A psicologia revela: as crianças dos anos 80 e 90 desenvolveram mais resiliência não por brincarem na rua, mas porque aprenderam a lidar com o tédio 

  • O comportamento: Crianças dos anos 80 e 90 passavam horas sem estímulos prontos e precisavam inventar o que fazer.
  • O que a psicologia revela: Lidar com o tédio fortalece a resiliência, a criatividade e a autorregulação emocional.
  • Por que importa: Permitir momentos de tédio, em qualquer idade, ajuda a cultivar foco, autonomia e bem-estar.

Você é dessas pessoas que cresceram ouvindo “vá brincar lá fora” e, quando não tinha nada para fazer, acabava inventando uma brincadeira do nada? Se a sua infância foi nos anos 80 ou 90, é bem provável que sim. E aqui vai uma descoberta curiosa: segundo a psicologia, o segredo da famosa resiliência dessa geração talvez não esteja apenas em brincar na rua, mas em algo bem mais silencioso. As crianças dos anos 80 e 90 aprenderam, sem nem perceber, a conviver com o tédio, e isso deixou marcas positivas na forma como lidam com a vida hoje.

O que lidar com o tédio revela sobre a sua personalidade

Quando uma criança não tinha celular, tablet ou centenas de canais para preencher cada minuto, ela era obrigada a fazer algo incomum: olhar para o vazio e decidir o que fazer com ele. Especialistas apontam que essa convivência com o tédio ajuda a desenvolver um traço de personalidade marcante, a capacidade de tolerar o desconforto sem entrar em pânico.

Esse pequeno músculo emocional, treinado na infância, está bastante ligado à resiliência. Quem aprendeu cedo que nem todo momento precisa ser estimulante tende a lidar melhor com a frustração, com a espera e com situações que fogem do controle na vida adulta.

A ciência por trás do tédio e da resiliência

Pode parecer estranho, mas o tédio tem uma função importante para o cérebro. Quando não há nada externo prendendo a atenção, a mente começa a vagar, criar cenários e buscar soluções. Estudos indicam que esses momentos de “vazio” estão associados à criatividade e ao chamado autoconhecimento, porque é nesse espaço que surgem ideias e descobertas sobre o que realmente gostamos.

É a velha cena de transformar uma caixa de papelão em um carro, ou inventar regras para um jogo improvisado no quintal. Esse exercício constante fortalece a autorregulação emocional, a habilidade de gerenciar o próprio estado interno sem depender de estímulos externos o tempo todo. E é justamente essa habilidade que sustenta uma boa dose de resiliência diante dos desafios.

Os benefícios desse hábito no dia a dia

Aprender a conviver com o tédio não é coisa do passado, é uma habilidade valiosa em qualquer idade. Veja alguns benefícios que psicólogos observam em pessoas confortáveis com momentos de pausa:

  • Mais criatividade: a mente livre encontra soluções que a pressa não permite.
  • Maior foco: quem tolera o tédio resiste melhor à tentação de distrações constantes.
  • Resiliência emocional: frustrações e esperas se tornam mais fáceis de atravessar.
  • Autoconhecimento: os silêncios revelam o que você de fato pensa e sente.
  • Bem-estar: menos ansiedade por preencher cada segundo com algum estímulo.

Como cultivar esse hábito, mesmo na vida adulta agitada

A boa notícia é que essa habilidade pode ser desenvolvida em qualquer fase da vida, sem cobrança e sem radicalismo. Comece pequeno: experimente ficar alguns minutos sem o celular enquanto espera o café ficar pronto, ou faça uma caminhada sem fones de ouvido. Permita que a mente vagueie, mesmo que isso pareça improdutivo no início.

Se você tem filhos, vale resistir à vontade de preencher cada momento livre deles com atividades ou telas. Deixar uma criança um pouco entediada, de forma segura, é dar a ela a chance de exercitar a criatividade e a resiliência, exatamente como faziam as crianças dos anos 80 e 90.

Talvez o tédio, tão evitado nos dias de hoje, seja um velho amigo que apenas mudou de roupa. Que tal observar como você reage aos seus próprios momentos de pausa? Às vezes, é justamente ali, no aparente nada, que mora um pouco mais de força do que imaginamos.

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