EPYC Venice: AMD inicia produção em 2nm com até 256 núcleos e 70% mais desempenho

O EPYC Venice acabou de sair do papel: a AMD confirmou que seu processador de servidor de 6ª geração entrou em produção em larga escala no nó N2 da TSMC em Taiwan, o processo de classe 2nm que a fabricante taiwanesa começou a produzir em volume no final do ano passado. Com até 256 núcleos Zen 6 e uma promessa de ganho de 70% no desempenho computacional frente à atual linha EPYC Turin, o Venice não é apenas mais um salto geracional: é o primeiro produto de computação de alto desempenho do setor inteiro a ser fabricado nesse nó. Em 2026, isso tem peso considerável.

A ficha técnica do Venice foi apresentada em partes, ao longo do evento Advancing AI e da CES de janeiro, mas é o início da produção em massa que oficializa o caminho para as remessas comerciais ainda neste ano. O processador estreia o soquete SP7, com até 16 canais de memória e largura de banda de 1,6 TB/s por soquete. A largura de banda entre CPU e GPU dobrou em relação à geração anterior, o que, segundo a própria AMD, sugere suporte a PCIe 6.0.

O foco do Venice é desempenho single-thread e aplicações de uso geral em ambientes de alto desempenho, um segmento distinto do que a Intel planeja cobrir com o seu Clearwater Forest, único produto novo para servidores que o time azul deve lançar neste ano. O Clearwater Forest é baseado em arquitetura E-core, fabricado no processo Intel 18A, com até 288 núcleos e otimizado para implantações de alta densidade em larga escala, ou seja, os dois chips miram mercados diferentes, o que diminui a fricção direta, ao menos por enquanto.

A Intel esperando de 2027 em diante

O cenário competitivo no segmento de servidores de alto desempenho está, neste momento, praticamente desbloqueado para a AMD. O Diamond Rapids, o Xeon que seria o adversário natural do Venice em termos de arquitetura P-core, teria sido adiado para meados de 2027. Isso significa que a Intel vai depender da linha atual Xeon 6 Granite Rapids por pelo menos mais um ano enquanto a AMD coloca o Venice nas prateleiras dos data centers.

A AMD já vinha acumulando esse momentum: no primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou participação recorde de 46% na receita de CPUs para servidores, ante aproximadamente 40% registrados em novembro do ano passado. A aceleração não é linear, é uma compressão de market share que a Intel tem cada vez mais dificuldade de estancar sem um produto competitivo na mesma classe de desempenho.

A virada histórica: AMD já vale US$ 110 bilhões a mais que a Intel no mercado global

2nm: conquistar o nó mais disputado do planeta

Produzir um chip de servidor em N2 não é trivial. Chips para data centers são arquitetonicamente mais complexos e significativamente maiores do que os SoCs de smartphones, o que torna a qualificação de rendimento em um processo novo um desafio de outra ordem de grandeza. A Apple, historicamente, garante a maior parte da capacidade inicial de qualquer nó novo da TSMC para seu silício voltado ao consumidor — e com o N2 não foi diferente. O fato de a AMD ter conseguido posicionar o Venice como o primeiro produto de HPC nesse nó diz algo sobre a força da relação comercial entre as duas empresas, além de sinalizar que a TSMC está conseguindo escalar o N2 além da demanda da Apple: a produção já está em expansão em cinco fábricas de 2nm este ano para atender ao que a própria TSMC descreveu como demanda recorde.

A AMD também confirmou que planeja aumentar a produção do Venice na fábrica da TSMC no Arizona, referência provável à Fab 21 Fase 3, cuja construção começou em abril passado e está planejada para os processos N2 e A16. A ressalva aqui é importante: produção em larga escala de 2nm nessa unidade não é esperada antes de 2028, no mínimo. O anúncio tem, portanto, um componente político e de diversificação de cadeia de fornecimento tão relevante quanto o operacional.

Verano já está confirmado para o banco de reservas

Ao lado do Venice, a AMD confirmou o Verano, outro processador EPYC de 6ª geração fabricado em 2nm pela TSMC, posicionado com foco em custo-benefício. A estratégia de duplo produto dentro da mesma geração e do mesmo nó não é nova para a AMD, mas reforça a intenção de cobrir faixas distintas do mercado de servidores sem abrir mão do processo mais avançado disponível.

Para os data centers e operadores de infraestrutura que acompanham o Hardware.com.br, o Venice representa o ponto de inflexão mais claro da última meia década no mercado de CPUs para servidores. A AMD chega em 2nm antes da Intel, com mais núcleos Zen 6, mais largura de banda de memória e uma vantagem de janela de mercado de pelo menos um ano. O desafio agora não é técnico, mas de execução: escalar o rendimento do N2 em chips tão grandes quanto os dies de servidor, manter o ritmo de remessas e converter o momentum de 46% de participação em algo que torne a recuperação da Intel genuinamente difícil, não apenas atrasada.

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