Na segunda-feira, 25 de maio de 2026, o papa Leão XIV apresentou no Vaticano sua primeira encíclica. Não foi sobre fé, família ou bioética. Foi sobre inteligência artificial. Duzentas páginas. O título: Magnifica Humanitas, “Sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial”.
Sentado ao lado dele estava Christopher Olah, cofundador da Anthropic. Não é uma presença casual. A Anthropic está processando o governo Trump por tentar usar suas ferramentas como armamento militar.

“Desarmar” não é desligar o servidor
A frase da encíclica que j[a está repercutindo é que a IA precisa ser desarmada, o contexto que o Papa coloca é o seguinte:
˜Desarmar a IA significa subtraí-la à lógica da competição armada, que hoje não é apenas militar, mas também econômica e cognitiva. Trata-se da corrida ao algoritmo mais eficaz e ao banco de dados mais vasto, com o objetivo de consolidar uma vantagem geopolítica ou comercial sobre todos os outros. Desarmar significa quebrar esta equivalência entre poder técnico e direito de governar. Não significa renunciar à tecnologia, mas impedir que ela domine o ser humano.
Significa retirá-la dos monopólios, torná-la discutível, contestável e, portanto, habitável, devolvendo-a à pluralidade das culturas humanas e das formas de vida. A tarefa, hoje, não é apenas ética ou técnica: é ecológica no sentido mais radical, porque envolve uma nova dimensão da nossa Casa comum. A IA é o ambiente em que estamos imersos e o poder com que temos de lidar. Por isso, não basta regulá-la: deve ser desarmada e tornada acolhedora.
O alvo real: quatro ou cinco empresas
Quando esse poder se concentra nas mãos de poucos, tende a se tornar opaco e a escapar de qualquer controle público”, diz a encíclica. A referência não precisa de nota de rodapé. OpenAI, Google DeepMind, Meta AI, Anthropic e Microsoft controlam hoje a maior parte da infraestrutura de IA do planeta.
Considero que hoje, para salvaguardar a pessoa humana na era da inteligência artificial, devemos voltar a refletir sobre o bem comum, a destinação universal dos bens, a subsidiariedade, a solidariedade e a justiça social. Estou convencido de que a relação harmoniosa entre estes princípios exige que sejam considerados no seu conjunto, para que se torne claro o modo como se complementam e iluminam mutuamente, acrescenta o Papa.
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