Bonito faz jus ao nome. A cerca de 300 km de Campo Grande, no coração do Mato Grosso do Sul, a Capital do Ecoturismo é um paraíso ao abrigar rios tão transparentes que é possível enxergar peixes a 30 metros de profundidade, como se o mundo subaquático fosse um aquário sem paredes.
Por que Bonito é única no mundo do ecoturismo?
A pergunta tem uma resposta concreta. Em dezembro de 2022, esse paraíso preservado se tornou o primeiro destino de ecoturismo do mundo certificado como carbono neutro, reconhecimento concedido pela Green Initiative, uma das organizações certificadoras credenciadas pela ONU (Organização das Nações Unidas). O título não veio do acaso, é resultado de décadas de gestão ambiental rigorosa.
A transparência dos rios é produto direto da Serra da Bodoquena, cujas rochas calcárias filtram a água com uma eficiência que nenhuma tecnologia consegue replicar. O Parque Nacional da Serra da Bodoquena, gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), protege mais de 76 mil hectares de Cerrado com influências de Mata Atlântica e Pantanal, e abriga mais de 340 espécies de aves e 50 de peixes.
Eleita 19 vezes um paraíso: o modelo que 40 países copiaram
Desde que a Revista Viagem e Turismo criou o prêmio de melhor destino de ecoturismo do Brasil, Bonito venceu em 19 das 21 edições. O segredo não está só na natureza, está na forma de gerir o turismo. Em 1995, a cidade criou o sistema de Voucher Único, um documento que controla o número máximo de visitantes em cada atrativo por dia, calculado por biólogos a partir da capacidade de carga sustentável. O modelo foi estudado e adotado por mais de 40 países.
Cada passeio exige agendamento antecipado em uma agência credenciada. Nenhum turista entra em um atrativo sem guia ou voucher. O resultado é visível: rios que recebem visitantes há décadas sem perder a transparência.
O que fazer em Bonito: passeios que a cidade tem de sobra
Com mais de 38 atrativos na região, a dificuldade em Bonito não é achar o que fazer, é escolher. Reserve no mínimo três dias inteiros para cobrir os tipos principais de passeio neste paraíso preservado.
- Gruta do Lago Azul: cartão-postal tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1978, guarda um lago subterrâneo de azul intenso e fósseis de preguiça-gigante e tigre-dentes-de-sabre com cerca de 2,6 milhões de anos (11 mil anos atrás). A descida envolve cerca de 300 degraus.
- Rio Sucuri: considerado um dos rios com águas mais cristalinas do mundo, oferece flutuação de até 1,8 km entre plantas aquáticas e cardumes de piraputangas.
- Recanto Ecológico Rio da Prata: flutuação de 2,2 km com visibilidade excepcional e fauna aquática abundante. O ingresso inclui almoço típico servido no fogão a lenha.
- Abismo Anhumas: rapel de 72 metros dentro de uma caverna até um lago subterrâneo, onde é possível mergulhar. Um dos passeios mais radicais do Brasil.
- Cachoeira Boca da Onça: a maior queda d’água do Mato Grosso do Sul, com 156 metros de altura, a cerca de 50 km de Bonito, em Bodoquena.
- Buraco das Araras: dolina de mais de 500 metros de diâmetro habitada por araras-vermelhas, papagaios e urubus-rei. Ideal para observação de aves.
Quando o clima define qual passeio vale mais a pena?
Bonito tem duas estações bem definidas: um verão chuvoso e um inverno seco. Cada período favorece experiências diferentes e nenhum impede as visitas.
cachoeiras em plena vazão
passeios de bote
flutuações, grutas e balneários
águas atingem o ápice da transparência
mergulhos
Gruta do Lago Azul
luz solar no lago
Dica do especialista:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Na primavera (setembro a fevereiro), a luz solar penetra direto no lago da Gruta do Lago Azul, realçando o azul intenso que deu nome ao local.
O que comer em Bonito além das paisagens
A gastronomia local mistura influências pantaneiras, indígenas e paraguaias, com os peixes de água doce no centro de quase todo cardápio. O Paraguai fica a cerca de 130 km de Bonito, e essa proximidade aparece nos pratos.
- Pacu na brasa: o prato mais pedido da cidade. O peixe do Pantanal chega à brasa, acompanhado de pirão, arroz e farofa.
- Moqueca pantaneira: feita com pintado regional, banana da terra, dendê e mandioca, é a especialidade da Casa do João, restaurante pioneiro de Bonito.
- Piraputanga: peixe com escamas prateadas e nadadeiras alaranjadas, símbolo dos rios da região, servido frito, assado ou recheado com farofa de banana.
- Sopa paraguaia: bolo salgado de milho ou fubá com queijo e cebola, presença constante nos cardápios da cidade-fronteira.
- Carne de jacaré: iguaria de abate legal com sabor próximo ao de peixe, servida empanada ou em tiras crocantes no Juanita Restaurante.
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Como chegar à Capital do Ecoturismo
Bonito tem aeroporto próprio, o Aeroporto de Bonito (BYO), a 14 km do centro, com voos diretos de São Paulo pelas principais companhias aéreas. Quem chega a Campo Grande percorre cerca de 300 km pela MS-345, totalmente pavimentada, em aproximadamente 3h20 de carro. O fuso horário do Mato Grosso do Sul é uma hora a menos que o horário de Brasília.
Bonito espera por quem chega pronto para se encantar
Poucas cidades brasileiras conseguem combinar natureza preservada, gestão turística exemplar e gastronomia autêntica com tanta consistência. Bonito faz isso há décadas e continua melhorando.
Você precisa conhecer Bonito e entender com os próprios olhos por que um rio pode parecer mais bonito do que qualquer aquário do mundo.



