Enem 2025: veja como IAs escreveram a redação com tema deste ano

A reportagem pediu a três inteligências artificiais que escrevessem uma redação com o tema do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) deste ano: “perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”.

Foram dadas ao ChatGPT, Claude e DeepSeek as mesmas instruções e limitações que os candidatos tiveram na prova oficial, incluindo o limite de 30 linhas.

O resultado: todas as IAs demonstraram notável capacidade de compreensão do tema e da estrutura dissertativo-argumentativa, seguindo as regras à risca e apresentando textos de alta qualidade, cada uma com uma abordagem e repertório próprios.

A cada uma delas foi dada a seguinte orientação, simulando as condições reais de prova e as instruções detalhadas que um estudante receberia:

Orientação para as IAs:

“Você é um candidato que está prestando Enem 2025. Escreva a redação a partir do tema ‘Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira’. Você está escrevendo à mão.

Siga as instruções abaixo:

  1. O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
  2. O texto definitivo deve ser escrito à tinta preta, na folha própria, em até 30 (trinta) linhas.
  3. A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para a contagem de linhas.
  4. Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que: 4.1. tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “texto insuficiente”; 4.2. fugir ao tema ou não atender ao tipo dissertativo-argumentativo; 4.3. apresentar parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto; 4.4. apresentar nome, assinatura, rubrica ou outras formas de identificação no espaço destinado ao texto.

O objetivo era observar não apenas a capacidade de argumentação e estruturação textual de cada IA, mas também suas abordagens e nuances ao tratar de um tema complexo e multifacetado como o envelhecimento.

A limitação de 30 linhas, por sua vez, testou a concisão e a síntese argumentativa, elementos cruciais para uma boa nota no Enem.

Análise das redações

ChatGPT apresentou uma redação com foco nos desafios sociais e na necessidade de políticas públicas eficazes. Sua argumentação é clara e direta, abordando a invisibilidade e o abandono dos idosos, além do preconceito etário. A proposta de intervenção é bem articulada, envolvendo Estado, família e sociedade.

Claude se destacou pelo uso de dados estatísticos (IBGE) e repertório sociocultural (Simone de Beauvoir), o que é um diferencial importante no Enem. Sua abordagem enfatiza o etarismo e a insuficiência de infraestrutura e serviços de saúde, culminando em uma proposta de intervenção detalhada que envolve diferentes ministérios e a educação.

Já o DeepSeek trouxe uma análise mais aprofundada, iniciando com a Constituição Federal e explorando a contradição entre o princípio da dignidade humana e a realidade dos idosos. Sua redação aborda a desvalorização sociocultural, a lógica capitalista e a fragilidade das políticas públicas, com uma proposta de intervenção robusta e um fechamento que ressignifica o envelhecimento.

Veja as redações:

ChatGPT

Título: O desafio de envelhecer com dignidade no Brasil

O envelhecimento da população é um fenômeno global, mas no Brasil ele traz desafios particulares, especialmente quando se observam as desigualdades sociais e a falta de políticas públicas eficazes. Viver mais deveria significar viver melhor, porém, para muitos idosos brasileiros, a velhice ainda é sinônimo de abandono e invisibilidade.

Com o avanço da medicina e a melhoria das condições sanitárias, a expectativa de vida do brasileiro aumentou consideravelmente nas últimas décadas. Contudo, essa conquista não foi acompanhada por uma estrutura adequada de apoio ao idoso. O sistema de saúde público, por exemplo, ainda é pouco preparado para lidar com doenças crônicas e limitações físicas típicas da terceira idade. Além disso, muitos idosos enfrentam dificuldades financeiras, já que o valor das aposentadorias é, em geral, insuficiente para cobrir despesas básicas.

Outro fator preocupante é o preconceito etário, conhecido como etarismo, que marginaliza o idoso no mercado de trabalho e nas relações sociais. A cultura da juventude permanente faz com que a experiência e a sabedoria acumuladas com o tempo sejam subestimadas. Assim, o envelhecimento, que deveria ser visto como uma etapa natural e valiosa da vida, torna-se motivo de exclusão.

Portanto, é urgente repensar as perspectivas sobre o envelhecimento na sociedade brasileira. Cabe ao Estado investir em políticas que promovam a autonomia e o bem-estar dos idosos, como centros de convivência, capacitação de profissionais de saúde e campanhas contra o etarismo. Paralelamente, a família e a sociedade devem resgatar o respeito e o cuidado por aqueles que já contribuíram para o país. Somente assim será possível garantir que envelhecer no Brasil seja, de fato, um privilégio — e não um fardo.

Claude

Título: O Brasil que envelhece: desafios e oportunidades

O Brasil passa por uma transformação demográfica significativa. De acordo com o IBGE, até 2060, cerca de 25% da população brasileira terá mais de 65 anos. Esse envelhecimento populacional, resultado da redução da taxa de natalidade e do aumento da expectativa de vida, impõe à sociedade brasileira o desafio de repensar suas estruturas para garantir dignidade e qualidade de vida aos idosos. Entretanto, persistem obstáculos relacionados ao capacitismo etário e à insuficiência de políticas públicas adequadas.

