5 palavras do português brasileiro que parecem nacionais mas vieram de outros idiomas

O português falado no Brasil absorveu ao longo dos séculos vocabulário de dezenas de línguas, e o resultado é que muitas palavras que soam completamente nativas têm origens em idiomas que a maioria das pessoas jamais associaria a elas. Algumas vieram de línguas indígenas, outras do árabe, do tupi, do africano ou de línguas europeias que não o português. O que todas têm em comum é que entraram tão fundo no uso cotidiano que qualquer rastro da origem estrangeira desapareceu completamente.

Abacaxi: uma palavra que veio dos povos indígenas e nunca pareceu estrangeira

O abacaxi é uma das frutas mais associadas ao Brasil no imaginário internacional, e a palavra que a nomeia acompanha essa identidade com tanta naturalidade que poucos param para questionar a origem. Ela vem do tupi-guarani, da expressão nanas comosus adaptada para o som ibá cati, que significa fruta perfumada ou fruta de cheiro forte.

O tupi foi a língua franca do litoral brasileiro nos primeiros séculos de colonização, e deixou no português brasileiro um vocabulário extenso que cobre frutas, animais, rios e comportamentos com uma completude que nenhuma outra língua indígena alcançou no idioma.

Alface: herança árabe disfarçada de vocabulário comum

A palavra alface chega ao português pelo caminho que muitas palavras do idioma percorreram: passou pelo árabe antes de entrar na língua. O termo árabe al-khass foi incorporado ao português ibérico durante o período de ocupação moura na Península Ibérica, entre os séculos VIII e XV, e chegou ao Brasil junto com o idioma trazido pelos colonizadores. O árabe deixou no português um legado vasto que inclui palavras como almanaque, algodão, almoço, aldeia e açúcar, todas começando com o artigo árabe al fundido à raiz da palavra original.

Caçamba: origem incerta que aponta para o árabe ou para o africano

A história de caçamba é mais disputada do que parece. Parte dos etimologistas aponta para o árabe qasaba, que descrevia um tipo de recipiente ou vasilha. Outra linha aponta para línguas africanas trazidas ao Brasil durante o período escravocrata, especialmente do tronco linguístico banto, que contribuiu com vocabulário relacionado a objetos domésticos e de trabalho.

O que as duas hipóteses têm em comum é que nenhuma delas aponta para o português como língua de origem, o que torna a palavra um exemplo claro de como o brasileiro pode usar algo cotidianamente sem saber que o nome veio de um continente inteiramente diferente.

Xícara: uma palavra que veio do náuatle, língua dos astecas

Essa é provavelmente a origem mais surpreendente da lista. Xícara descende do náuatle xicalli, que era o nome dado a uma cuia usada pelos povos mesoamericanos para beber líquidos, especialmente o chocolate quente que era parte central da cultura asteca.

A palavra chegou ao espanhol como jícara durante a colonização espanhola do México e foi incorporada ao português com a adaptação fonética que produziu o x inicial. O caminho percorrido pelo objeto e pela palavra é o mesmo: saiu da Mesoamérica, atravessou o espanhol colonial e entrou no português com a forma que usamos até hoje para nomear o objeto em que tomamos café.

Mochila: herança espanhola que ninguém questiona

A palavra mochila é usada no Brasil com tanta naturalidade que funciona como se sempre tivesse existido no idioma. Ela vem do espanhol, onde já existia com o mesmo significado, e foi incorporada ao português brasileiro sem nenhuma adaptação de forma ou sentido.

A origem espanhola da palavra aponta para o termo mocho, que descrevia algo cortado ou reduzido, possivelmente em referência ao formato compacto do objeto. O espanhol deixou no português brasileiro um vocabulário mais extenso do que a maioria percebe, especialmente em regiões de fronteira, mas também em palavras de uso geral que já não carregam nenhuma marca visível da língua de origem.

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