Um gabinete antigo, pesado e cheio de baias de DVD foi resgatado por um brasileiro de uma sucata de bairro, e bastou uma foto no Facebook para reacender uma memória muito específica dos anos 2000 no Brasil: quando esse tipo de máquina era quase uma “impressora de dinheiro”.
A imagem, publicada no grupo “Retro PC Brasil Vendas e Coleções”, mostra um um gabinete, com aquele design bem típico dos anos 2000, com 11 unidades ópticas empilhadas, leitores e gravadores de DVD. Um setup como esse era usado para duplicação em massa. Na legenda, o autor resume o achado: “maluco varou com essa relíquia pesadíssima aqui na sucata do bairro”.
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Esse tipo de achado já até deu as caras por aqui no Hardware.com.br em outra pauta, quando um usuário do Reddit encontrou uma gabinete desse perfil e perguntou “o que é isso? Quem não viveu aquela época, é um tipo de imagem que realmente chama a atenção e desperta curiosidade.
Nos anos 2000, isso era ouro para os pirateiros: homem encontra gabinete com 8 gravadores de DVD
Mas para aqueles que conheceram de perto tal equipamento, guardam muitas lembranças sobre essa era de ouro da pirataria. No post no Facebook desse brasileiro, outras pessoas relembraram como isso rendia grana no passado: “isso era mineirar grana…fazíamos papo de 2/2K POR DIA. Quando o salário era 500 conto”, relembrou um usuário.
Menções a prédios no centro do Rio com andares dedicados à gravação e até histórias de operações interrompidas pela polícia foram remomeradas também. “No centro do RJ eram andares inteiros cheios desses PCs lá pelos anos 2000, tinha as impressoras de capas também. Eram filmes, musicas, programas e jogos, tudo feito em escala industrial”, lembrou outra pessoa.
Para que servia um gabinete com tantos gravadores de CD/DVD?
Esses gabinetes serviam para copiar discos em escala. Simples assim. Em vez de um único drive levando um tempo considerável para gravar um DVD, essas torres trabalhavam em paralelo: 8, 10, 12 unidades gravando ao mesmo tempo, com o que você queria copiar na primeira baia, que atuava como baia de leitura, e mídias virgens nas demais baixas. Softwares de duplicação como Nero, Clone DVD, DVD Decrypter e DVD Shrink coordenavam o processo.
Na prática, isso transformava um PC comum numa pequena linha de produção. Em uma tarde, eram centenas de cópias, filmes recém-lançados, coletâneas de música, jogos de PS2, programas e sistemas operacionais. Na época, um gravador 16x custava caro e mídia virgem tinha preço relevante; quem tinha escala diluía esse custo e ficava com a margem. Existiam torres próprias para duplicação, com controladoras dedicadas e fontes parrudas, justamente para aguentar horas e horas de gravação contínua.
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Em muitas cidades era comum o pacote “3 DVDs por R$ 10”. Cada disco, vendido a pouco mais de R$ 3, podia ter um custo de produção inferior a R$ 1 quando comprado em volume. Margem pequena por unidade que era compensada no volume.
O mercado que ruiu
O que matou o modelo foi a combinação de banda larga mais acessível, downloads e depois streaming. Primeiro vieram os torrents, que já eliminavam a necessidade de mídia física. Depois, Netflix, Spotify e companhia reduziram a dependência de mísicas físicas, e um detalhe técnico pouco lembrado também era um ponto de atenção: gravar dezenas de DVDs por dia acelerava o desgaste dos gravadores. O uso contínuo, somado ao calor, à poeira e à necessidade de calibrar a potência do laser para cada mídia, aumentava a chance de falhas de gravação e encurtava a vida útil dos drives.
Há também o fato de que alguns que viveram os melhores anos desse mercado, acabaram vendo o sonho ruir, e parando na cadeia.
“O pai de um amigo meu tinha umas 10 desssas. Trabalhava de manha, tarde, noite, madrugada. tinha uma vida boa. Um belo dia foi pego pela policia. A vida virou de cabeça pra baixo”, disse um usuário no post.
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