Entenda o novo aceno de Lula ao público evangélico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta terça-feira (23) um decreto que reconhece a cultura gospel como manifestação da cultura nacional e estabelece diretrizes para sua valorização nas políticas públicas. O gesto é interpretado como mais um aceno ao eleitorado evangélico, segmento no qual o governo enfrenta altos índices de desaprovação.

A assinatura ocorreu em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença de lideranças evangélicas, ministros e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em discurso, Lula afirmou que o decreto representa um ato de “acolhimento e respeito” à comunidade evangélica e destacou o peso simbólico da medida.

Segundo o presidente, a falta de reconhecimento formal dificultava a inclusão da cultura gospel no planejamento das políticas culturais e nos mecanismos de preservação. Com o decreto, manifestações ligadas à fé cristã passam a integrar oficialmente esse campo.

O texto define como parte da cultura gospel expressões como música, dança e teatro religioso, artes visuais inspiradas na fé cristã, literatura religiosa e outras manifestações baseadas na vida cristã. A norma também orienta o poder público a incentivar a criação artística, a formação de profissionais, a preservação de acervos e a circulação de obras e artistas gospel no Brasil e no exterior. “Política cultural deve ser capaz de abraçar a pluralidade de crenças”, destacou a ministra da Cultura, Margareth Menezes.

O movimento ocorre em um contexto de desgaste do governo entre evangélicos. Pesquisa Quaest divulgada neste mês mostrou que a desaprovação de Lula nesse grupo subiu de 58% para 64%, enquanto a aprovação caiu de 38% para 33%. Com a possibilidade de disputar um quarto mandato em 2026, aliados avaliam que reduzir essa resistência é fundamental.

O eleitorado evangélico já foi um obstáculo relevante para Lula em eleições anteriores. Em 2022, diante de críticas e desconfianças, o então candidato divulgou uma carta com compromissos ao segmento, prometendo respeito à liberdade religiosa e garantindo que igrejas não seriam fechadas. A iniciativa contou com a articulação de parlamentares evangélicos, como a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), que voltou a participar das discussões sobre o novo decreto.

Além dela, o texto foi debatido pelos ministros Sidônio Palmeira (Comunicação Social) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), e pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, que é evangélico e indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal. Durante o evento, Lula também reiterou que o Estado brasileiro é laico, mas não indiferente à fé da população. Citou ainda outros gestos feitos em governos anteriores, como a criação do Dia Nacional da Marcha para Jesus e a sanção da Lei da Liberdade Religiosa.

Leia mais

Esportes
Paquetá está voltando ao Flamengo, segundo jornalista
Sorocaba
CEU das Artes do Laranjeiras realizará Torneio Regional de Tênis de Mesa no dia 25 de janeiro
Variedades
Polícia desarticula 4 fazendas de mineração ilegal de criptomoedas em AL
Sorocaba
GCM apreende 172 porções de drogas durante patrulhamento no Jardim Nova Manchester
Variedades
Viúvo de Isabel Veloso publica carta dedicada ao filho do casal após morte da esposa
Esportes
Simeone pede desculpas a Vini Jr. por provocação na Supercopa

Mais lidas hoje