A Urnas Bignotto, fabricante instalada em Cordeirópolis desde 1964, apresentou uma série de caixões com cores e elementos de Super Mario Bros. As peças trazem acabamentos que remetem a Mario, Luigi, Peach e Yoshi. O vídeo com os modelos viralizou nas redes sociais, gerando um contraste visual imediato entre o rigor do setor funerário e o imaginário lúdico dos videogames. Ninguém faz isso por descuido, mas para testar a recepção de um mercado que costuma operar sob discrição e tons de madeira.
1.200 urnas por dia compõem a capacidade industrial da planta no interior paulista. Para os modelos temáticos, no entanto, o processo abandona a automação: um colaborador realiza a pintura manualmente com pistola para garantir os detalhes das faces dos personagens. Guilherme Chanquini, responsável pelo marketing da empresa, afirmou que a ideia nasceu de um dos diretores como um estudo criativo. Antes do encanador italiano, a companhia já havia produzido unidades inspiradas na Barbie e no desenho Os Padrinhos Mágicos.
A inexistência de licenciamento oficial impede que os caixões sejam vendidos. A Urnas Bignotto confirmou que os modelos não possuem preço e não integram o catálogo comercial. O objetivo é a experimentação de mercado e a quebra de padrões de comunicação. Detentora dos direitos de Mario, a Nintendo é conhecida pelo rigor jurídico com suas propriedades intelectuais. A fabricante paulista declarou que as empresas de entretenimento dificilmente aceitam ‘parcerias estratégicas’ com o setor fúnebre.

Pilar Pueblita, representante da Nintendo na América Latina, demonstrou surpresa ao ser questionada sobre a existência das urnas durante a Gamescom Latam em declaração ao Voxel. “Espera um minuto, urnas funerárias?!”, reagiu a funcionária diante da imagem dos modelos. Embora tenha rido da criatividade brasileira, ela reforçou que a companhia possui equipes específicas para tratar de direitos autorais. A Urnas Bignotto mantém os itens apenas como peças de exposição para evitar conflitos legais, enquanto monitora o interesse de nintendistas em levar o apreço pela franquia para sete palmos sob a terra.



