Fundada por um imperador, esta cidade serrana guarda palácios, clima europeu e a primeira cervejaria do Brasil

Quem sobe a BR-040 saindo do Rio de Janeiro percebe o frescor antes mesmo de chegar: a temperatura cai até dez graus na subida da serra, e Petrópolis é a cidade que aparece no vale com ruas de traçado europeu e canais a céu aberto que resistem ao tempo desde 1843.

Quando um imperador decidiu construir uma cidade do zero

Dom Pedro I conheceu a região serrana em 1830, encantado com o clima ameno da Mata Atlântica, e comprou a Fazenda do Córrego Seco, mas abdicou do trono sem usar o terreno. Coube ao filho, Dom Pedro II, transformar a propriedade em cidade. Em 16 de março de 1843, o imperador assinou o decreto que criou Petrópolis e entregou o traçado urbano ao engenheiro prussiano Julius Friedrich Koeler, que desenhou quarteirões regulares, ruas largas e canais inspirados na Europa. O nome vem do latim e significa simplesmente “cidade de Pedro”.

A construção do palácio de verão começou em 1845 e só terminou em 1862, financiada com recursos pessoais do imperador. Durante o Segundo Reinado, a corte inteira migrava para a serra nos meses quentes, tornando a cidade a capital informal do Império por décadas. Dois anos depois da proclamação da república, Petrópolis substituiu Niterói como capital do estado do Rio entre 1894 e 1902. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) registrou e protegeu o conjunto urbano-paisagístico, ampliado em 2026 para incluir encostas da Mata Atlântica na área tombada.

O que visitar no centro histórico da Cidade Imperial?

O centro concentra a maioria das atrações em um raio que se percorre a pé, com a Avenida Koeler funcionando como eixo principal do roteiro. Casarões do século XIX abrigam museus, restaurantes e hotéis a poucos minutos uns dos outros.

  • Museu Imperial: o palácio de verão de Dom Pedro II, construído entre 1845 e 1862, abriga cerca de 300 mil itens do período monárquico. Visitantes calçam pantufas de feltro para proteger o piso original de mármore de Carrara e jacarandá. O acervo inclui a coroa de Dom Pedro II, com 639 diamantes e 77 pérolas, e a pena com que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea. Fotos são proibidas no interior do palácio.
  • Catedral de São Pedro de Alcântara: construída em 1884 em estilo neogótico francês, levou 93 anos para ser concluída. No interior, o Mausoléu Imperial guarda os restos mortais de Dom Pedro II, Dona Teresa Cristina e Princesa Isabel.
  • Museu Casa de Santos Dumont: a única casa que o inventor construiu para si mesmo, em 1918, apelidade “A Encantada” pelos moradores. Não tem cozinha, pois as refeições vinham do hotel vizinho. A escada tem degraus em formato de raquete e obriga todos a subirem com o pé direito.
  • Palácio Quitandinha: inaugurado em 1944 como o maior hotel-cassino da América Latina, com 50 mil m² e cúpula de 30 metros. Hoje funciona como centro cultural do Sesc Rio, com exposições e eventos.
  • Palácio de Cristal: estrutura pré-fabricada em ferro e vidro, importada da França em 1884. Cartão-postal da cidade, o espaço hoje sedia a Bauernfest e outros eventos culturais ao longo do ano.

Petrópolis é o berço da cerveja brasileira

Em 1853, o imigrante alemão Henrique Leiden fundou em Petrópolis a primeira cervejaria do Brasil. A fábrica passou por outros proprietários até receber o nome Bohemia em 1898, que permanece até hoje. A Turispetro, secretaria de turismo local, reconhece a cidade como Capital Estadual da Cerveja, com mais de 20 cervejarias artesanais em atividade.

O tour na Cervejaria Bohemia, no endereço original do centro histórico, mostra a história da bebida no Brasil, o processo de fabricação em sua nanobrewery e termina com degustação. A cada junho, a Bauernfest, festa alemã realizada no Palácio de Cristal, reúne danças típicas, eisbein, chope e shows, sendo a segunda maior festa germânica do Brasil.

Gastronomia serrana: fondue, truta e influência alemã

A herança dos imigrantes alemães e suíços moldou a cozinha local de forma que vai além dos museus. Nos dias frios de inverno, os restaurantes de fondue ficam lotados, e a truta criada nos rios da região aparece nos cardápios de formas variadas.

  • Fondue: o prato mais pedido nos meses frios, servido em versões de queijo, carne na pedra e chocolate. O rodízio com reposição livre é o formato favorito dos visitantes no centro histórico.
  • Truta serrana: peixe criado nos rios e trutários da região, servido grelhado, ao molho de amêndoas ou em crosta, em restaurantes como o Trutas do Rocio, em Vargem Grande, com trutário próprio desde 1982.
  • Eisbein: joelho de porco defumado com chucrute e batata, presença constante nos restaurantes de influência alemã da Rua Teresa e do centro.
  • Torrada Petrópolis: pão artesanal com manteiga derretida ou queijo gratinado, servida nas cafeterias do centro histórico como lanche típico da cidade.

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Quando ir e o que esperar do clima da serra?

A altitude de 809 metros mantém Petrópolis mais fresca que o litoral durante todo o ano, com estações bem marcadas e verões que raramente passam dos 30°C.

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Dica do especialista:
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Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. O inverno seco é a alta temporada. No verão, as tardes costumam ter pancadas de chuva; prefira passeios ao ar livre pela manhã.

Como chegar à Cidade Imperial saindo do Rio

Petrópolis fica a 68 km do Rio de Janeiro pela BR-040, com pedágio nos dois sentidos. De carro, a subida leva cerca de 1h15 dependendo do tráfego. Ônibus partem da Rodoviária Novo Rio com frequência ao longo do dia, com trajeto de aproximadamente 1h30.

Suba a serra e entre no palácio de pantufas

Poucos destinos brasileiros reúnem história imperial, tradição cervejeira centenária, natureza preservada e gastronomia serrana a pouco mais de uma hora da capital fluminense. Petrópolis entrega tudo isso em ruas que se percorrem a pé.

Você precisa subir a BR-040, calçar as pantufas no Museu Imperial e brindar com um chope artesanal na cidade onde o Brasil começou a fabricar cerveja.

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