A Capital do Calçado Feminino produz 120 mil pares por dia, foi a 4ª cidade do Brasil a ter luz elétrica e abriga o maior centro de transplante de medula da América Latina

A 296 km de São Paulo, no centro do estado, uma cidade de 133 mil habitantes leva o nome de um peixe gigante fisgado por bandeirantes no Rio Tietê. Jaú já foi potência do café, virou a Capital do Calçado Feminino reconhecida por lei estadual e hoje combina 200 fábricas de sapatos com um hospital de referência mundial em oncologia. O IDH de 0,778 confirma o que o cotidiano mostra: ruas arborizadas, trânsito leve e um ritmo de interior que não abre mão de infraestrutura de cidade grande.

120 mil pares de sapato por dia e título oficial

O título de Capital do Calçado Feminino não é apelido informal. A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) reconheceu Jaú oficialmente por meio da Lei Estadual 17.476, de 2021. A cidade reúne cerca de 200 empresas do setor, gera em torno de 10 mil empregos diretos e produz até 120 mil pares de sapatos por dia.

Tudo começou com o imigrante italiano Giuseppe Contatore, que abriu a primeira sapataria na cidade por volta de 1900. De pequenas oficinas familiares nos anos 1930, o ofício cresceu até dominar a economia a partir da década de 1980. Hoje, o Território do Calçado, considerado o maior shopping de calçados femininos da América Latina, atrai lojistas e consumidores de todo o Brasil em busca de preço de fábrica e couro legítimo. A produção de Jaú é exportada para mais de 70 países.

Hospital que faz 200 transplantes de medula por ano

A saúde é o grande diferencial de Jaú para quem pensa em morar na cidade. O Hospital Amaral Carvalho, fundado a partir de uma doação em 1915, é referência nacional em oncologia e realiza o maior volume de transplantes de medula óssea da América Latina, com cerca de 200 procedimentos por ano. A instituição atende pacientes de mais de 900 municípios brasileiros pelo SUS.

A presença do hospital atrai profissionais da saúde, pesquisadores e familiares de pacientes, o que dinamiza o setor de serviços, a hotelaria e a gastronomia. A Santa Casa de Jaú complementa o atendimento. Na educação, a Fatec (Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo) oferece cursos voltados às demandas da indústria e do agronegócio regional, formando mão de obra que fica na cidade.

O vídeo do canal Castro Desafio, com 32 mil inscritos, apresenta um panorama detalhado sobre como é morar em Jaú, no interior de São Paulo, destacando a segurança, o custo de vida e o mercado de trabalho local.

O aviador que cruzou o Atlântico e batizou um museu

O jauense João Ribeiro de Barros foi o primeiro aviador das Américas a cruzar o Atlântico Sul sem apoio marítimo, a bordo do hidroavião Jahú, em 1927. O feito aconteceu meses antes do famoso voo de Lindbergh sobre o Atlântico Norte. O Museu Municipal de Jaú dedica uma sala especial ao comandante, com documentos, fotografias e objetos pessoais.

A cidade preserva esse orgulho no nome oficial da rodovia SP-225 (Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros) e na grafia antiga do nome da cidade, “Jahu”, que batizou o hidroavião. O museu fica no entorno da Estação do Som, espaço cultural próximo à rodoviária que abriga manifestações artísticas e eventos.

Do peixe jaú ao café que iluminou a cidade

Bandeirantes que navegavam o Tietê pescaram um peixe enorme na foz de um ribeirão. O bicho, chamado jaú, batizou o lugar que virou povoado em 1853. A terra roxa fértil atraiu famílias de Itu, Porto Feliz e do sul de Minas Gerais, e em poucas décadas a cidade já liderava a exportação de café pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

A riqueza do café deixou marcas que duram até hoje. Em 1901, Jaú se tornou o quarto município do Brasil a receber luz elétrica. Um ano depois, em 1922, o número médio de chamadas telefônicas por aparelho na cidade superava o das centrais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Mais de 400 prédios daquela época seguem de pé no centro histórico, segundo o Governo do Estado de São Paulo.

Qualidade de vida e lazer no interior paulista

Com IDH de 0,778 e custo de vida bem mais acessível que o da capital, Jaú oferece bairros residenciais arborizados, trânsito fluido e transporte público que cobre todos os bairros. O Parque do Rio Jaú é o principal pulmão verde, com ciclovias, lago e áreas de lazer às margens do rio.

  • Igreja Matriz de Nossa Senhora do Patrocínio: construção neogótica inaugurada em 1901, com vitrais e órgão alemães e piso hidráulico francês.
  • Centro Histórico: mais de 400 prédios do período do café, com casarões que hoje abrigam centros culturais e comércios.
  • Fazenda Mandaguahy: propriedade histórica aberta à visitação, com produção de queijos e vivência rural.
  • Santuário Frei Galvão: no bairro Pouso Alegre, local de peregrinação dedicado ao primeiro santo brasileiro.

Leia também: A cidade com a melhor qualidade de vida do Rio de Janeiro encanta pelo custo de vida e atrai novos moradores.

Quando o clima favorece cada programa em Jaú?

O clima é tropical de altitude, com verões quentes e chuvosos e invernos secos. O inverno é a melhor época para percorrer o centro histórico e as fábricas de calçado sem o calor intenso.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Capital do Calçado Feminino

Jaú fica a 296 km de São Paulo pela Rodovia Washington Luís (SP-310) e SP-225, cerca de 3h30 de carro. O aeroporto mais próximo com voos regulares é o de Bauru, a 60 km. A Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros conecta a cidade ao centro-oeste paulista. Ônibus partem da Rodoviária do Tietê com frequência.

Calce um sapato de Jaú e fique para morar

Jaú é a cidade que ganhou o nome de um peixe, enriqueceu com café, inventou uma indústria de sapatos com um imigrante italiano, gerou o primeiro aviador das Américas a cruzar o Atlântico e construiu um hospital que faz 200 transplantes de medula por ano. Tudo isso com ruas arborizadas, casarões centenários e um IDH que compete com capitais.

Você precisa caminhar pelo centro histórico de Jaú num fim de tarde, entrar na Igreja Matriz quando o sol bate nos vitrais e perceber que uma cidade do interior paulista pode ser, ao mesmo tempo, fábrica, hospital, museu e lar.

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