Do sócio que desistiu ao “truque” da apresentação do primeiro iPhone: Confira curiosidades marcantes nos 50 anos da Apple

Hoje, 1º de abril de 2026, a Apple completa exatamente 50 anos , e a data não é coincidência: Steve Jobs escolheu deliberadamente o Dia da Mentira para assinar os documentos de fundação da empresa, em 1976, junto com Steve Wozniak e um terceiro sócio quase sempre esquecido, o engenheiro Ronald Wayne. Cinco décadas depois, a Apple encerrou março de 2026 com valor de mercado de US$ 3,71 trilhões, ocupando a segunda posição entre as empresas mais valiosas do planeta. O número é a materialização de uma trajetória que passou por uma demissão pública do próprio fundador, uma falência quase consumada nos anos 1990, e uma sequência vitoriosa de produtos que mudaram a história da tecnoloiga.  

 

Para marcar o aniversário, separei algumas curiosidades realmente interessantes da trajetória da Appler, cada curiosidade está ancorada em reportagens que já publicamos, caso você queira ir além do resumo e mergulhar de vez no assunto. Vamos nessa!

 A Apple chegou ao Brasil nos anos 90

A Apple pisou oficialmente em solo brasileiro em maio de 1995, quando abriu a Apple do Brasil Ltda. numa mansão nos arredores do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, mas os Macs já circulavam por aqui antes disso, via Compusource, empresa indicada pela própria Apple nos EUA para representar a marca. Chegar naquele ano foi um feito: de 1984 a 1992, a Política Nacional de Informática proibiu a importação de computadores estrangeiros, criando um mercado de clones nacionais e deixando o Brasil com atraso tecnológico considerável e preços nas alturas — um Performa 6200 custava R$ 2.999 quando a empresa desembarcou.

A crise de 1997, que quase levou a matriz à falência com prejuízo de US$ 1,6 bilhão em 18 meses, respingou direto na subsidiária: metade da diretoria foi demitida e a produção nacional dos Macs foi encerrada. A loja física só veio 19 anos depois: em 15 de fevereiro de 2014, o Village Mall, na Barra da Tijuca, recebeu a primeira Apple Store do Brasil e da América do Sul inteira.

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1984: O comercial mais famoso da história da Apple foi ao ar uma única vez no horário nobre, e nunca mais

Em 22 de janeiro de 1984, durante o intervalo do Super Bowl XVIII, a Apple exibiu 60 segundos de vídeo que custaram US$ 900 mil para produzir, praticamente todo o orçamento de marketing da empresa naquele momento. Dirigido por Ridley Scott, que acabara de lançar Blade Runner, e filmado em Londres com a atleta britânica Anya Major no papel principal, o comercial recriava a distopia do livro 1984, de George Orwell, com a IBM no lugar do Grande Irmão e o Macintosh como o elemento de ruptura. O resultado foi imediato: a cobertura espontânea da imprensa gerou o equivalente a US$ 5 milhões em mídia gratuita, e em 100 dias a Apple vendeu US$ 150 milhões em computadores.

O que poucos sabem é que o comercial quase não chegou ao ar. John Sculley, CEO da época, e outros membros do conselho rejeitaram a peça antes da decisão final, foi Bill Campbell, então diretor de marketing, que bateu o martelo a favor da exibição, conforme descrito no livro Como Steve Jobs virou Steve Jobs (Editora Intrínseca, 2015). Ironicamente, o Macintosh que o comercial apresentou ao mundo fracassou nas prateleiras: as vendas despencaram no segundo semestre de 1984, em parte porque Jobs insistiu em limitar a memória a 128K para manter o preço em US$ 1.995. O comercial teve mais impacto que o produto, e contribuiu diretamente para o desgaste interno que resultou na saída de Jobs da empresa no ano seguinte.

