Se ainda restava alguma dúvida de que a Inteligência Artificial generativa se consolidou como uma ferramenta de uso diário, a OpenAI acaba de colocar um ponto final no debate. A criadora do ChatGPT anunciou oficialmente que o seu famoso chatbot atingiu a impressionante marca de 900 milhões de usuários ativos semanais.
O salto é gigantesco: em outubro do ano passado, a plataforma registrava 800 milhões de usuários. Esse crescimento acelerado coloca a empresa de Sam Altman a um passo muito curto de cruzar a linha de chegada de 1 bilhão de usuários ativos, um feito reservado para titãs absolutos da internet, como o Google e a Meta.
Mais do que acessos: A conversão em assinaturas
O mercado já sabia que o ChatGPT era popular na sua versão gratuita, mas os novos dados revelam um cenário de alta rentabilidade. A OpenAI confirmou que ultrapassou a barreira dos 50 milhões de assinantes pagos no segmento de consumidores comuns (usuários do ChatGPT Plus e Pro), além de contar com mais de 9 milhões de usuários pagantes no setor corporativo e empresarial.
A transição de uma ferramenta de pesquisa experimental para um assistente de produtividade essencial no fluxo de trabalho de milhões de pessoas está a refletir-se diretamente no balanço financeiro da companhia.
A rodada de US$ 110 bilhões: Quem paga a conta da infraestrutura?
Processar bilhões de requisições de texto, código e imagens por dia para quase um bilhão de pessoas tem um custo computacional avassalador. Para garantir que os servidores não derretam e que os modelos continuem a evoluir, a OpenAI anunciou junto ao marco de usuários uma nova rodada de investimentos privados que beira o inacreditável: US$ 110 bilhões.
A rodada coloca a empresa em um patamar de valuation (valor de mercado) projetado acima dos US$ 700 bilhões e conta com um trio de peso pesado do mercado de hardware e tecnologia:
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Amazon: Liderou a rodada com um aporte de US$ 50 bilhões, garantindo uma parceria profunda com a plataforma de nuvem AWS e o uso massivo dos seus chips de computação Trainium.
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Nvidia: Injetou US$ 30 bilhões. O acordo assegura para a OpenAI uma capacidade massiva de processamento dedicado com os sistemas de próxima geração da empresa, o que explica em parte para onde os estoques de GPUs estão indo.
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SoftBank: Completou a rodada com mais US$ 30 bilhões em capital estratégico.
O futuro da corrida das IAs
O investimento massivo em poder de fogo bruto com a Nvidia e a Amazon é um recado claro para concorrentes como o Google (Gemini) e a Anthropic (Claude). A OpenAI não está apenas a expandir o número de usuários; ela está a garantir monopólio sobre os recursos físicos de data centers necessários para treinar a próxima geração de modelos fundamentais.
Com o marco dos 900 milhões batido, o objetivo agora é escalar as soluções para o mercado corporativo e lidar com os enormes desafios de infraestrutura e escassez de hardware que já afetam o setor de tecnologia como um todo. A corrida pelo bilhão está mais quente do que nunca.



