Bad Bunny celebra Porto Rico no Super Bowl e irrita Trump

O astro porto-riquenho Bad Bunny transformou, no domingo (8), o Super Bowl em uma grande festa de rua, destacando a união em vez da divisão em um set inovador em espanhol — mas ainda assim despertando a ira do presidente Donald Trump.

A expectativa era alta para a apresentação do artista de 31 anos, em meio a intensas especulações sobre se ele usaria o palco para renovar críticas à repressão do governo Trump à imigração diante de dezenas de milhões de espectadores.

Mas o músico extremamente popular, cujo nome é Benito Antonio Martínez Ocasio, cumpriu a promessa feita antes do jogo de compartilhar sua cultura com alegria — e evitou declarações políticas explícitas, optando por mensagens sutis por meio de símbolos.

Em um espetáculo que contou com um engenho de cana-de-açúcar, um tradicional carrinho de “piragua” vendendo doces e até um casamento, Bad Bunny abriu o show com “Titi Me Pregunto” e o hino feminista “Yo Perreo Sola”, com um elenco de dançarinos reforçando o clima de festa.

Os atores Pedro Pascal e Jessica Alba, além da rapper Cardi B, estiveram entre os convidados que curtiram a apresentação no cenário conhecido como “La Casita”, representando uma casa em Porto Rico.

Bad Bunny vestiu um conjunto todo branco, com uma camisa de futebol americano trazendo o número “64” e o sobrenome “Ocasio”, antes de colocar um elegante paletó.

Ele avançou para um terreno mais político com “El Apagón” (Apagão), música que aborda o deslocamento de porto-riquenhos em sua própria ilha e os problemas constantes causados pela rede elétrica instável. Em determinado momento, carregou uma bandeira de Porto Rico.

A apresentação também incluiu um menino assistindo ao Grammy em uma televisão antiga. Bad Bunny, que venceu o prêmio de Álbum do Ano há uma semana, entregou à criança — talvez uma versão mais jovem de si mesmo — um gramofone dourado.

A internet foi à loucura com rumores não verificados de que o menino seria Liam Conejo Ramos, uma criança equatoriana de cinco anos recentemente detida por agentes de imigração dos Estados Unidos em Minnesota.

Um porta-voz da NFL confirmou à AFP que o garoto era um ator, e uma publicação no Instagram, aparentemente do menino em questão, Lincoln Fox, trazia a hashtag #youngbadbunny.

Entre as participações musicais surpresa estiveram Lady Gaga, que cantou uma versão com influência latina de seu sucesso “Die with a Smile” — a única letra em inglês do show — e o cantor porto-riquenho Ricky Martin.

“Afronta”

No Grammy, Bad Bunny fez uma declaração contundente contra a ampla ofensiva migratória de Trump, arrancando aplausos ao dizer “ICE out” no palco.

Mas, no domingo, ele não mencionou diretamente o presidente republicano.

Ao final da apresentação, depois de citar países da América Latina, Porto Rico, Estados Unidos e Canadá, Bad Bunny arremessou uma bola de futebol americano com a frase “Together, we are America” (“Juntos, somos a América”).

Uma tela gigante no estádio exibiu a mensagem: “A única coisa mais poderosa do que o ódio é o amor”.

Ainda assim, Trump rapidamente criticou a performance, dizendo: “Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo” — apesar de dados oficiais indicarem que mais de 41 milhões de americanos falam espanhol.

Em uma postagem na rede Truth Social, ele chamou o show de “uma afronta à grandeza da América”.

Reação antecipada

Bad Bunny já foi o artista mais ouvido do mundo no Spotify em quatro ocasiões, incluindo o ano passado, e venceu o prêmio de Álbum do Ano no Grammy com “Debí Tirar Más Fotos” — a primeira obra em espanhol a conquistar a principal honraria da música.

Mas a decisão de destacar seu trabalho no Super Bowl, na Califórnia, gerou indignação entre conservadores — especialmente pela ideia de que ele não cantaria em inglês.

A NFL firmou, em 2019, um acordo com a empresa de entretenimento Roc Nation, de Jay-Z, responsável pela estratégia de entretenimento da liga.

Desde então, a lista de atrações do Super Bowl incluiu Jennifer Lopez e Shakira (com participação de Bad Bunny), mas a dupla não se apresentou exclusivamente em espanhol, deixando para Bad Bunny a marca inédita.

De Vega Baja ao Super Bowl

Bad Bunny cresceu em Vega Baja, um pequeno município próximo à capital porto-riquenha, San Juan. Ele trabalhava em um supermercado, ensacando compras, quando recebeu uma ligação de uma gravadora após seus plays viralizarem na plataforma independente SoundCloud.

Assim começou a rápida ascensão do astro do reggaeton ao topo da música global.

No fim do ano passado, Bad Bunny lançou “Debí Tirar Más Fotos”, uma aula de história da música porto-riquenha, promovida com uma residência de shows em San Juan e uma turnê mundial.

Em Porto Rico, território dos Estados Unidos desde 1898, só havia orgulho pelo filho da terra.

“Para alguém daqui estar em um dos eventos mais importantes dos Estados Unidos é motivo de orgulho para todo porto-riquenho”, disse Olvin Reyes, 39, à AFP.

*AFP

 

 

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