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O “i” dos produtos Apple representa cinco conceitos, e foi Steve Jobs quem explicou isso em 1998

Em maio de 1998, ao apresentar o iMac G3, Steve Jobs explicou publicamente pela primeira vez o que a letra significava: internet, individual, instruir, informar e inspirar. Não era só uma referência à conexão com a rede, era uma declaração de que a Apple queria fazer produtos pessoais, acessíveis e capazes de despertar criatividade em quem nunca tinha tocado num computador. O nome em si veio de Ken Segall, diretor de criação da TBWAChiatDay, que propôs unir “internet” e “Macintosh” numa só sílaba. Jobs rejeitou de cara, achou genérico, e mudou de ideia ao perceber o potencial da letra como elemento de identidade.

O iMac G3 vendeu 800 mil unidades nos primeiros cinco meses e ultrapassou 6 milhões ao longo de sua vida útil, sendo o produto que tirou a Apple da beira do colapso financeiro de 1997. O sucesso transformou o “i” em prefixo padrão da marca: iBook, iPod, iTunes, iPhone, iPad, todos herdaram a mesma lógica. Com o tempo, porém, a Apple abandonou o padrão: AirPods, Apple Watch e Apple Vision Pro já dispensam o prefixo porque a marca em si se tornou suficientemente reconhecível. 

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A Apple já fabricou seus próprios computadores, e chegou a produzir um Mac a cada 27 segundos na Califórnia

Em 1984, a Apple inaugurou uma fábrica de 14.864 m² em Fremont, Califórnia, com US$ 20 milhões investidos e uma meta ambiciosa: um Macintosh a cada 27 segundos. Steve Jobs queria replicar a precisão que vira nas plantas da Sony no Japão, exigiu que as máquinas fossem pintadas nas cores do logo da Apple e fazia inspeções de luvas brancas procurando poeira nos racks, ele queria uma fábrica onde se pudesse “comer do chão”. A automação era real, veículos guiados automaticamente transportavam bandejas de 22 kg por 110 calhas, scanners liam códigos de barras em tempo real e qualquer defeito detectado parava a linha imediatamente.

O problema é que a obsessão com controle criou gargalos que a própria automação não resolvia. As carcaças dos Macs chegavam da Ásia parcialmente montadas, declaradas como “monitores” para reduzir tarifas, e em Fremont os trabalhadores desmontavam tudo, inseriam a placa-mãe e martelavam as duas metades com martelo de borracha, porque as paredes finas da frente e as grossas de trás encolhiam em taxas diferentes durante a fabricação. A fábrica durou apenas até setembro de 1992, e em 1996 foi vendida por US$ 200 milhões para gerar caixa durante a maior crise financeira da empresa. Foi o fim de duas décadas de manufatura própria: a Apple não possui uma única fábrica desde então.

A virada veio com Tim Cook, contratado por Jobs em 1998 para reformular as operações. Em 1999, nenhum produto Apple era fabricado na China continental, já em 2009 praticamente todos eram.

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O terceiro fundador da Apple saiu 12 dias após assinar o contrato

O contrato de fundação da Apple, assinado em 1º de abril de 1976, tem três nomes: Stephen G. Wozniak, Steven P. Jobs e Ronald G. Wayne. Wayne tinha 41 anos na época, experiência em engenharia eletrônica e foi ele quem redigiu o próprio contrato de fundação, criou o primeiro logo da empresa, Isaac Newton sentado sob uma macieira,  e desenhou o esquemático original do Apple I. Doze dias depois, saiu. A versão que se popularizou diz que vendeu sua participação de 10% por US$ 800, mas Wayne corrigiu essa narrativa em evento recente no Computer History Museum: o que ele fez foi uma retirada de sociedade, não uma venda de participação.

