No concorrido mercado de notebooks, marcas asiáticas como a Chuwi ganharam bastante popularidade nos últimos anos ao oferecer uma relação de custo-benefício agressiva. Com máquinas de entrada visualmente atraentes e preços convidativos, a empresa conquistou o seu espaço. Contudo, essa reputação acaba de sofrer um abalo sísmico após uma investigação técnica revelar uma prática, no mínimo, desonesta.
O portal Notebookcheck descobriu que a fabricante esta falsificando ativamente o nome dos processadores implementados no seu modelo CoreBook X, enganando os consumidores que acreditavam estar a comprar tecnologia de ponta.
A camuflagem no Firmware (Enganando o Windows)

O esquema descoberto pela equipe de análise foi sofisticado. Ao ligar o CoreBook X, o sistema operativo Windows e as tradicionais ferramentas de diagnóstico de hardware (como o famoso CPU-Z e o HWiNFO64) indicavam perfeitamente que o coração da máquina era o moderno processador AMD Ryzen 5 7430U, exatamente como a Chuwi anunciava nas suas campanhas de marketing.
A fraude só foi revelada porque os revisores notaram discrepâncias no desempenho esperado e na velocidade de clock e decidiram abrir a carcaça do notebook. Ao inspecionar fisicamente a placa-mãe, encontraram um chip com o código de identificação de produto (OPN) 100-000000375. Essa nomenclatura pertence, na verdade, ao Ryzen 5 5500U.
Em suma: a Chuwi modificou propositadamente o firmware da placa-mãe para “mascarar” o processador antigo, fazendo-o apresentar-se aos softwares de diagnóstico como um modelo mais recente.
A diferença entre os chips
Embora ambos os processadores partilhem o processo de fabricação de 7 nm e possuam 6 núcleos e 12 threads, o Ryzen 5 5500U é um chip consideravelmente mais antigo.
A principal diferença arquitetônica que levantou suspeitas foi o cache L3: o modelo prometido (7430U) possui 16 MB, enquanto o chip real escondido no notebook (5500U) possui apenas 8 MB. Além disso, as velocidades máximas de operação também são inferiores.
Na prática, a diferença de desempenho ronda os 10%. Para um utilizador leigo a navegar na internet, a discrepância pode passar despercebida. No entanto, o verdadeiro crime aqui não é a lentidão, mas sim o engano financeiro. O consumidor pagou o preço de um componente moderno, mas levou silício de dois anos atrás “maquiado”.
A desculpa esfarrapada e a alternativa
Questionada sobre a fraude, a Chuwi adotou a postura evasiva de não admitir nem negar as acusações. A empresa limitou-se a afirmar que abriu uma “investigação interna” e tentou culpar lotes de produção e sobras de stock que estariam “fora do seu controlo”. A desculpa não convence, visto que um processador não altera o seu próprio firmware magicamente por estar sobrando num armazém; isso requer intervenção de engenharia humana.



