Como o MEI deve declarar imposto de renda pessoa física em 2026 passo a passo: análise e metodologia

A figura do Microempreendedor Individual (MEI) carrega uma dualidade fiscal que frequentemente gera inconformidades junto à Receita Federal: a distinção entre a pessoa jurídica (CNPJ) e a pessoa física (CPF). Enquanto as obrigações da empresa são simplificadas pelo pagamento do DAS e pela entrega da DASN-SIMEI, a situação da pessoa física exige uma análise contábil mais detalhada. A declaração de ajuste anual do Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) não é automática para todos os MEIs, dependendo estritamente dos rendimentos repassados da empresa para o titular e do enquadramento nas regras de obrigatoriedade vigentes para o ano-calendário de 2025 (exercício 2026).

A distinção entre lucro fiscal e renda tributável

Para compreender como o MEI deve declarar imposto de renda pessoa física em 2026 passo a passo, é fundamental dominar o conceito de apuração de lucros. Diferente de funcionários CLT que recebem um informe de rendimentos pronto, o MEI deve construir o seu próprio informe baseado no fluxo de caixa da empresa.

A legislação permite que uma parcela do faturamento bruto do MEI seja distribuída ao titular como “Lucros e Dividendos”, que são isentos de imposto de renda. O restante, se repassado, é considerado “Rendimento Tributável”. O cálculo segue a lógica do Lucro Presumido, aplicando-se percentuais de isenção sobre a receita bruta anual, conforme o setor de atuação:

  • 8% para comércio, indústria e transporte de carga.
  • 16% para transporte de passageiros.
  • 32% para serviços em geral.

O valor que excede essa parcela isenta — subtraídas as despesas comprovadas da atividade — compõe a base de cálculo tributável. Se essa base ultrapassar o limite de isenção estabelecido pela Receita Federal para 2026, a declaração torna-se obrigatória.

Fatores determinantes para a obrigatoriedade

A obrigatoriedade do envio da DIRPF em 2026 recai sobre o MEI que cumprir, na pessoa física, qualquer um dos critérios estabelecidos pela Receita Federal. Historicamente, os principais gatilhos incluem:

  • Rendimentos tributáveis: Recebimento de rendimentos tributáveis (como o lucro tributável do MEI, salários ou aluguéis) acima do limite anual estipulado (sujeito à tabela progressiva atualizada).
  • Rendimentos isentos: Recebimento de rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte (como a parcela isenta do lucro do MEI ou rendimentos de poupança) acima do teto definido (geralmente superior a R$ 200.000,00, conforme atualizações recentes).
  • Patrimônio: Posse ou propriedade de bens ou direitos, incluindo terra nua, com valor total superior ao limite fixado (recentemente ajustado para faixas superiores a R$ 800.000,00, mas dependente da instrução normativa do ano).
  • Atividade rural e ganho de capital: Obtenção de receita bruta de atividade rural acima do limite ou realização de operações em bolsas de valores com apuração de ganhos líquidos sujeitos à incidência do imposto.

É crucial notar que o simples pagamento do DAS mensal não isenta o titular da declaração de PF se ele se enquadrar nessas regras.

Metodologia de cálculo e declaração

A execução correta de como o MEI deve declarar imposto de renda pessoa física em 2026 passo a passo exige organização documental e precisão aritmética. O processo deve seguir uma ordem lógica para evitar a malha fina.

1. Consolidação da receita e despesas

O primeiro passo é somar todo o faturamento bruto obtido no ano de 2025. Em seguida, devem-se somar todas as despesas operacionais comprovadas (água, luz, telefone, insumos, aluguel do ponto comercial) que tenham nota fiscal emitida contra o CNPJ.

2. Cálculo da isenção e tributação

A fórmula analítica para a segregação dos valores é:

Parcela Isenta: Receita Bruta Total × Percentual de Presunção (8%, 16% ou 32%).
Lucro Real: Receita Bruta Total – Despesas Comprovadas.
Rendimento Tributável: Lucro Real – Parcela Isenta.

