Fundada em 1750 por 182 casais açorianos, São José é a quarta cidade mais antiga de Santa Catarina e ainda respira o sotaque das ilhas do Atlântico. A cidade cresceu colada em Florianópolis, mas manteve casarões coloridos, torno de barro e uma orla que enquadra a Ilha ao entardecer.
Herança açoriana que ainda ferve na Ponta de Baixo
Os primeiros colonos vieram de seis ilhas dos Açores, entre elas Pico, Terceira e São Miguel, e desembarcaram na costa catarinense em 19 de março de 1750. Trouxeram a devoção ao Divino, o Boi de Mamão e a técnica do torno que fixou raízes na Ponta de Baixo, bairro à beira-mar do centro histórico.
Em 1829, São José recebeu o primeiro núcleo de colonização alemã de Santa Catarina, misturando cafés coloniais à cozinha portuguesa. Essa dupla origem aparece nos casarões luso-brasileiros dos séculos XVIII e XIX preservados no Centro Histórico, apontados pela prefeitura como um dos conjuntos arquitetônicos mais completos do estado.
A curiosidade que faz São José única na América Latina
Nos séculos XIX e XX, a cidade foi polo produtor e exportador de louças de barro. A técnica açoriana fincou pé na Ponta de Baixo, e na década de 1950 a região chegou a abrigar cerca de 20 olarias, o que rendeu à cidade o título de Capital da Louça de Barro de Santa Catarina.
Quando o ofício começou a desaparecer, o mestre Joaquim Antônio de Medeiros foi um dos poucos a resistir. Em 30 de novembro de 1992, a antiga olaria virou a Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros, hoje apontada pela prefeitura como a única instituição profissional de olaria em funcionamento na América Latina. Cerca de 200 alunos, de 9 a 80 anos, aprendem no torno de graça.
O que ver em São José além do centro histórico?
A cidade cabe num roteiro de dois dias, com passeios entre casarões, orla e mata atlântica. Vale intercalar caminhada e mesa à beira-mar.
- Theatro Adolpho Mello: pedra fundamental em 1854, é a mais antiga casa de espetáculos de Santa Catarina, segundo a prefeitura.
- Museu Histórico de São José Gilberto Gerlach: instalado no Solar dos Ferreira de Mello, reúne acervo dos séculos XVIII e XIX.
- Escola de Oleiros: visita guiada mostra o torno em ação e peças utilitárias feitas à mão.
- Beira-Mar de São José: calçadão com pistas de caminhada e vista para a Ilha de Santa Catarina.
- Parque Ambiental dos Sabiás: em Forquilhas, tem trilha ecológica e horto florestal.
- Morro da Pedra Branca: ponto mais alto do município, com trilha e vista panorâmica das duas baías.
Onde comer e provar a cozinha josefense
A cozinha mistura Atlântico e serra. Nos fins de semana, a Ponta de Baixo se enche de mesas na calçada com peixe fresco e pôr do sol.
- Sequência de camarão: prato clássico do litoral catarinense, servido em porções fartas nos restaurantes da orla.
- Frutos do mar da Ponta de Baixo: botecos históricos com ostras, siri e peixes do dia.
- Cafés coloniais: herança da colonização alemã, com cucas, pães e geleias em mesas comunitárias.
Leia também: Com 365 ilhas e reconhecimento da UNESCO, este arquipélago é um dos poucos com águas cristalinas o ano todo.
Como é o clima de São José durante o ano?
O clima é subtropical úmido, com chuvas bem distribuídas e verões abafados. Primavera e outono costumam ser as melhores janelas para o roteiro a pé.
orla ao amanhecer
centro histórico e os museus
Escola de Oleiros e aproveite os cafés
trilha na Pedra Branca
Dica do especialista:
orla ao amanhecer
centro histórico, museus e a Escola de Oleiros
trilha na Pedra Branca
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a São José
A cidade fica a cerca de 12 km do centro de Florianópolis e a 20 km do Aeroporto Internacional Hercílio Luz. O acesso principal é pela BR-101, que corta o município, com apoio da BR-282 para quem vem do interior. Ônibus intermunicipais ligam São José aos principais bairros da capital em menos de meia hora.
Vá conhecer o outro lado da Grande Florianópolis
São José reúne 275 anos de herança açoriana, orla voltada para a Ilha e um IDH classificado como muito alto (0,809) pela ONU, o quarto de Santa Catarina. É a cidade em que dá para ouvir barro girando no torno e, minutos depois, jantar camarão de frente para o mar.
Você precisa reservar um fim de semana e caminhar pelo Centro Histórico e pela Ponta de Baixo para entender por que tanta gente troca a capital por essa vizinha mais quieta.



