Diz a tradição que o português Duarte Coelho avistou as colinas verdes do litoral e soltou a frase que batizaria o lugar. Nascia Olinda, hoje um dos centros históricos mais bem preservados das Américas, em Pernambuco, além de, muitas vezes, ser comparada como a “Lisboa brasileira”.
De onde vem o nome e a fama da cidade?
A resposta está numa exclamação de quase cinco séculos. Segundo a tradição registrada pela prefeitura, o donatário da Capitania de Pernambuco subiu a colina, olhou a paisagem e disse: “Ó linda situação para se construir uma vila”.
O nome pegou e a vila prosperou rápido. Enriquecida pela cana-de-açúcar, Olinda se tornou a cidade mais rica do Brasil colonial entre os séculos XVI e XVII, a ponto de cronistas da época a compararem a uma Lisboa em miniatura.
O incêndio holandês que quase apagou a cidade
Toda essa riqueza atraiu invasores. Em 1630, os holandeses tomaram a capitania e, no ano seguinte, atearam fogo aos casarões antes de transferir a capital para o Recife.
Quase nada da arquitetura quinhentista sobreviveu às chamas, mas o traçado irregular das ladeiras permaneceu. Após a expulsão dos invasores em 1654, a cidade foi reconstruída, e esse conjunto é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1968, com 1,2 km² e cerca de 1.500 imóveis.
O que visitar no centro histórico de Olinda?
O centro é compacto e se percorre a pé, entre igrejas barrocas, casarões coloridos e mirantes com vista para o mar. As atrações se revelam a cada curva de ladeira.
- Alto da Sé: ponto mais alto da cidade, com a Catedral, o mercado de artesanato e as barracas de tapioca. Vista panorâmica do Recife e do Atlântico.
- Mosteiro de São Bento: iniciado em 1599, com altar folheado a ouro que já foi exposto no Museu Guggenheim de Nova York em 2002. A missa de domingo tem canto gregoriano.
- Rua do Amparo: coração cultural do centro, reúne ateliês de artistas, cafés e a casa de Alceu Valença.
- Museu do Mamulengo: primeiro museu de bonecos populares da América Latina, com acervo de cerca de 1.200 peças.
- Convento de São Francisco: um dos conjuntos religiosos mais antigos do país, com painéis de azulejos portugueses no claustro.
Por que os bonecos gigantes são o símbolo do Carnaval?
Porque nenhuma outra festa tem nada igual. A tradição dos bonecos gigantes ganhou as ladeiras em 1932, quando estreou o Homem da Meia-Noite, calunga de quase quatro metros de fraque e cartola.
Até hoje é ele quem abre oficialmente a folia, na madrugada de sábado. Depois vieram a Mulher do Dia e o Menino da Tarde, e o carnaval de rua embala frevo e maracatu pelas ladeiras. O frevo, aliás, é Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO desde 2012.
O que comer entre uma ladeira e outra?
A cozinha olindense mistura heranças indígena, portuguesa e africana. Boa parte da experiência acontece nas barracas e casarões do centro.
- Tapioca do Alto da Sé: barracas tradicionais servem versões doces e salgadas no fim da tarde, com vista para o casario e o mar.
- Bolo de rolo: doce típico pernambucano de massa fininha enrolada em camadas de goiabada.
- Oficina do Sabor: casarão histórico conhecido pelos pratos da culinária pernambucana, como o bobó de camarão na moranga.
Leia também: A “Pequena Europa Brasileira” a 830 metros nas montanhas com o maior evento natalino do país.
Qual a melhor época para visitar Olinda?
O clima é quente o ano todo, com temperaturas médias entre 23°C e 31°C. A diferença fica por conta das chuvas, mais frequentes no outono e início do inverno.
Carnaval
ladeiras do centro
igrejas
museus cobertos
festas juninas
gastronomia
mirantes
ateliês do Amparo
Dica do especialista:
verão
primavera
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Olinda?
A cidade fica a cerca de 7 km do centro do Recife e a menos de 20 km do Aeroporto Internacional dos Guararapes. O trajeto de táxi ou aplicativo leva em torno de 30 minutos, e há ônibus municipais ligando as duas cidades com frequência.
Suba as ladeiras da cidade patrimônio
Olinda reúne em pouco mais de um quilômetro quadrado quase cinco séculos de história, dezenas de igrejas barrocas e uma cultura popular que vai do canto gregoriano ao frevo. Poucas cidades brasileiras entregam tanta beleza em tão pouco espaço.
Você precisa subir as ladeiras de Olinda e ver, do Alto da Sé, o mesmo horizonte de mar que encantou quem chegou aqui em 1535.



