Citação do dia do famoso psicólogo americano Albert Ellis: “Os melhores anos da sua vida são aqueles em que você decide que seus problemas são seus.”

Albert Ellis foi um dos psicólogos mais influentes do século XX, criador de uma das abordagens terapêuticas mais estudadas e aplicadas no mundo. Entre as muitas ideias que deixou, uma frase em especial continua circulando décadas depois de sua morte: “Os melhores anos da sua vida são aqueles em que você decide que seus problemas são seus.” À primeira leitura, soa quase dura. Com um pouco mais de atenção, revela algo muito mais preciso sobre como a mente humana lida com sofrimento e mudança.

Quem foi Albert Ellis e por que suas ideias ainda importam?

Albert Ellis nasceu em Pittsburgh, em 1913, e passou boa parte da infância lidando com problemas de saúde sérios e uma família marcada por instabilidade emocional. Formado em psicologia pela Universidade Columbia, começou sua carreira como psicanalista, mas abandonou a psicanálise ao concluir que ela era lenta demais e pouco eficaz na prática clínica. Em 1955, desenvolveu o que chamou de Terapia Racional Emotiva, conhecida hoje como REBT, sigla em inglês para Rational Emotive Behavior Therapy.

A REBT partia de uma ideia central: não são os eventos em si que perturbam as pessoas, mas as crenças irracionais que elas constroem sobre esses eventos. Esse princípio, aparentemente simples, antecipou em décadas boa parte do que a terapia cognitivo-comportamental viria a sistematizar. Albert Ellis morreu em 2007, aos 93 anos, e até os últimos anos de vida continuou atendendo pacientes e dando palestras.

O que a frase realmente está dizendo sobre responsabilidade?

A palavra que carrega mais peso na frase de Albert Ellis é “decide”. Não é que os problemas de uma pessoa sejam automaticamente culpa dela. A frase não fala em culpa. Fala em decisão, que é algo diferente. Assumir que um problema é seu significa reconhecer que você é o único com capacidade e interesse real de resolvê-lo, independentemente de quem ou o que o causou.

Essa distinção entre culpa e responsabilidade pessoal é central na terapia racional emotiva. Ellis observou ao longo de décadas de trabalho clínico que boa parte do sofrimento persistente vinha não das circunstâncias em si, mas da crença de que alguém ou algo externo precisava mudar primeiro para que a vida melhorasse. Enquanto essa crença permanece, a pessoa fica paralisada aguardando uma mudança que não depende dela.

Por que transferir a culpa para fora mantém o sofrimento ativo?

A tendência de atribuir os próprios problemas a causas externas, outras pessoas, o passado, a sociedade, a má sorte, tem uma função psicológica compreensível. Ela protege a autoestima no curto prazo, porque evita a confrontação com as próprias escolhas e limitações. O problema é que esse mecanismo tem um custo alto no longo prazo.

Alguns dos padrões mais comuns que Albert Ellis identificava em seus pacientes incluíam:

Para Ellis, cada um desses padrões alimentava o sofrimento não porque fosse verdadeiro, mas porque a pessoa agia como se fosse. A terapia consistia, em grande parte, em identificar e questionar essas crenças de forma direta e, às vezes, até provocativa.

O que muda na prática quando alguém assume seus próprios problemas?

A mudança mais imediata é a recuperação do senso de autonomia. Quando uma pessoa para de esperar que a situação externa mude e começa a perguntar o que ela mesma pode fazer diferente, o campo de ação se expande. Não porque os problemas desaparecem, mas porque a relação com eles muda. O problema deixa de ser algo que acontece à pessoa e passa a ser algo com o qual ela pode trabalhar.

Esse deslocamento tem efeitos documentados sobre o bem-estar psicológico. Estudos em psicologia da personalidade mostram que pessoas com alto locus de controle interno, que acreditam que suas ações influenciam os resultados de sua vida, apresentam índices consistentemente maiores de satisfação, resiliência e saúde mental do que aquelas que atribuem os acontecimentos principalmente a fatores externos.

A frase de Ellis é um convite ao autoconhecimento, não à autopunição

Um equívoco frequente ao ler essa frase é interpretá-la como uma ordem para que a pessoa se culpe por tudo que deu errado. Essa leitura inverte o sentido original. Albert Ellis foi um crítico feroz da autocrítica destrutiva e da autoflagelação emocional. Para ele, julgar a si mesmo de forma severa era tão irracional quanto culpar os outros: os dois extremos impediam a mudança real.

O que Ellis propunha era algo mais preciso: aceitar que você é responsável pela forma como responde ao que acontece, sem transformar essa responsabilidade em mais uma fonte de sofrimento. Assumir um problema como seu é o começo de uma conversa honesta consigo mesmo, não o início de um julgamento. É exatamente nesse ponto que, segundo ele, os melhores anos de uma vida costumam começar.

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