As pegadas estão entre os fósseis de dinossauros mais comuns. Às vezes, os cientistas encontram uma única pegada solitária. Outras vezes, eles se deparam com uma confusão caótica de pegadas que lembram uma pista de dança, uma espécie de discoteca de dinossauros. Mas identificar qual dinossauro deixou qual pegada tem sido notoriamente difícil.
Os pesquisadores desenvolveram agora um método que utiliza inteligência artificial para ajudar a identificar o tipo de dinossauro responsável pelas pegadas, com base em oito características diferentes de uma determinada pegada.
“Isso é importante porque fornece uma maneira objetiva de classificar e comparar pegadas, reduzindo a dependência da interpretação humana subjetiva”, disse o físico Gregor Hartmann, do centro de pesquisa Helmholtz-Zentrum Berlin, na Alemanha, principal autor da pesquisa publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.
“Combinar pegadas com seus criadores é um grande desafio, e os paleontólogos vêm discutindo sobre isso há gerações”, afirmou o paleontólogo da Universidade de Edimburgo e autor sênior do estudo, Steve Brusatte.
GALERIA – Veja dinossauros e descobertas arqueológicas
-
1 de 16Descobertas 2026 (1) – Nova pesquisa aponta que Tyrannosaurus rex (T.rex) leva cerca de 35 anos para atingir o tamanho máximo, com até oito toneladas • ROGER HARRIS/SPL – Getty Images
-
2 de 16Descobertas 2026 (2) – Através de restos no intestino de um filhote de lobo siberiano, de 14 mil anos, cientistas encontraram vestígios de uma “refeição” que permitiram sequenciar o genoma do rinoceronte-lanudo, da era glacial • Mietje Germonpré
-
3 de 16Descobertas 2026 (3) – Cerâmica Halafiana de uma escavação em Arpachiyah, Iraque. Imagens de plantas pintadas em cerâmica feitas há até 8.000 anos podem ser o exemplo mais antigo do pensamento matemático humano • Yosef Garfinkel
-
-
4 de 16Descobertas 2026 (4) – Cientistas analisam múmia de guepardo com cerca de 2 mil anos que foi encontrada em cavernas no norte da Arábia Saudita. A descoberta permitiu coletar o DNA do animal • Communications Earth and Environment/Ahamed Boug/Divulgação
-
5 de 16Descobertas 2026 (5) – Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Sociais encontraram fossas de 3.000 anos com restos mortais de grandes felinos, que sugerem a existência de um “zoológico” antigo na China • Chinese Academy of Social Sciences
-
6 de 16Descobertas 2026 (6) – O contorno de uma mão feita com pigmento vermelho na parede de uma caverna na Indonésia, há pelo menos 67.800 anos, pode ser a arte rupestre mais antiga do mundo, segundo um novo estudo Universidade Griffith. • Maxime Aubert/Griffith University
-
-
7 de 16Descobertas 2026 (7) – Estudo arqueológico em obras antigas mostra práticas incomuns de tratamento durante a Renascença: uma delas era esfregar fezes humanas na cabeça para tentar reverter a calvície • Instituto de Pesquisa e Biblioteca John Rylands/Universidade de Manchester
-
8 de 16Descobertas 2026 (8) – Piscinas monumentais, um santuário possivelmente dedicado ao culto de Hércules e dois túmulos da época republicana foram descobertos durante escavações arqueológicas preventivas em Roma. • Superintendência Especial do Ministério da Cultura de Roma
-
9 de 16Descobertas 2026 (9) – A zooarqueóloga do Museu Arqueológico Nacional da Academia Búlgara de Ciências, Stella Nikolova, encontrou dezenas de esqueletos de cães com marcas de cortes na Bulgária. A descoberta releva que pessoas comiam carne canina há 2,5 mil anos • Stella Nikolova / BNSF
-
-
10 de 16Descobertas 2026 (10) – Pesquisadores descobriram em uma pedreira no sul da China, uma coleção de fósseis com cerca de 512 milhões de anos. A descoberta contém 153 espécies, de 16 grupos diferentes, pelo menos 59% dos novos animais são de origem desconhecidas e, não eram catalogados por seres humanos até o momento • Han Zeng
-
