As dez maiores fabricantes de chips do mundo faturaram US$ 169,5 bilhões em 2025, novo recorde histórico

As dez maiores fundições de semicondutores do mundo encerraram 2025 com receita conjunta de US$ 169,5 bilhões, segundo levantamento da TrendForce. O número supera em 26,3% o resultado de 2024 e representa o maior faturamento anual já registrado pelo setor. No quarto trimestre de 2025 isoladamente, a receita somada chegou a US$ 46,3 bilhões, alta de 2,6% frente ao trimestre anterior, puxada pela escassez contínua de aceleradores para servidores de IA e pelo ciclo de lançamento de smartphones topo de linha.

TSMC: 70,4% do mercado e US$ 33,7 bilhões em um trimestre

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company consolidou ainda mais sua posição dominante. No quarto trimestre, a TSMC registrou receita de US$ 33,7 bilhões, crescimento de 1,9% na comparação trimestral, o que lhe garantiu uma fatia de 70,4% do mercado global de fundição. O número já havia sido confirmado pela própria empresa em janeiro: margem bruta de 62,3%, margem operacional de 54% e margem líquida de 48,3% no período. O motor desse desempenho foi o processo de 3 nm, responsável por 28% da receita de lâminas no trimestre, seguido pelo nó de 5 nm com 35% — impulsionados principalmente pela produção dos processadores dos modelos iPhone 17 e por chips para servidores de IA. No acumulado de 2025, a TSMC faturou US$ 122,4 bilhões, crescimento de 35,9% sobre 2024.

Samsung Foundry retorna ao lucro com 2 nm e HBM4

A Samsung Foundry — excluindo a divisão System LSI — cresceu 6,7% na comparação trimestral e encerrou o quarto trimestre com receita de US$ 3,4 bilhões, elevando sua participação de mercado de 6,8% para 7,1%. Dois fatores sustentaram esse avanço: o início das remessas de produtos fabricados no processo de 2 nm e a produção de chips lógicos usados nas memórias HBM4 de sexta geração — parte do portfólio de memória de alto desempenho voltado ao mercado de IA. Com isso, a Samsung não apenas recuperou a lucratividade na divisão de fundição como também ampliou marginalmente sua fatia de mercado, ainda que a distância para a TSMC tenha se alargado: a diferença anual entre as duas subiu de 55 pontos percentuais em 2024 para 62,7 pontos em 2025

SMIC, UMC e GlobalFoundries: processos maduros em ritmo estável

A chinesa SMIC ocupou o terceiro lugar com receita de US$ 2,49 bilhões no trimestre, alta de 4,5%, favorecida pelo aumento no volume de remessas de lâminas, uma leve melhora no preço médio de venda e entregas adicionais de fotomáscaras no fim do ano. A taiwanesa UMC ficou em quarto, com receita de US$ 2 bilhões e crescimento de 0,9%, sustentada por encomendas regulares de grandes clientes que mantiveram as fábricas de 8 e 12 polegadas em operação estável. A GlobalFoundries, em quinto, subiu 8,4% no trimestre para US$ 1,8 bilhão, aproveitando o aumento na demanda por componentes periféricos para centros de dados, com crescimento tanto no volume de lâminas entregues quanto no preço médio

O restante do top 10: nichos e ajustes de portfólio

A HuaHong Group, em sexto lugar, somou US$ 1,22 bilhão em receita consolidada, crescimento de apenas 0,1% no trimestre. Sua subsidiária HHGrace registrou alta de 3,9% puxada pela demanda por microcontroladores e chips de gerenciamento de energia (PMIC). A israelense Tower foi a grande surpresa do período: cresceu 11,1% para US$ 440 milhões e subiu da nona para a sétima posição, impulsionada pelo avanço nas remessas de componentes de fotônica em silício (SiPho) e silício-germânio (SiGe) para aplicações em servidores.

A Vanguard caiu para oitavo com receita de US$ 406 milhões (queda de 1,6%), impactada pela redução na demanda por drivers de display (DDIC) e por problemas de qualificação em um cliente relevante de PMIC. A Nexchip ficou em nono com US$ 388 milhões, recuo de 5,3% — a empresa deliberadamente postergou remessas para o primeiro trimestre de 2026 após bater suas metas anuais de receita e volume. A PSMC fechou o ranking em décimo, com US$ 370 milhões e alta de 2%, apoiada na forte procura por serviços de fundição de memória e no aumento nos preços médios de venda.

Projeção para 2026

A perspectiva para o primeiro semestre de 2026 é de alguma estabilidade, com a formação antecipada de estoques em categorias de consumo ajudando a manter as taxas de ocupação das fábricas em níveis razoáveis. O problema está na segunda metade do ano: a TrendForce aponta que a alta nos preços de memória deve comprimir a demanda por dispositivos finais, smartphones, PCs e afins, criando incerteza sobre volumes de encomenda e utilização de capacidade nas fundições que atendem esses mercados. O setor que bateu recordes em 2025 entra em 2026 com um primeiro semestre previsível e um segundo cheio de variáveis abertas.

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