Ciência e produtores do Pampa se unem pela sustentabilidade na pecuária

A busca pela sustentabilidade na pecuária ganha força no bioma Pampa, onde ciência e produtores trabalham lado a lado para reduzir o impacto ambiental da atividade. Pesquisas conduzidas pela Embrapa Pecuária Sul (RS) mostram que a seleção genética e o manejo adequado das pastagens podem diminuir de forma significativa a emissão de metano, um dos principais gases de efeito estufa da pecuária.

As Provas de Emissões de Gases (PEG) já avaliaram mais de 150 reprodutores de raças como Angus, Charolês, Hereford e Braford. O objetivo é identificar animais mais eficientes na conversão alimentar e com menor produção de metano, características que podem ser incorporadas aos programas de melhoramento genético.

De acordo com a pesquisadora Cristina Genro, os resultados trazem perspectivas positivas:

“Se pensarmos nessa característica espalhada por milhões de animais, a redução da emissão de metano pode ser extremamente significativa”, afirma.

Compromissos globais e avanços tecnológicos

O Brasil assumiu na COP26, realizada em 2021, o compromisso de reduzir emissões de metano. Nesse contexto, os trabalhos da Embrapa ganham relevância estratégica.

Para ampliar a escala das pesquisas, a unidade adquiriu o GreenFeed, equipamento que mede individualmente e de forma contínua as emissões de metano em bovinos. A tecnologia permitirá monitorar até 100 animais ao mesmo tempo e consolidar dados que servirão de base para índices genéticos aplicados à pecuária.

Manejo de pastagens como aliado do produtor

Além da genética, o manejo de pastagens também se destaca como ferramenta essencial para reduzir emissões. Estudos realizados no Pampa indicam que animais em altura ideal de pastejo chegaram a emitir 30% menos metano do que os índices de referência do IPCC.

O controle da lotação animal por hectare e o uso de espécies forrageiras adaptadas contribuem para manter o solo mais fértil, com maior acúmulo de carbono, ampliando os ganhos ambientais e produtivos.

Sustentabilidade e valorização de mercado

As pesquisas integram iniciativas da Embrapa já reconhecidas, como a Carne Carbono Neutro (CCN), a Carne Baixo Carbono (CBC) e o Carbono Nativo (CN). O objetivo é oferecer ao mercado uma carne com diferencial ambiental, alinhada à crescente demanda por sustentabilidade.

Segundo Cristina Genro, o potencial de mitigação das emissões pode chegar a 38% com melhoramento genético, 20% com dietas balanceadas e 35% com manejo adequado de pastagens.

“Tudo isso contribui para uma pecuária mais sustentável e para a valorização da carne brasileira nos mercados interno e externo”, destaca.

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