A distinção importa, em abril de 1976, a Apple ainda era uma sociedade simples, onde cada sócio respondia pessoalmente pelas dívidas da empresa. O primeiro pedido relevante havia chegado, 50 unidades do Apple I para a loja Byte Shop, exigindo cerca de US$ 15.000 em componentes, e Wayne avaliou o risco como alto demais. Sobre os US$ 800, disse no evento: “Achei que era uma gorjeta, e barata.” Em 1977, quando a Apple foi formalmente incorporada, recebeu outros US$ 1.500 como encerramento da relação, totalizando US$ 2.300 — equivalente a US$ 13.429 corrigidos pela inflação.

Wayne tem hoje 91 anos e, segundo informações do mesmo evento, está colaborando com o engenheiro Charles Stigger num projeto de nova arquitetura computacional com foco em desempenho e baixo consumo de energia.

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Um investimento de US$ 150 milhões da Microsoft foi determinante para salvar a Apple da falência

Em agosto de 1997, Steve Jobs subiu ao palco da MacWorld pela primeira vez desde seu retorno e ficou visivelmente menor quando a imagem de Bill Gates surgiu num telão via satélite. O momento era o anúncio de um acordo que Steve Ballmer, ex-CEO da Microsoft, descreveria depois como “a coisa mais louca que a Microsoft já fez”: US$ 150 milhões investidos numa Apple que acumulava prejuízo de US$ 1,6 bilhão nos 18 meses anteriores e tinha fatia de mercado de 3%.

Jobs ligou para Gates pessoalmente e foi direto: “Preciso de ajuda. A Apple não sobreviverá tanto tempo se continuarmos em guerra.” A guerra em questão era uma disputa de patentes que a Apple movia contra a Microsoft, Jobs estimava que, se levada adiante, poderia render US$ 1 bilhão à Apple, mas a empresa não teria caixa para aguentar o processo. O acordo encerrou o litígio, garantiu que a Microsoft continuaria desenvolvendo o Office para Mac e tornou o Internet Explorer o navegador padrão da Apple até 2003, quando a empresa lançou o Safari. Para a Microsoft, o benefício era estratégico: a empresa enfrentava um processo antitruste do governo americano e aparecer como salvadora da principal rival melhorava sua imagem publicamente. As vaias da plateia na MacWorld disseram tudo sobre o peso simbólico daquele momento.

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A famosa garagem

A Apple é constantemente descrita como uma empresa que nasceu numa garagem, mas, sendo rigoroso, isso não é exato. Steve Wozniak, em sua autobiografia iWoz, deixou claro: ele trabalhava no quarto de seu apartamento, Steve Jobs no quarto na casa dos pais, e só a última parte da montagem dos computadores era feita na garagem de Steve, em 2066 Crist Drive, Los Altos, Califórnia. A garagem existia, foi usada para montar o primeiro lote de Apple‑I e hoje ainda está no mesmo local, na casa da família Jobs.

Essa garagem já era importante antes de existir a Apple. Paul Jobs reformava carros ali e explicava ao filho detalhes de design e acabamento enquanto Steve assistia,  foi nesse ambiente que o futuro fundador da Apple foi exposto à eletrônica pela primeira vez, bem antes de conhecer Wozniak. A garagem de outro amigo, Bill Fernandez, é que reuniu os dois Steves: em 1969, eles se encontraram ali, falaram de trotes, projetos elétricos e logo perceberam que pensavam do mesmo jeito. A produção do primeiro grande pedido da Apple, 50 unidades de Apple‑I para a Byte Shop, começou no apartamento de Wozniak, migrou para o quarto vazio da irmã de Jobs (Patty, que também ajudava na colocação de componentes) e só depois foi levada para a garagem quando o espaço doméstico ficou insuficiente.

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O motivo do logo ser uma maça mordida

O primeiro logo da Apple era uma ilustração vitoriana de Isaac Newton sob uma macieira; quando Steve Jobs achou o desenho antiquado demais, contratou o designer Rob Janoff, que apresentou duas versões de maçã, uma com e outra sem mordida. Jobs escolheu a mordida porque, sem esse detalhe, a silhueta podia ser confundida com cereja ou tomate. A mordida virou referência de escala, de familiaridade e de acesso fácil à marca, não de simbolismo elaborado.