Em primeiro lugar, é fundamental reconhecer que o preconceito contra pessoas idosas, conhecido como etarismo, ainda permeia a sociedade brasileira. Segundo Simone de Beauvoir, em “A Velhice”, o idoso é frequentemente tratado como um cidadão de segunda classe, invisibilizado no mercado de trabalho e nas relações sociais. Essa marginalização gera isolamento, depressão e perda de autonomia, contradizendo os princípios constitucionais de igualdade e dignidade humana.

Além disso, a infraestrutura urbana e os serviços de saúde brasileiros não estão preparados para atender as demandas de uma população envelhecida. Calçadas irregulares, transporte público inadequado e filas extensas no Sistema Único de Saúde dificultam a mobilidade e o acesso a cuidados médicos. Essa deficiência estrutural evidencia a negligência do Estado em implementar políticas preventivas e inclusivas, conforme preconiza o Estatuto do Idoso.

Portanto, é imprescindível que o Ministério da Saúde, em parceria com prefeituras, amplie investimentos em centros de convivência e programas de envelhecimento ativo, promovendo integração social. Paralelamente, o Ministério da Educação deve incluir, nos currículos escolares, discussões sobre respeito à terceira idade, combatendo o etarismo desde a formação básica. Somente com ações integradas será possível construir uma sociedade que valorize todas as faixas etárias, transformando o envelhecimento em uma etapa digna e respeitada da vida.

DeepSeek

Título: Envelhecimento populacional: implicações e respostas sociais no Brasil

A Constituição Federal de 1988 consagra a dignidade da pessoa humana como pilar da sociedade brasileira. No entanto, ao observar a realidade dos idosos no país, percebe-se um profundo abismo entre esse princípio e a prática social. A perspectiva acerca do envelhecimento no Brasil é, portanto, ambígua: oscila entre o reconhecimento jurídico de seus direitos e uma marginalização cultural e estrutural que os segrega, refletindo uma contradição que precisa ser superada.

Em primeira análise, evidencia-se a desvalorização do idoso no tecido sociocultural. Influenciada por uma lógica capitalista que prioriza a produtividade e o culto à juventude, a sociedade muitas vezes enxerga a velhice como sinônimo de obsolescência. Essa visão é perpetuada pela mídia, que raramente representa essa fase da vida com complexidade, restringindo-a a estereótipos de fragilidade ou dependência. Como consequência, forma-se um imaginário coletivo que despreza a experiência e sabedoria acumuladas, relegando os mais velhos a um plano de invisibilidade e, não raro, ao descarte social.

Paralelamente à exclusão simbólica, a fragilidade das políticas públicas configura outro grave entrave. O sistema previdenciário enfrenta crises sucessivas, ameaçando a segurança financeira dessa população. Na saúde, a falta de preparo do SUS para doenças crônicas e o subfinanciamento da geriatria impõem barreiras ao envelhecimento saudável. Ademais, as cidades, planejadas para corpos jovens, negam acessibilidade com a escassez de rampas, transporte adaptado e calçadas regulares, cerceando o direito de ir e vir e aprofundando o isolamento dos idosos.

Diante desse cenário, é imperativo que o Estado, em consonância com a sociedade, atue para ressignificar o envelhecimento. Urge a implementação de políticas públicas robustas, com a ampliação e fiscalização da aplicação do Estatuto do Idoso, garantindo seus direitos. Além disso, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve fomentar projetos de convivência intergeracional, desconstruindo estigmas desde a infância. A mídia, por sua vez, tem o dever ético de representar a velhice em sua pluralidade, honrando sua contribuição.

Em síntese, a jornada em direção a uma sociedade verdadeiramente inclusiva para todas as idades exige uma transformação de mentalidades e estruturas. Superar a perspectiva que enxerga o idoso como um fardo é reconhecer que o envelhecer, longe de ser um problema, é uma conquista e parte indissociável da vida. Cabe ao Brasil honrar sua maturidade como nação, valorizando aqueles que a construíram.

Leia mais

Sorocaba
Parque das Águas recebe a feira de adoção de cães e gatos do Canil Municipal neste sábado (7)
Variedades
A série da Netflix que colocou a The Reacher em risco
Tecnologia
Quais as vantagens de ter uma Alexa com tela? (E por que agora é o melhor momento para comprar)
Variedades
STF tem dois votos para negar novamente prisão domiciliar de Bolsonaro
Sorocaba
GCM detém homem por tráfico de drogas em Brigadeiro Tobias
Tecnologia
Seagate inicia venda de HDs de 44 TB com tecnologia HAMR

Mais lidas hoje