11 de 16Descobertas 2026 (11) – Um grupo de paleontólogos da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) publicou um estudo sobre a descoberta de uma nova espécie réptil a partir de um fóssil de 240 milhões de anos. O fóssil de crânio de apenas 9,5 milímetros, encontrado no município de Novo Cabrais, interior do RS, revelou uma nova espécie de pararéptil. Os paleontólogos a nomearam de Sauropia macrorhinus • Ilustração de Caetano Soares/UFM
-
12 de 16Descobertas 2026 (12) – Uma nova espécie de anfíbio do Período Jurássico — que recebeu o nome científico Nabia civiscientrix — foi identificada na região da Lourinhã, em Portugal. Os pequenos fósseis foram descobertos em uma investigação do paleontólogo Alexandre Guillaume. O estudo foi publicado no Journal of Systematic Palaeontology. • Ilustração de Eva Carret
-
-
13 de 16Descobertas 2026 (13) – Arqueólogos descobriram uma tumba zapoteca de 1.400 anos no sul do México, adornada com entalhes complexos, que foi considerada “a descoberta arqueológica mais significativa da última década”. Acredita-se que uma escultura da cabeça de um homem dentro do bico de uma coruja represente o indivíduo sepultado no túmulo • Divulgação / Luis Gerardo Peña Torres INAH
-
14 de 16Descobertas 2026 (14) – Pesquisadores encontraram o esqueleto de uma pessoa da Idade da Pedra enterrada há 12.000 anos em uma caverna na Itália. Segundo o estudo, o esqueleto era de uma adolescente com uma forma rara de nanismo. • Adrian Daly
-
15 de 16Descobertas 2026 (15) – Arqueólogos que trabalhavam perto de Cambridge, na Inglaterra, descobriram uma vala cheia de esqueletos, com cerca de 1.200 anos, que revelam mortes de forma violenta • David Matzliach/Unidade Arqueológica de Cambridge
-
-
16 de 16Descobertas 2026 (16) – Um dinossauro minúsculo e herbívoro descoberto no norte da Espanha pode mudar a compreensão dos cientistas sobre a evolução dos dinossauros que se alimentavam de plantas. A nova espécie — batizada de Foskeia pelendonum — viveu há cerca de 120 milhões de anos, durante o início do Cretáceo, e media pouco mais de meio metro de comprimento • Martina Charnell
Os dinossauros deixaram para trás vários tipos de restos fossilizados, incluindo ossos, dentes e garras, impressões de sua pele, fezes e vômito, restos não digeridos em seu estômago, cascas de ovos e restos de ninhos. Mas as pegadas costumam ser mais abundantes e podem revelar muitas informações aos cientistas, incluindo o tipo de ambiente em que um dinossauro vivia e, quando outras pegadas estão presentes, os tipos de animais que compartilhavam um ecossistema.
O novo método foi aperfeiçoado com uma análise pelo algoritmo de 1.974 silhuetas de pegadas que abrangem 150 milhões de anos da história dos dinossauros, com a IA discernindo oito características que explicavam a variação nas formas dessas pegadas.
Essas características incluíram: carga e forma geral, refletindo a área de contato do pé com o solo; a posição da carga; a distância entre os dedos; como os dedos se ligam ao pé; a posição do calcanhar; a carga do calcanhar; a ênfase relativa dos dedos em relação ao calcanhar; e a discrepância de forma entre os lados esquerdo e direito da pegada.
Muitas das pegadas já haviam sido identificadas com segurança por especialistas como pertencentes a um tipo específico de dinossauro. Depois que o algoritmo identificou as características de diferenciação, os especialistas mapearam como elas correspondiam aos vários tipos de dinossauros que se acredita terem feito as pegadas, a fim de orientar a identificação de pegadas futuras.
“O problema é que identificar quem fez uma pegada fossilizada é inerentemente incerto”, disse Hartmann.
“A forma de uma pegada depende de muitos fatores além do próprio animal, incluindo o que o dinossauro estava fazendo naquele momento, como caminhar, correr, pular ou até mesmo nadar, a umidade e o tipo do substrato (superfície do solo), como a pegada foi enterrada por sedimentos e como foi alterada pela erosão ao longo de milhões de anos. Como resultado, o mesmo dinossauro pode deixar pegadas com aparências muito diferentes”, acrescentou Hartmann.

