Entenda o que é o indulto natalino e como funciona o benefício concedido por Lula

A assinatura do decreto de indulto natalino de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula Silva, publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (23), traz à tona dúvidas comuns sobre o funcionamento deste mecanismo jurídico. Previsto na Constituição Federal, o indulto é um ato de clemência do Poder Executivo, concedido privativamente pelo presidente da República.

Diferente da “saidinha” (saída temporária), que permite ao preso visitar a família e exige o retorno à unidade prisional, o indulto significa o perdão total da pena. Na prática, a medida extingue a punibilidade do condenado, permitindo que ele seja colocado em liberdade definitiva, caso não tenha outras condenações pendentes.

Como funciona na prática

Embora seja um decreto presidencial, a liberdade não ocorre de forma imediata ou automática após a publicação do texto. O decreto funciona como um “guia de regras”: ele estabelece quem tem direito ao benefício com base em requisitos objetivos (tempo de pena cumprido) e subjetivos (comportamento e ausência de faltas graves).

Para que o preso seja solto, a defesa (advogado ou defensor público) deve acionar a Justiça. Cabe ao juiz da Vara de Execuções Penais analisar cada caso individualmente para verificar se o detento se enquadra nas exigências estipuladas pelo presidente naquele ano.

O que define quem recebe o perdão

O indulto tem caráter coletivo e humanitário, visando evitar o encarceramento em massa e atender a grupos vulneráveis. No decreto de 2025, por exemplo, o governo priorizou detentos com doenças graves, deficiências físicas, idosos e mães responsáveis por crianças.

Contudo, o benefício possui limites legais severos. A legislação e o próprio decreto impedem que o indulto seja concedido a condenados por crimes considerados de maior gravidade. Tradicionalmente, e reforçado no texto deste ano, estão vetados do benefício autores de:

– Crimes hediondos;

– Tortura, terrorismo e tráfico de drogas;

– Violência contra a mulher;

– Atentados contra o Estado Democrático de Direito (o que exclui condenados pelos atos de 8 de Janeiro);

Comutação de pena

O decreto presidencial também prevê a figura da “comutação”. Diferente do indulto pleno, que perdoa toda a dívida com a Justiça, a comutação funciona como um desconto. Ela reduz o tempo de prisão restante para aqueles que não preenchem todos os requisitos para a liberdade total, mas que se enquadram nas regras para um abatimento parcial da pena.

Leia mais

Variedades
Sabesp inicia obra para transferir água da Billings ao Sistema Alto Tietê
Economia
Como começar a investir do zero: um guia seguro com pouco dinheiro
Variedades
O Grande Debate: CPI do Master vai avançar no Congresso?
Política
Bolsonaro continua a ‘dar as cartas’ na direita mesmo preso, diz Bia Kicis
Variedades
Maioria dos americanos rejeita aquisição da Groenlândia, diz pesquisa
Política
Carlos fala sobre prisão de Bolsonaro, Anderson Torres e Silvinei: ‘Inocentes’

Mais lidas hoje