No sudeste de Mato Grosso, a 215 km de Cuiabá, Rondonópolis abriga um dos maiores complexos logísticos do país. A Capital do Agronegócio de 263 mil habitantes é sede do Terminal de Rondonópolis, considerado o maior terminal ferroviário de grãos da América Latina. Emancipada em 1953, tem menos de 75 anos como município e já figura entre as principais economias do Centro-Oeste, com o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) do estado.
Do povoado do Rio Vermelho à cidade que homenageia Rondon
O povoamento começou em 1902, com a fixação de famílias vindas de Goiás e de Cuiabá nas margens do Rio Vermelho. Em 10 de agosto de 1915, o presidente do estado Joaquim da Costa Marques assinou o decreto que reservou 2.000 hectares para o patrimônio da povoação, marco oficial da fundação segundo a Prefeitura de Rondonópolis.
Três anos depois, em 1918, o povoado do Rio Vermelho recebeu o nome atual em homenagem ao Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, patrono da cidade e um dos maiores desbravadores do sertão brasileiro. A trajetória política foi lenta: passou a distrito de Santo Antônio do Leverger em 1920, depois virou distrito de Poxoréu em 1938. A emancipação política só veio em 10 de dezembro de 1953, com a assinatura da Lei nº 666, quando Rondonópolis se separou de Poxoréu e foi elevada oficialmente à categoria de município.
O patrono que dá nome à cidade
Cândido Rondon nasceu em 5 de maio de 1865, no distrito de Mimoso, em Santo Antônio de Leverger, também em Mato Grosso. Militar, engenheiro e sertanista, foi responsável pelo desbravamento de vastas áreas do interior brasileiro, estendendo linhas telegráficas do Rio de Janeiro até as fronteiras com a Bolívia e o Peru.
Em 1910, Rondon criou o Serviço de Proteção aos Índios e Trabalhadores Nacionais (SPILTN), embrião da Fundação Nacional do Índio. O lema Morrer se preciso for, matar nunca virou marca de sua atuação junto aos povos originários. O sertanista deu nome a uma cidade que ele mesmo nunca chegou a habitar, mas cujo território explorou em várias expedições. O Museu Rosa Bororo, no antigo prédio da Prefeitura, preserva a memória do desbravador e do povo Bororo, que ocupava a região.
O maior terminal ferroviário de grãos da América Latina
O grande motor da economia local é o Terminal de Rondonópolis (TRO), operado pela Rumo Logística e considerado o maior terminal ferroviário de grãos da América Latina. Segundo a Revista Oeste, o complexo tem capacidade anual de 40 milhões de toneladas e recebe até 2 mil caminhões por dia no auge da safra.
Do terminal partem trens gigantes de 120 vagões, cada composição com 11,5 mil toneladas úteis de grãos rumo ao Porto de Santos, em São Paulo. São em média sete trens por dia, o que equivale a mais de 80 mil toneladas de soja escoadas diariamente da cidade. A Rumo anunciou em 2026 o início da construção da Ferrovia de Mato Grosso, projeto de 740 km ligando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde. A primeira fase, entre Rondonópolis e Dom Aquino, foi entregue em junho de 2026 com investimento de mais de R$ 5 bilhões, e conta com terminal projetado para movimentar 10 milhões de toneladas por ano.
Capital do Agronegócio e do Bitrem
A vocação agrícola de Rondonópolis se consolidou a partir da década de 1970, com a chegada da soja ao cerrado mato-grossense. Antes disso, a região convivia com o ciclo do diamante em Poxoréu e a policultura de arroz, feijão e algodão. O município é oficialmente reconhecido como Capital Nacional do Agronegócio, título ligado ao entroncamento das BR-163 e BR-364, que cortam a cidade.
Também carrega o apelido de Capital Nacional do Bitrem, referência à intensa movimentação de bitrens (carretas com dois reboques) que abastecem o terminal ferroviário. Em abril de 2026, a chinesa Cofco anunciou investimento de mais de R$ 2 bilhões para transformar sua unidade local no maior complexo de esmagamento de soja do país. Mato Grosso responde por cerca de um terço da produção nacional de grãos e Rondonópolis é o principal ponto de escoamento do estado.
Qual a melhor época para visitar Rondonópolis?
O clima é tropical de savana (Aw na classificação de Köppen), com verão chuvoso e inverno seco. A cidade fica a 227 metros de altitude, o que faz das tardes de verão intensamente quentes.
museus e centro histórico
cachoeiras com volume alto
Parque Dom Osório Stoffel e trilhas
festas juninas e vida noturna
Dica do especialista:
Parque Dom Osório Stoffel e trilhas
cachoeiras com volume alto
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Entre setembro e outubro, o auge da estação seca traz temperaturas que passam de 35°C durante o dia. O melhor período para conhecer as cachoeiras da região é entre março e maio, quando o Rio Vermelho e seus afluentes estão com volume alto.
Como chegar em Rondonópolis?
A cidade fica a 215 km de Cuiabá pela BR-364, com viagem de cerca de 3 horas de carro. De Campo Grande, são 485 km pela BR-163, e de Brasília, cerca de 1.100 km.
O Aeroporto Regional Marechal Rondon, em Várzea Grande (Cuiabá), é o principal ponto de chegada para quem vem de outros estados, com voos diretos para as capitais do Sudeste, Sul e Nordeste. Rondonópolis conta com o Aeroporto Doutor Alberto Bordini Bertolucci, mas com operação regional restrita. Ônibus regulares partem de Cuiabá, Campo Grande, Brasília e São Paulo com frequência diária.
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Vá conhecer Rondonópolis
Poucas cidades brasileiras conseguem contar uma história de cerca de 70 anos como município e ainda assim figurar entre as principais economias do agronegócio mundial. Rondonópolis segue no ritmo dos trens gigantes que partem rumo a Santos e dos caminhões que cruzam a BR-364 24 horas por dia.
Você precisa visitar o Museu Rosa Bororo e ver de longe o movimento do TRO para entender por que a cidade batizada em homenagem ao Marechal Rondon virou a Capital Nacional do Agronegócio em menos de um século.