Exemplo Prático (Serviços): Se um MEI faturou R$ 60.000,00 e teve R$ 10.000,00 de despesas.
Parcela Isenta: R$ 60.000 × 32% = R$ 19.200,00.
Lucro Real: R$ 60.000 – R$ 10.000 = R$ 50.000,00.
Rendimento Tributável: R$ 50.000 – R$ 19.200 = R$ 30.800,00.

Se o limite de isenção da tabela do IRPF for inferior a R$ 30.800,00, este MEI estaria obrigado a declarar e provavelmente pagaria imposto sobre a diferença. Alternativamente, se o MEI mantiver escrituração contábil (com contador assinando), pode-se distribuir todo o lucro como isento, eliminando a parcela tributável.

3. Preenchimento no programa IRPF 2026

No software da Receita Federal, os valores devem ser alocados em fichas distintas:

  • Ficha de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis: Selecionar o código referente a “Lucros e Dividendos recebidos pelo titular”. Inserir o valor da Parcela Isenta calculada.
  • Ficha de Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ: Informar o valor do Rendimento Tributável calculado. A fonte pagadora é o próprio CNPJ do MEI.
  • Ficha de Bens e Direitos: Declarar o capital social da empresa no grupo “Participações Societárias”.

Perguntas frequentes sobre o MEI no IRPF

O MEI que não teve faturamento precisa declarar IRPF?
A ausência de faturamento na empresa não define a obrigatoriedade da pessoa física. Se o titular possui outros bens ou rendimentos que ultrapassem os limites legais, deve declarar. Se não possui renda nem bens acima dos limites, está dispensado.

Qual a diferença entre a DASN-SIMEI e a DIRPF?
A DASN-SIMEI é a declaração da empresa (CNPJ), obrigatória para todos os MEIs, independentemente do faturamento. A DIRPF é a declaração da pessoa física (CPF), obrigatória apenas para quem atinge os critérios de renda ou patrimônio definidos pela Receita.

Posso deduzir despesas do MEI sem nota fiscal?
Não. Para fins de redução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, apenas despesas operacionais devidamente comprovadas com documento fiscal idôneo em nome da empresa podem ser subtraídas da receita bruta.

A restituição do imposto pago via DAS é possível no IRPF?
Não. O valor pago no DAS refere-se a tributos da empresa (INSS, ICMS/ISS). O IRPF incide sobre a renda da pessoa física. Não há cruzamento para restituição desses valores específicos, embora o INSS pago no DAS conte para a previdência do titular.

A correta segregação entre os rendimentos isentos e tributáveis é o pilar da conformidade fiscal para o microempreendedor. Ao seguir a metodologia de como o MEI deve declarar imposto de renda pessoa física em 2026 passo a passo, o contribuinte mitiga riscos de autuação e variações patrimoniais a descoberto. A análise financeira precisa, aliada à manutenção de uma escrituração contábil — mesmo que facultativa por lei —, oferece a maior segurança jurídica possível, permitindo a distribuição integral de lucros com isenção fiscal.

Disclaimer: As informações contidas neste artigo têm caráter informativo e baseiam-se na legislação vigente e projetada. Regras tributárias estão sujeitas a alterações. Recomenda-se a consulta a um contador ou profissional tributário qualificado para análise de casos específicos.

Leia mais

Variedades
Crime organizado, IA e propaganda marcam debate sobre regras de 2026 no TSE
Economia
Como escolher um plano de previdência privada para sua idade e perfil
Esportes
Bobsleigh: a Fórmula 1 do gelo e o impacto da tecnologia na velocidade
Política
Como funciona o voto em trânsito no sistema eleitoral brasileiro
Variedades
O Grande Debate: Fala de Moraes mostra divisão no STF por Código de Ética?
Esportes
Conheça os esportes disputados pelo Brasil nas Olimpíadas de Inverno de 2026

Mais lidas hoje