Apagão em SP aumenta tensão entre governo federal, Tarcísio e Nunes: ‘Estamos reféns’

O novo apagão vivido na cidade de São Paulo colocou em confronto, mais uma vez, o governo federal e os líderes de São Paulo – o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB). Na quinta-feira (11), Tarcísio fez crítica a companhia Enel e ao ministério de Minas e Energia, dizendo que São Paulo está refém da empresa de distribuição de energia e reforçou ser contra a possibilidade de prorrogação do contrato da Enel com o governo federal.

“A gente não pode ficar refém, não dá. Todo evento climático, nós vamos ter o mesmo problema. Qual é a previsibilidade? Quando que a energia vai ser restabelecida? As pessoas ficam dias sem restabelecimento. Pode ter certeza que esse restabelecimento completo vai levar alguns dias. A gente vai ver isso acontecer de novo, e a gente está falando isso sempre”, disse Tarcísio, acrescentando que é “é um problema sério, nos preocupa a velocidade de restabelecimento. Por isso que a gente tem sido muito crítico à questão da prorrogação do contrato”, completou.

Esse impasse entre Enel, governo federal, governo de São Paulo e Prefeitura de São Paulo se dá por causa doas quedas de energia e o interesse em prorrogar o acordo com a Enel por mais 30 anos gira. O governo paulista e a prefeitura são contrários à renovação e apontam falta de investimentos,

O ministério de Minas e Energia, rebateu, nesta sexta-feira (12), as falar do governador de São Paulo. “Enquanto o governador de São Paulo e o prefeito da capital do estado preferem transformar um episódio climático extremo em disputa política, o Governo do Brasil mantém o foco naquilo que realmente importa: restabelecer a energia elétrica para a população com rapidez e segurança”, diz a nota do ministério de Minas e Energia.

O texto acrescenta que o ministro Alexandre Silveira, está aberto ao diálogo tanto com o prefeito Ricardo Nunes quanto com o governador Tarcísio de Freitas, assim como sempre ocorreu em outras situações emergenciais. “A prioridade do Governo do Brasil é cooperar — não politizar — e garantir que a população tenha o serviço restabelecido o mais rápido possível”.

Segundo o ministério de Minas e Energia, eventuais falhas e omissões da distribuidora terão rigorosa e devida apuração da agência reguladora, que garantirá as punições cabíveis. Os fortes ventes que atingiram a capital paulista na quarta-feira (12) ainda refletem na população – 2,2 milhões de clientes chegaram a ficar sem energia no horário de pico da ventania.

De acordo com os dados mais recentes, cerca de 689 mil pessoas seguem sem energia. O tempo já soma mais de 48 horas de espera pelo retorno da energia. “As fortes chuvas, com rajadas de vento superiores a 110 km/h, provocaram desligamentos significativos em diversas regiões do estado”, diz a nota do ministério de Minas e Energia. “Graças ao esforço conjunto, dos quase 2,5 milhões de desligamentos registrados, cerca de 1,7 milhão de unidades já tiveram o serviço restabelecido”, acrescenta.

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP) – maior entreposto da América do Sul – foi uma das atingidas. Ficou mais de 40 horas sem energia, mas teve a ligação restabelecida nesta seta-feira (12). “A energia elétrica é um insumo fundamental para as operações do Entreposto de São Paulo e para os comerciantes que operam em suas instalações”, diz a nota, que também fala que os prejuízos causados aos mais de 3 mil comerciantes que operam no local ainda estão sendo apurados.

O maior entreposto da América do Sul é responsável pelo abastecimento de Frutas, Legumes, Verduras, Peixes e Flores de uma das maiores metrópoles do mundo, além de centenas de cidades ao seu redor.

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