‘Emergência Radioativa’: Netflix revive tragédia do Césio-137, em 1987

A Netflix acaba de anunciar Emergência Radioativa, uma nova minissérie nacional que mergulha fundo numa das maiores tragédias sanitárias do Brasil, o acidente com o Césio-137 em Goiânia, ocorrido em 1987, e considerado o mais grave incidente radiológico do mundo fora de usinas nucleares.

Com estreia marcada para 18 de março de 2026, a produção promete tensionar, emocionar e educar ao revisitar esse evento que mexeu não só com uma cidade, mas com a memória de todo o país.

História real que virou drama humano

A trama começa com a descoberta de um equipamento de radioterapia abandonado num ferro-velho. Sem saber do perigo, catadores quebram a peça e liberam no ambiente urbano o Césio-137, um material radioativo que emite um pó azul-brilhante que atrai curiosos, mas causa contaminação em larga escala.

A série acompanha a corrida contra o tempo para mapear as áreas contaminadas, conter a propagação do material e salvar vidas. O foco dramático está na luta de médicos, cientistas e equipes de resposta que, diante da ignorância e do medo da população, tentam controlar uma crise sem roteiro.

Além disso, há um olhar sensível sobre uma família diretamente atingida pelo desastre, colocando o espectador no centro da dor, do medo e da busca por respostas em uma época em que a informação era escassa e a desinformação dominava.

Elenco forte, direção nacional e sensação de época

A produção é assinada pela Gullane, com direção geral de Fernando Coimbra (de O Lobo Atrás da Porta) e episódios dirigidos também por Iberê Carvalho.

No papel principal está Johnny Massaro, interpretando Márcio, um dos protagonistas na história que cruza ciência e emoção. O elenco ainda traz nomes conhecidos da dramaturgia brasileira como Paulo Gorgulho, Tuca Andrada, Bukassa Kabengele, Ana Costa, Alan Rocha, entre outros, com participações especiais de Leandra Leal e Emílio de Mello.

Nos bastidores, o clima de produção já foi descrito como intenso, com os atores e equipe destacando o desafio de traduzir um acontecimento real, doloroso e cheio de nuances para a tela com respeito e impacto.

Polêmica e memória cultural

Apesar da empolgação em torno da estreia, a série também enfrentou críticas de alguns segmentos culturais em Goiânia, que reclamaram por parte das filmagens terem sido feitas em São Paulo, em vez da própria cidade palco da tragédia. Eles argumentam que gravar na capital goiana reforçaria o vínculo histórico e traria reconhecimento local.

Por que assistir?

Mais do que apenas um drama histórico, Emergência Radioativa se apresenta como um painel humano e sob pressão, onde ciência, medo, esperança e determinação se chocam em episódios que prometem prender o espectador do início ao fim.

Se a proposta for bem executada, a minissérie pode se tornar um dos grandes destaques da Netflix nacional em 2026, um convite para revisitar o passado e refletir sobre como o Brasil lida com crises, informação e a memória coletiva.
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“A Rainha do Xadrez”

A Netflix acaba de liberar A Rainha do Xadrez (original: Queen of Chess), um documentário biográfico que mergulha na vida revolucionária de Judit Polgár, considerada por muitos a maior enxadrista feminina de todos os tempos. Dirigido pela premiada cineasta Rory Kennedy, o filme já está disponível na plataforma de streaming desde 6 de fevereiro de 2026, trazendo para mais de 300 milhões de assinantes uma história de talento, obstinação e quebra de paradigmas.

Do tabuleiro de Budapeste ao palco mundial

Nascida em 23 de julho de 1976, em Budapeste, Hungria, Judit começou no xadrez não por acaso, mas por planejamento: seu pai, o educador psicológico László Polgár, acreditava que qualquer criança poderia alcançar excelência com treinamento intenso desde cedo. Judit e suas duas irmãs, Susan e Sofia, foram educadas em casa com o xadrez como foco central, e Judit rapidamente se destacou como prodígio absoluto.

O documentário retrata essa jornada desde a infância até sua ascensão meteórica nos circuitos internacionais, passando por momentos icônicos como quando, aos 15 anos, ela se tornou a mais jovem grande mestre da história, superando o recorde de Bobby Fischer, e atravessou barreiras de gênero ao competir exclusivamente em torneios abertos, dominados por homens.

Rivalidade com Kasparov e legado eterno

Uma das linhas narrativas centrais da produção é a longa rivalidade com o lendário campeão mundial Garry Kasparov, que chegou a ser conflituosa nos anos 90. Clipes de confrontos históricos e comentários de especialistas conduzem o público por momentos de tensão, estratégia e respeito mútuo, culminando no momento em que Judit vence Kasparov em um confronto especial em 2002, um dos marcos mais lembrados de sua carreira.

Além disso, o documentário não economiza em materiais de arquivo histórico, entrevistas íntimas e perspectivas pessoais, mostrando não só as vitórias no tabuleiro, mas também os sacrifícios, a disciplina quase implacável e o impacto de sua trajetória no jogo e fora dele.

História que vai além do xadrez

Embora A Rainha do Xadrez seja, à primeira vista, a celebração de uma carreira esportiva extraordinária, ele também conversa com questões mais amplas: a luta contra preconceitos de gênero, a pressão familiar e a busca por identidade própria diante de expectativas gigantescas. O filme concreto nos lembra que a vida de um atleta, ainda mais uma que desafia normas sociais profundas, é muito mais complexa e humana do que as estatísticas podem contar.

Por que assistir?

Se você se encantou com o drama fictício de O Gambito da Rainha, este documentário chega para provar que a realidade pode ser ainda mais surpreendente. A trajetória de Judit Polgár combina genialidade, coragem e uma dose saudável de rebeldia, ingredientes perfeitos para quem ama histórias de superação e personagens inesquecíveis.

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