Uma das maiores discussões sobre o impacto da IA no mercado de trabalho recai com bastante peso sobre os designers. Com a velocidade em que hoje em dia é possível conseguir resultado satisfório com ferramentas como o GPT-Image 2 e o Nano Banana Pro, muito se comenta como o designer sobreviverá a essa corrida em alta velocidade da empresas, como a Open AI e Google, em seguir refinando suas ferramentas que reproduzem padrões numa velocidade assustadoramente rápida. Para o designer Ricardo Russo, que atua na área desde 2000, o tão alardeado fim da profissão pode ser na verdade, segundo suas palavras, a “profissionalização definitiva da área”.
Em uma reflexão postada em seu perfil no Linkedin, Russo diz que ainteligência artificial generativa está absorvendo a demanda de baixo valor agregado, segundo ele, “composta por clientes que buscam apenas o preço baixo e a execução imediata sem profundidade estratégica”
Ao delegar o básico para o algoritmo, o mercado acaba separando quem apenas opera ferramentas de quem realmente entrega pensamento criativo, branding e solução de problemas. O “filtro de clientes” é real: quem valoriza a técnica humana e a visão única de um especialista continua investindo em profissionais, enquanto a IA assume o papel de utilitário para quem não via valor no processo criativo manual, acrescenta.
Nos comentários do post, alguém resumiu com precisão o que está em jogo: design não é estética, é resultado. “A IA já ajuda na execução e até na otimização, mas não entende contexto, objetivo de negócio nem trade-offs”, afirmou.
“O papel do designer continua sendo definir o problema, interpretar os dados e tomar decisões que gerem impacto real”, acrescentou.
Em março, publicamos um post sobre uma outra profissional da área, naquela ocasião uma artista 3D que bateu nesse ponto de inteção correta, elemento fundamental quando a aplicação é profissional.
A IA pode melhorar alguns aspectos da imagem, mas também alterar outros, perder precisão em detalhes e mudar decisões que foram cuidadosamente construídas. Mas por que isso acontece? Porque a IA não entende arquitetura, materialidade ou intenção visual. Ela parte de algo que já existe. E é justamente aí que está o ponto: Artistas podem (e devem) estudar, evoluir e se adaptar às novas ferramentas. Utilizar IA nas pós-produções, de fato, faz diferença. Mas o que eu gostaria de refletir aqui é que: O conhecimento técnico, o olhar e o processo de construção da imagem ainda pertencem a quem as cria, afirmou a artista 3D Julie Barroca.
Artista 3D mostra que IA faz pós-produção em segundos, mas alerta sobre a perda da intenção original: “o conhecimento continua sendo humano”
Mas existe uma rachadura no argumento, e ela veio de outro comentário. Um profissional trouxe um exemplo em relação a produção de imagens para o segmento esportivo.
“Tenho um amigo nichado nessa área, com um trabalho excelente (e demorado porque manipulação sempre foi demorado) e se eu dissesse que o que a IA gera de manipulação esportiva tá abaixo do nível que ele faz manualmente, seria mentira. Fora que é um trabalho muito mais criativo e visual do que estrategico como seria uma campanha publicitária padrão, e NESSE CASO em que a estratégia é simples e de segundo plano, bom…me parece que a IA realmente já tá conseguindo dar conta “sozinha”. No fim design é uma área ampla pra caralho e certamente algumas especializações vão sofrer um impacto MUITO maior que outras (manipulação me parece a mais afetada delas)
Russo fecha seu post pontuando que “a ferramenta muda, o mercado se adapta e o profissional de verdade se torna ainda mais raro e necessário em um mar de conteúdos sintéticos e padronizados.” Vindo de alguém que aprendeu HTML e CSS em 2003, quando IA generativa ainda era pauta de ficção científica, a frase não é esperança. É observação de mercado, conclui.
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