Dólar fecha a R$ 5,18 e atinge menor patamar desde maio de 2024; Ibovespa renova recorde

O dólar abriu a semana em queda no mercado doméstico e fechou a R$ 5,18, acompanhando a onda de desvalorização da moeda americana no exterior. Operadores afirmam que o movimento de diversificação global de portfólios, com diminuição do apetite por ativos denominados em dólar, ganhou impulso extra nesta segunda-feira (9) com a informação de que a China teria recomendado a bancos do país que reduzam sua exposição aos títulos do tesouro americano.

Embora o real não tenha liderado os ganhos de divisas emergentes em relação ao dólar, fatores domésticos podem ter contribuído para o recuo da taxa de câmbio. Operadores citam a provável entrada de fluxo estrangeiro para a bolsa doméstica, com novo recorde de fechamento do Ibovespa, e a perspectiva de um processo conservador de redução da taxa Selic, na esteira de tom cauteloso do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento pela manhã.

Com mínima a R$ 5,1752, no início da tarde, em sintonia com o ambiente externo, o dólar à vista encerrou o pregão em baixa de 0,62%, R$ 5,1882 – menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024 (R$ 5,1540). A moeda recua 1,13% em fevereiro, após perdas de 4,40% em janeiro – a maior desvalorização mensal desde junho de 2025, quando caiu 4,99%. No ano, o dólar cede 5,48% em relação ao real.

O economista-chefe da corretora Monte Bravo, Luciano Costa, afirma que o comportamento da taxa de câmbio foi, mais uma vez, ditado pela dinâmica global do mercado de moedas. O real e as demais divisas emergentes são beneficiadas pelo movimento de diversificação de carteiras, com redução das posições em ativos americanos, observa.

“O gatilho para o movimento de queda global do dólar veio da China, com a notícia de recomendação para os bancos diminuírem exposição às Treasuries. O yuan se valorizou e o ouro voltou a subir”, afirma Costa, ressaltando que a perspectiva de valorização do iene, com a vitória do partido da primeira-ministra Sanae Takaichi nas eleições legislativas, não se confirmou.

O índice DXY – que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de seis moedas fortes, em especial o euro e o iene – apresentou queda firme e recuava cerca de 0,80% no fim da tarde, ao redor dos 96,800 pontos, após mínima aos 96,793 pontos. Franco suíço e coroa sueca subiram mais de 1%. Os preços do petróleo avançaram mais de 1%. No ano, o índice DXY cai cerca de 1,49%.

Na semana passada, o Dollar Index subiu ao redor de 0,50% na esteira da diminuição dos temores de perda de independência do Federal Reserve, com a indicação por Donald Trump do ex-diretor Kevin Warsh, de histórico conservador, para a presidência do banco central americano. Investidores aguardam o payroll de janeiro, que sai nesta quarta-feira, 11, para calibrar as apostas sobre os próximos passos do Fed, em meio a perspectiva crescente de corte de 25 pontos-base nos juros em março.

Costa, da Monte Bravo, ressalta que o real mostra uma valorização acima do que a queda do Dollar Index sugeria, provavelmente refletindo uma correção após o repique do câmbio em dezembro e a entrada de recursos para ativos domésticos, em especial a bolsa. Ele pondera que parte dos ingressos de estrangeiros na B3 em janeiro pode ser fruto da migração de dinheiro que o investidores não residentes teria “estacionado” no fim de 2025 na renda fixa brasileira, que recebeu aporte líquido de mais de US$ 5 bilhões em dezembro.

“Eu já achava R$ 5,20 um nível baixo para o dólar e é difícil pensar em uma valorização muito mais forte do real daqui para a frente, porque acredito que o movimento mais forte de fluxo já ficou para trás. O Ibovespa já não está barato em termos de múltiplos”, afirma o economista.

Do lado do fluxo, mas sem impacto direto na formação da taxa de câmbio no curto prazo, o Tesouro Nacional confirmou nova captação externa com o lançamento de bonds de 10 anos, com vencimento em 2036, e a reabertura do papel para 2056. A operação tende a balizar as captações do setor privado no mercado internacional. Em novembro, o Tesouro captou US$ 2,25 bilhões em títulos sustentáveis, com demanda de cerca de US$ 6,7 bilhões.

Com Agência Estado

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