A 100 km de Belo Horizonte, Ouro Branco em Minas Gerais nasceu do ouro esbranquiçado que o bandeirante Miguel Garcia encontrou no fim do século 17. Hoje guarda o marco inicial sul da Serra do Espinhaço.
A serra que apavorava os viajantes da Estrada Real
No século 18, atravessar a Serra de Ouro Branco era arriscar a vida. O trecho era tão perigoso, por causa dos assaltos e precipícios, que ganhou o apelido de Serra do Deus-te-livre nos mapas coloniais.
O mesmo paredão de quartzito que aterrorizava tropeiros virou cartão-postal e unidade de conservação. A Serra de Ouro Branco é reconhecida como o marco inicial sul da Cadeia do Espinhaço, cordilheira que percorre mais de mil quilômetros entre Minas Gerais e a Bahia.
Por que Ouro Branco ganhou esse nome?
Porque o ouro encontrado na região tinha coloração mais clara que o de Ouro Preto, sua vizinha mais famosa. Miguel Garcia, integrante da expedição de Borba Gato, fez o registro ainda no século 17, e o arraial virou uma das freguesias mais antigas de Minas.
O minério menos puro garantiu povoamento, capelas e um conjunto arquitetônico que resistiu ao tempo. Parte da Rua Santo Antônio, no centro histórico, coincide com o traçado original da Estrada Real.
O vídeo do canal De fora em Juiz de Fora apresenta Ouro Branco, em Minas Gerais, como um destino encantador na região central do estado, vizinho da famosa Ouro Preto (apenas 30 km de distância) e a cerca de 100 km de Belo Horizonte
O que visitar no Parque Estadual Serra do Ouro Branco?
A unidade de conservação tem 7.520 hectares entre Ouro Branco e Ouro Preto, é administrada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) e tem entrada gratuita. A visitação acontece de segunda a segunda, das 8h às 18h.
- Poção do Córrego do Veríssimo: piscina natural formada no meio do Circuito das Aves, uma das trilhas mais procuradas do parque.
- Cachoeira dos Jesuítas: queda cercada por mata atlântica e vestígios de antigas minas da época do ciclo do ouro.
- Mirante do Morro do Gabriel: vista panorâmica do vale e ponto alto para quem faz a travessia mais tradicional da serra.
- Travessia Topo da Serra até Itatiaia: caminhada entre campos rupestres com vestígios da Estrada Real colonial.
- Mirante Lago Soledade: vista do manancial que abastece Ouro Branco e um dos cenários mais fotografados da cidade.
A bromélia que só existe em Ouro Branco
Nos paredões de quartzito da serra cresce uma planta que não ocorre em nenhum outro lugar do mundo. A Dyckia ourobrancoensis é uma bromeliácea endêmica, encontrada apenas entre 1.100 e 1.500 metros de altitude nas rochas da região.
A descoberta faz parte de um ecossistema de campos rupestres com um dos maiores índices de endemismo da cadeia do Espinhaço. Por isso o paredão é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA).
Quais igrejas e casarões merecem uma visita no centro histórico?
O centro preserva o ar setecentista que marcou os arraiais do ciclo do ouro. O destaque absoluto é a Matriz de Santo Antônio, construída entre 1717 e 1779, com forro pintado por Mestre Ataíde e fachada com influência direta de Aleijadinho.
A poucos passos está a Casa de Tiradentes, imóvel às margens da antiga Estrada Real que teria abrigado reuniões dos inconfidentes mineiros. No distrito de Itatiaia, a Igreja de Santo Antônio é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e figura entre as mais antigas do estado.
Qual a melhor época para visitar a cidade do ouro esbranquiçado?
O inverno seco, entre maio e setembro, é o período mais confortável para trilhas e mirantes. No verão, as chuvas fortes podem fechar acessos, mas garantem cachoeiras cheias e paisagens intensas.
☀️ Verão
17-28°C
cachoeiras
poços naturais
🍂 Outono
14-26°C
trilhas leves
❄️ Inverno
10-24°C
travessias longas
igrejas
🌸 Primavera
14-27°C
centro histórico
mirantes
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Ouro Branco saindo de Belo Horizonte?
A cidade fica a cerca de 100 km da capital mineira pela BR-040, seguindo depois pela MG-443, segundo o Instituto Estrada Real. O trajeto leva pouco mais de uma hora e meia de carro, e o acesso ao parque estadual é feito pela MG-129, a antiga Estrada Real.
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Uma parada que combina com o Circuito do Ouro
Ouro Branco tem o raro talento de reunir barroco, natureza rupestre e história da Inconfidência num único final de semana. A cidade costuma ser visitada junto com Congonhas, Ouro Preto e Mariana, no roteiro Entre Cenários da História do Turismo de Minas Gerais.
Você precisa conhecer Ouro Branco e entender por que os viajantes do século 18 temiam essa serra que hoje encanta quem chega pelas mesmas curvas da Estrada Real.



