pela bola, a decisão continua sendo do árbitro com apoio do VAR.
Estádios contam com 16 câmeras dedicadas ao rastreamento dos jogadores

Brasil e Japão se enfrentam no Houston Stadium, nome adotado pela FIFA durante a Copa do Mundo de 2026 para o estádio conhecido comercialmente como NRG Stadium. A arena tem capacidade para 72.220 espectadores, teto retrátil e será uma das sedes das fases eliminatórias do torneio.
É justamente nesse estádio que estarão instaladas 16 câmeras ópticas responsáveis por acompanhar a movimentação dos jogadores durante toda a partida. Segundo a FIFA, esse conjunto produz mais de 150 milhões de pontos de dados por jogo, criando uma reconstrução tridimensional de cada lance. Essas informações são utilizadas pelo sistema de impedimento semiautomatizado e ajudam o VAR a analisar situações como bloqueio da visão do goleiro, desvios na bola e a posição exata dos atletas no momento do passe.
Na prática, qualquer lance polêmico de Brasil x Japão passará por essa estrutura instalada no Houston Stadium antes de chegar à equipe do VAR. Os dados capturados pelas câmeras são combinados com as informações enviadas pelo chip da bola oficial, permitindo que a arbitragem tenha uma reconstrução muito mais precisa da jogada antes de confirmar ou corrigir uma decisão de campo.
Esse fechamento cria uma ligação direta entre o recurso tecnológico e o jogo do Brasil, evitando que o trecho pareça apenas uma descrição genérica das tecnologias da Copa
Árbitro também usa câmera durante a partida
Outra novidade da Copa do Mundo de 2026 é a Referee View, uma pequena câmera instalada no headset do árbitro, na altura da têmpora. O equipamento estreou em testes no Mundial de Clubes de 2025 e passou por melhorias antes da Copa após a FIFA considerar que os resultados superaram as expectativas.
O principal avanço está na qualidade das imagens. Como o árbitro percorre vários quilômetros durante uma partida, a câmera produz naturalmente muitos tremores. Para reduzir esse efeito, a FIFA e a Lenovo desenvolveram um sistema de estabilização baseado em inteligência artificial que diminui em até 50% a distorção causada pelo movimento, deixando a imagem mais estável para a transmissão.
A câmera transmite exatamente o campo de visão do árbitro. O público consegue acompanhar disputas pela bola, faltas, cobranças de escanteio e lances próximos à área pela mesma perspectiva de quem toma a decisão dentro de campo. A ideia é aproximar o torcedor da partida e mostrar a velocidade com que o árbitro precisa interpretar cada jogada.
O equipamento também passou a integrar a estrutura de arbitragem da Copa. Segundo a FIFA, quando a imagem capturada pela câmera puder ajudar a esclarecer um lance específico, ela poderá ser utilizada como um recurso complementar nas análises da equipe do VAR e também no treinamento e na avaliação dos árbitros após as partidas. A decisão final, porém, continua sendo do árbitro de campo.
O VAR recebe mais dados, mas a decisão continua sendo humana

A Copa do Mundo de 2026 ampliou a quantidade de informações disponíveis para a equipe do VAR, mas o protocolo de revisão permanece o mesmo.
Segundo a International Football Association Board (IFAB), o árbitro de vídeo só pode intervir quando existe um erro claro e óbvio ou um incidente grave não identificado em quatro situações específicas:
- Confirmação ou anulação de gols;
- Marcação ou não de pênaltis;
- Cartões vermelhos diretos;
- Erro de identidade, quando um jogador é advertido ou expulso no lugar de outro.
A diferença é que, antes de recomendar uma revisão, o VAR agora pode consultar um volume muito maior de informações. O sistema recebe os dados enviados pelo chip da bola, utiliza as reconstruções em três dimensões produzidas pelas 16 câmeras de rastreamento instaladas no estádio e analisa as imagens captadas pelas câmeras convencionais da transmissão.
Em lances de impedimento, por exemplo, o VAR consegue identificar com precisão o instante exato do toque na bola, reconstruir a posição dos jogadores em 3D e verificar se houve participação efetiva na jogada. Em disputas dentro da área, a equipe pode recorrer a diferentes ângulos das câmeras para confirmar um contato ou verificar se a bola permaneceu dentro das quatro linhas antes do cruzamento.
Mesmo com esse conjunto de recursos, a tecnologia não substitui o árbitro. O protocolo da IFAB determina que a decisão final continua sendo de quem está em campo. O VAR analisa o lance, recomenda uma revisão quando identifica um possível erro e, nos casos em que a interpretação é necessária, o árbitro decide após assistir às imagens no monitor à beira do gramado.
Brasil x Japão pode ter decisões definidas por centímetros
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Em partidas eliminatórias, qualquer detalhe pode mudar o resultado.
Um impedimento por poucos centímetros, um toque na bola antes do cruzamento ou uma disputa dentro da área podem definir a classificação.
Na Copa do Mundo de 2026, essas decisões passam por uma estrutura formada pela bola com chip, pelas câmeras de rastreamento, pelo impedimento em três dimensões e pelo VAR.



