Com mais de 300 anos de história, essa joia de Goiás encanta ao combinar ruas antigas e paisagens naturais impressionantes

Fundada em 1727 por bandeirantes que encontraram ouro às margens do Rio das Almas, em Pirenópolis, no estado de Goiás, a cidade guarda na Serra dos Pireneus mais de 80 cachoeiras catalogadas e um dos centros históricos mais bem preservados do Brasil. O conjunto urbano mantém viva a atmosfera do século XVIII, com ruas de pedra, casarões coloniais e uma paisagem que conecta natureza e história de forma única.

Como o garimpo de ouro moldou o centro histórico de Pirenópolis?

Fundada em 1727 por bandeirantes que encontraram ouro às margens do Rio das Almas, a atual Pirenópolis, em Goiás, nasceu como o arraial de Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte. A cidade surgiu em um ponto estratégico entre as áreas de mineração e a antiga capital Vila Boa (atual Goiás Velho), funcionando como rota de passagem de tropeiros e escoamento do ouro. O traçado urbano original, inclusive, ainda pode ser percebido no centro histórico, onde a primeira rua da cidade conectava uma antiga pousada diretamente às áreas de extração.

Com o fim do ciclo do ouro, o município preservou sua arquitetura colonial e passou por uma transformação silenciosa, sem grandes rupturas urbanas. Em 1890, o nome foi alterado para Pirenópolis, em referência à Serra dos Pireneus, que circunda a região e remete simbolicamente às montanhas entre França e Espanha. O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico da cidade foi tombado pelo IPHAN em 1990, enquanto a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário já havia sido reconhecida em 1941, sendo o primeiro bem tombado do órgão no Centro-Oeste brasileiro.

O que visitar em Piri além das ruas coloniais?

O centro histórico se concentra em poucos quarteirões e dá para percorrer a pé. Cada igreja, ponte e teatro guarda uma camada da formação goiana.

  • Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário: construída entre 1728 e 1763, é o maior edifício religioso do Centro-Oeste. Foi reconstruída após o incêndio de 2002.
  • Theatro Sebastião Pompeu de Pina: casa de espetáculos de 1889 em estilo luso-brasileiro, com estrutura de madeira preservada.
  • Fazenda Babilônia: engenho do século 19 tombado em 1965, com café sertanejo composto por mais de 40 itens nos fins de semana.
  • Santuário Vagafogo: reserva particular com trilhas, tirolesa e brunch preparado a partir de frutas do Cerrado.
  • Cachoeira do Abade: queda de 12 metros entre paredões de pedra, a 12 km do centro, dentro de uma das áreas mais visitadas.

O vídeo é do canal Viajantes App, que conta com mais de 34 mil inscritos, e apresenta um guia completo sobre a cidade, incluindo trilhas na Cidade de Pedra, o complexo da Cachoeira dos Dragões e a gastronomia da Rua do Lazer:

Onde estão as cachoeiras mais procuradas da Serra dos Pireneus

O município reúne mais de 80 cachoeiras catalogadas, segundo levantamentos da imprensa local e do Parque Estadual dos Pireneus. As mais visitadas ficam em propriedades privadas com infraestrutura, ingresso e horários definidos.

A poucos quilômetros do centro, o complexo Vargem Grande reúne oito quedas em uma RPPN de mil hectares de cerrado preservado. Mais distantes, as Cachoeiras dos Dragões, a 40 km da cidade, formam uma sequência de oito quedas em meio à mata, perto do mosteiro zen-budista da região.

Por que Pirenópolis é considerada um polo gastronômico de Goiás?

A cidade tem a única faculdade pública de gastronomia do Brasil, segundo o Goiás Turismo. O resultado é uma cena de restaurantes que mistura raiz goiana e técnica contemporânea.

  • Empadão goiano: torta recheada com frango, linguiça, queijo, ovo, azeitona e guariroba. Há um festival anual dedicado só a ele.
  • Arroz com pequi: clássico do cerrado, servido em quase todos os restaurantes regionais da cidade.
  • Pamonha de Piri: vendida nas versões doce e salgada, e também à moda, com linguiça temperada.
  • Quitandas e doces de tacho: biscoitos, bolos e compotas caseiras herdados da influência mineira.

Festa do Divino e Cavalhadas: a tradição que atravessa 200 anos

A Festa do Divino Espírito Santo acontece desde 1819, sempre 50 dias após a Páscoa. Reúne folias, alvoradas, congadas e o desfile das Cavalhadas, encenação que simula batalhas entre mouros e cristãos a cavalo.

O conjunto foi registrado como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN em 2010. Em 2022, a celebração foi premiada como melhor festa do ano pela Organização Mundial dos Periodistas de Turismo, e a cidade entrou em 2026 na lista das dez localidades mais acolhedoras do planeta no Traveller Review Awards.

Leia também: Com 100 balões colorindo o céu na “Capital do Balonismo” e baleias na costa, essa cidade oferece o equilíbrio perfeito entre aventura e natureza.

Quando é a melhor época para visitar a cidade serrana?

O clima de altitude favorece passeios o ano inteiro, mas a temporada seca concentra os melhores dias para trilhas e cachoeiras. As chuvas se concentram entre novembro e março.

centro histórico
gastronomia
cachoeiras com volume cheio
trilhas
Pico dos Pireneus
festivais
voo de balão

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Pirenópolis saindo de Brasília ou Goiânia?

Localizada em posição estratégica entre duas capitais, Pirenópolis fica a cerca de 150 km de Brasília e aproximadamente 120 km de Goiânia, o que torna o acesso relativamente simples por rodovias bem estruturadas. Para quem sai da capital federal, o trajeto mais utilizado segue pela BR-060 até Abadiânia, com continuidade pela GO-338, em um percurso que combina trechos duplicados e estradas estaduais até o destino final.

Também há opções de transporte rodoviário regular. Linhas de ônibus conectam Pirenópolis às rodoviárias de Brasília e Goiânia, facilitando a chegada de turistas sem a necessidade de carro próprio. O trajeto é bastante procurado especialmente em feriados e finais de semana, quando a cidade se transforma em um dos principais refúgios turísticos do Centro-Oeste brasileiro.

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