Duas décadas após o assassinato dos pais, Suzane von Richthofen quebra o silêncio em um documentário inédito, ainda sem data oficial de lançamento. A produção, exibida em prévia restrita, traz a versão dela sobre o crime e os motivos que, segundo seu relato, levaram ao planejamento do duplo homicídio. As informações são do jornalista Ullisses Campbell, da coluna True Crime, do jornal O Globo.
Aos 42 anos e cumprindo pena em regime aberto, Suzane revisita sua trajetória e o caso que chocou o país. O filme, com cerca de duas horas, aborda sua percepção sobre a dinâmica familiar e o contexto que, segundo ela, contribuiu para a tragédia.
De acordo com o depoimento, a ideia do crime não surgiu de forma repentina. “Nós não falávamos em matar meus pais”, afirmou, dizendo que a frase “seria muito bom se eles não existissem” era recorrente. Suzane reconhece a participação no planejamento e admite responsabilidade. “Eu aceitei. Eu os levei pra dentro da minha casa. A culpa é minha. Claro que é minha”, declarou.
O assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen ocorreu em 31 de outubro de 2002 e foi executado pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos. No documentário, Suzane afirma que permaneceu no andar inferior da residência enquanto o crime acontecia. “Fiquei no sofá, com a mão no ouvido para não escutar nada”, disse, acrescentando que estava em um estado “dissociado”.
Infância e o vazio familiar
Ela também descreve a infância como marcada por pouca demonstração de afeto e conflitos entre os pais. Segundo o relato, as discussões eram frequentes e houve episódios de violência doméstica. “Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco”, afirmou, acrescentando que se sentia distante da família.
O relacionamento com Daniel Cravinhos intensificou as tensões em casa. Suzane contou que a mãe desaprovava o namoro e que as brigas se tornaram constantes. “Virou uma guerra dentro de casa”, disse. Ela também relatou episódios de confrontos e mentiras para manter o relacionamento.
Outro ponto destacado foi a viagem dos pais à Europa, quando Daniel passou a frequentar a casa da família. Suzane descreveu o período como “um mês de liberdade total”, que, segundo ela, mudou a dinâmica entre os dois e ampliou os conflitos familiares.
O documentário também aborda o relato da delegada Cíntia Tucunduva, que afirmou ter encontrado Suzane em uma confraternização na casa dias após o crime. Suzane contesta a versão e afirma que não havia condições de realizar qualquer reunião no local, alegando que a residência ainda apresentava sinais da violência.
Veja os pontos
Cronologia do crime segundo Suzane
Relembre a sequência de eventos que, em sua versão, levou ao duplo homicídio.
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1. Infância e adolescência distante
Cresce em um ambiente sem demonstrações de afeto, com os pais focados em estudos e desempenho. Sente-se invisível.
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2. Namoro com Daniel Cravinhos
Daniel preenche o “espaço vazio”, mas a relação é desaprovada pelos pais, gerando conflitos e mentiras.
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3. Mês de “liberdade total”
Durante viagem dos pais, Daniel se muda para a casa, vivendo um período de “sexo, drogas e rock ‘n’ roll”.
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4. Construção da ideia do crime
A ideia de que “seria muito bom se eles não existissem” evolui gradualmente para o planejamento.
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5. Noite do assassinato
Permanece no andar inferior, com mãos nos ouvidos, consciente do que acontecia, em estado “dissociado”.
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6. Reconhecimento da culpa
Afirma que poderia ter evitado, mas “não tinha mais como voltar atrás” e assume: “A culpa é minha”.



