Relatório: Snapchat falha em 73% dos recursos de segurança para crianças. Instagram, Youtube e TikTok também são testados

Um relatório do Cybersafety Research Center testou 86 recursos de segurança infantil no Snapchat, no Instagram, no TikTok e no YouTube, e o resultado é a confirmação técnica do que muitos suspeitavam: as promessas de proteção feitas pelas plataformas às famílias não resistem a um teste controlado. Apenas 35 dos 86 recursos funcionaram conforme o documentado. O restante estava quebrado, enterrado em camadas de configurações ou simplesmente inexistente.

Snapchat na lanterna, mas ninguém passa

Graph that shows where child safety features fail. Snapchat: 11 tested, 8 failedInstagram: 29 tested, 20 failedYouTube: 22 tested, 10 failedTikTok: 24 tested, 12 failed

Os pesquisadores criaram contas falsas de adolescentes e adultos para verificar, na prática, o comportamento de cada recurso. O Snapchat registrou a pior taxa de falha: 73%. O Instagram ficou em segundo lugar com 66%, seguido pelo YouTube com 55% e pelo TikTok com 50%. Para contextualizar: até o melhor colocado da lista falha em metade dos recursos que diz oferecer.

No Snapchat, uma conta adulta de teste conseguiu localizar e enviar mensagens para uma conta infantil sem encontrar nenhuma restrição no caminho. No Instagram, a plataforma bloqueou o contato iniciado por adultos com adolescentes que não os seguiam, mas bastou que a criança enviasse a primeira mensagem para que o adulto pudesse responder livremente, sem nenhum aviso ou filtro. No TikTok, uma conta menor de idade buscando conteúdo relacionado a transtornos alimentares recebeu do próprio algoritmo sugestões de termos ligados a comunidades pró-anorexia, incluindo frases sobre esconder comida e autolesão.

Nove recursos que não existem de verdade

How Old Should My Kids Be Before I Let Them Use Social Media?

 

O dado mais grave do relatório pode ser o mais simples: nove recursos foram classificados como completamente ausentes. Os pesquisadores seguiram as instruções descritas pelas próprias empresas e não conseguiram acionar nenhum deles. Não se trata de má configuração ou de um comportamento inesperado: os recursos simplesmente não existem no produto real da forma como são anunciados.

Os quatro criticamente afetados também compartilham outra falha estrutural: nenhuma das plataformas conseguiu fazer funcionar nenhuma das proteções contra cyberbullying. Todas as salvaguardas de conduta falharam de forma uniforme nos quatro serviços testados.

As empresas contestam. O método é robusto

As quatro companhias refutaram as conclusões do estudo, argumentando que os recursos funcionam como planejado ou que a metodologia dos testes não reflete o uso real das plataformas por crianças de verdade. É uma resposta previsível, mas que não endereça o ponto central: os pesquisadores seguiram exatamente os passos descritos pelos próprios documentos e páginas de suporte das empresas.

O contexto regulatório em que esse relatório emerge é relevante. O Reino Unido avança em direção a um banimento de redes sociais para menores de 16 anos, e restrições similares ganham força em outros países. A Austrália, que implementou o banimento mais radical, enfrenta um problema diferente: pesquisas separadas indicam que 85% dos adolescentes continuam acessando as plataformas mesmo após a proibição, contornando os controles de verificação de idade com facilidade.

Fonte: Digital Trends

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