O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) completa nesta sexta-feira (28) sete dias preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. No sábado (22), ele deixou a prisão domiciliar e foi detido preventivamente em regime fechado após ter violado a tornozeleira eletrônica e sob suspeita de planejar uma fuga. Três dias depois, na terça-feira (25), o STF (Supremo Tribunal Federal) decretou o trânsito em julgado da ação por tentativa de golpe de Estado e determinou que Bolsonaro passasse a cumprir a pena.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão. Segundo a denúncia, o ex-presidente liderou uma organização criminosa voltada ao golpe de Estado, articulou ataques às urnas e incitou intervenção militar. Também teria utilizado estruturas do Estado, como PRF (Polícia Rodoviária Federal) e Abin (Agência Brasileira de Inteligência), para interferir no processo eleitoral e disseminar informações falsas.
Aliados teriam financiado acampamentos golpistas e buscado apoio das Forças Armadas para manter o então presidente no poder. As investigações apontam ainda a elaboração de uma minuta golpista e do plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa assassinatos de autoridades.
Veja como foram os primeiros dias de Bolsonaro na prisão:
Sábado (22)
O ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva do ex-presidente sob alegação de que ele violou a tornozeleira eletrônica e havia suspeita de uma tentativa de fuga. Bolsonaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal.
No mesmo dia à noite, uma vigília foi realizada nas proximidades do Condomínio onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar.
Domingo (23)
Bolsonaro passou por audiência de custódia e é mantida a prisão preventiva. Ele explicou que usou um ferro de solda para violar a tornozeleira.
A audiência é padrão para todos as pessoas que ingressam no sistema prisional. Serve para verificar a legalidade e as circunstâncias da prisão, verificando se ela ocorreu dentro da lei e se o preso foi vítima de tortura ou maus-tratos.
Michelle Bolsonaro é autorizada por Moraes e faz a primeira visita ao ex-presidente.
Segunda-feira (24)
O plenário virtual da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) analisa durante o dia se mantém a decisão monocrática de Alexandre de Moraes de prender o ex-presidente. Por unanimidade, a prisão é mantida.
Neste mesmo dia terminou o prazo para que a defesa de Bolsonaro apresentasse recurso no STF contra a condenção. Os advogados decidiram não apresentar os embargos de declaração.
Terça-feira (25)
Moraes autorizou e o ex-presidente a receber visitas de dois filhos, o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro.
O ministro do STF também decretou o trânsito em julgado do processo de tentativa de golpe de Estado e determinou o cumprimento da pena de 27 anos e três meses. No despacho, Moraes decidiu pela manutenção do local onde o ex-presidente já estava detido.
Os outros condenados no processo também são presos, exceto o deputado Alexandre Ramagem, que se encontra foragido nos Estados Unidos.
Quarta-feira (26)
Foi realizada a audiência de custódia do início do cumprimento da pena por tentativa de golpe de Estado. Segundo a ata divulgada pela Corte, o ex-presidente disse ter refluxo, apneia do sono, usar cinco medicamentos e precisar de alimentação especializada, com laudo já anexado aos autos.
Quinta-feira (27)
Bolsonaro recebeu a visita de outro filho, o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC). A esposa, Michelle, também foi autorizada a visitá-lo.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro usou as redes sociais para manifestar descontentamento com o tempo reduzido de visita de 30 minutos.
“Acabei de chegar para ver o meu amor. Enquanto espero o Renan concluir o tempo dele, descanso em Deus. Na primeira visita, estive com ele por duas horas; hoje, apenas 30 minutos”, escreveu Michelle. A presidente do PL Mulher afirmou ainda que, apesar das dificuldades, “o coração permanece em paz, porque o Senhor continua no controle de tudo”.