Nos anos seguintes, o logo colorido foi usado para destacar a capacidade gráfica do Apple II, mas a marca de uma maçã já era disputada pela Apple Corps, gravadora dos Beatles. Após décadas de processos, a Apple Inc. assumiu o direito de usar a maçã em todas as áreas, inclusive música, e o desenho permaneceu intacto até hoje. Em 2025, o ranking Kantar BrandZ avaliou a marca Apple em US$ 1,29 trilhão, mostrando que a maçã mordida é um ativo de valor bilionário.

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O iPhone que Steve Jobs apresentou em 2007 estava tão incompleto que a apresentação foi um “truque” milimetricamente calculado

No dia 9 de janeiro de 2007, no Moscone Center, em São Francisco, Steve Jobs subiu ao palco da MacWorld e mostrou ao mundo o primeiro iPhone, um produto elegante e pronto para o mercado. Na prática, quase nada disso era verdade. O iPhone não estava nem perto de estar pronto; o que o público viu foi uma sequência de demos bem ensaiadas, com Jobs usando vários aparelhos diferentes, cada um preparado para uma função específica, e trocados em bastidores para evitar que o sistema travasse ou desligasse.

Engenheiros envolvidos no projeto, como Andy Grignon, contaram depois que partes do software ainda travavam com frequência, a memória não aguentava várias aplicações rodando ao mesmo tempo e tarefas simples podiam simplesmente derrubar o aparelho inteiro. Para evitar falhas de conexão, a AT&T instalou uma antena portátil exclusiva para o iPhone do palco, evitando o congestionamento de rede de grandes eventos. O acordo com a operadora dava liberdade à Apple para definir hardware, software e preço, mas também colocava a Apple sob pressão: se o projeto não avançasse, a AT&T podia desistir a qualquer momento.

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A Apple também teve produtos que fracassaram

A Apple é lembrada pelos acertos, mas a história inclui aparelhos que simplesmente não pegaram. O caso mais grave foi o Apple III, computador profissional lançado em 1980, que poderia ter aberto o mercado corporativo para a Maçã, mas virou prejuízo. A empresa apostou em um gabinete de alumínio sem ventoinha por questão de elegância, o que levou à superaquecimento: a placa entortava e os chips saíam dos soquetes, exigindo que os próprios engenheiros aconselhassem os clientes a levantar e soltar o aparelho na mesa para encaixá-los de volta.

A Apple recolheu cerca de 14 mil unidades, lançou uma versão revisada, o Apple III Plus, e ainda assim não conseguiu escapar. O projeto foi descontinuado em 1984, com perdas estimadas em mais de US$ 60 milhões, antes de virar parte de um rol maior de fracassos, como Newton, QuickTake, Pippin e iPod Hi‑Fi.

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O Mac já chegou a rodar games do PlayStation via emulador que irritou a Sony

Em 5 de janeiro de 1999, durante a MacWorld, Steve Jobs subiu ao palco, segurou um Mac e declarou que, por US$ 49, daria para transformar o computador em um PlayStation. O que ele estava mostrando era o Virtual Game Station, emulador criado pela Connectix que traduzia a BIOS do PlayStation para o Mac, permitindo rodar títulos como Crash BandicootTekken 3Tomb Raider e GTA. O funcionamento era simples: bastava inserir o CD do jogo e o software AutoLauncher iniciava o emulador sozinho, sem precisar de cliques.

A euforia não durou. A Sony considerou o uso da BIOS do console uma violação de direitos, moveu processo contra a Connectix, conseguiu uma liminar para suspender as vendas do Virtual Game Station e, no fim, comprou a tecnologia. O emulador foi encerrado, mas o caso mostra que, por poucos anos, Steve Jobs realmente prometeu, e quase entregou, um PlayStation rodando dentro de um Mac.

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