A jornalista e ex-senadora Ana Amélia Lemos e a advogada Soraia Mendes discutiram, nesta quinta-feira (21), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se o relatório da Polícia Federal (PF) sela a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O documento traz uma série de diálogos recuperados do celular de Bolsonaro apreendido durante a investigação. Segundo a PF, as conversas mostram estratégias coordenadas para tentar livrar o ex-presidente de uma possível condenação por tentativa de golpe de Estado.
Ana Amélia avalia que as novas informações não mudam a situação do ex-presidente.
“Esse diálogo e essa apuração da Polícia Federal não traz grandes novidades sobre esse processo. Talvez a sanção adotada pelo governo americano com base na lei Magnitsky acabou provocando uma reação muito mais intensa de inconformidade dentro do Poder Judiciário brasileiro e de outras instituições políticas do regime democrático que vivemos”, disse.
“As conversas não trazem grandes novidades a não ser os termos usados nesta gravação. Mas eu acredito sim que o que pesa nesse processo é justamente a tentativa de intimidar o Poder Judiciário para fins de obter um resultado diferente. Aí, talvez, há uma ação e houve uma reação desfavorável ao processo que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro”, continuou.
Soraia acredita que existirá um efeito político, mas não jurídico.
“Essas mensagens todas, essa forma inclusive grosseira, chula, baixa de um filho se referir ao pai mostra a articulação criminosa na sua maior baixeza. Esse tipo de vocabulário, a forma de se dirigir uns aos outros traz um clima muito ruim”, defendeu.
“Se vê desmanchando em público a figura de alguém que durante muito tempo, apesar de tudo o que nós conhecemos […], mantinha uma ideia de cidadão de bem, bom pai, uma pessoa que estava ali como um bom crisão se colocando sempre a serviço do outro. A gente está vendo que não é isso. Isso inevitavelmente impacta também o julgador, que é um ser humano de carne e osso”, afirmou.