Cientistas criam solução “inafundável” para evitar um novo Titanic

Pesquisadores do Instituto de Óptica da Universidade de Rochester, em Nova York, projetaram um design hidrofóbico de tubos de metal que pode evitar naufrágios de grandes navios como o “Titanic”. O estudo foi publicado na revista Advanced Functional Materials, na terça-feira (27 de janeiro).

Mesmo após mais de 100 anos de seu naufrágio, o navio, que inspirou o filme, continua motivando engenheiros que sonham com a construção de embarcações “inafundáveis”.

O design dos novos tubos de metal — desenvolvidos pela Universidade de Rochester — são uma indicação de que esse futuro pode estar próximo.

De acordo com as informações do estudo, esses tubos são capazes de permanecer flutuando independentemente do tempo que forem submersos ou da gravidade dos danos sofridos por eles.

Na produção dos tubos de alumínio, os pesquisadores criam micro e nanoporos na superfície que a tornam super-hidrofóbica, repelindo a água e mantendo-a seca. Quando o tubo tratado entra em contato com a água, a superfície aprisiona uma bolha de ar estável em seu interior, impedindo que ele fique encharcado e afunde.

O mecanismo é semelhante ao utilizado por aranhas-mergulhadoras para manter a flutuabilidade debaixo d’água ou por formigas-de-fogo que formam jangadas flutuantes com seus corpos hidrofóbicos.

Segundo Chunlei Guo, professor de óptica e física e cientista sênior do Laboratório de Energética a Laser da Universidade de Rochester, mesmo se alguém empurrar o tubo verticalmente na água, a bolha de ar permanece presa dentro dele e o tubo mantém sua capacidade de flutuar.

Essa tecnologia foi demonstrada pela primeira vez em 2019, com dois discos super-hidrofóbicos selados para criar sua flutuabilidade, mas design atual do tubo simplifica e aprimora a tecnologia em diversas áreas importantes.

Os discos que os pesquisadores desenvolveram anteriormente podiam perder a capacidade de flutuar quando girados em ângulos extremos, mas os tubos são resistentes a condições turbulentas como as encontradas no mar.

Quando estruturados e interligados, vários tubos podem criar jangadas que serviriam de base para navios, bóias e plataformas flutuantes.

De acordo com Guo, a tecnologia poderia ser facilmente adaptada para os tamanhos maiores necessários para dispositivos flutuantes que suportam carga.

O projeto recebeu apoio da Fundação Nacional de Ciência (National Science Foundation), da Fundação Bill e Melinda Gates e do Instituto Goergen de Ciência de Dados e Inteligência Artificial da Universidade de Rochester (URochester).

*Sob supervisão de AR.

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